Guerra pode deixar o mundo sem 10 bilhões de refeições semanais

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A guerra no Irã já causou inúmeros impactos geopolíticos e econômicos, desde a cadeia de suprimentos à produção de itens importantes para o consumo global, como os combustíveis. Agora, os conflitos no Oriente Médio põe em risco algo mais essencial: as refeições.

Em entrevista ao BBC, Svein Tore Holsether CEO da Yara, uma das maiores produtoras de fertilizantes do mundo alertou que a interrupção do produto essencial para a produção da agricultura e da cadeia de suprimentos devido a guerra, pode custar até 10 bilhões de refeições por semana em todo o planeta.

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“Estamos deixando de produzir até meio milhão de toneladas de fertilizantes nitrogenados no mundo devido à situação atual”, disse Holsether. “O que isso significa para a produção de alimentos? Estimo que até 10 bilhões de refeições por semana deixarão de ser produzidas por falta de fertilizantes.”, continuou ele.

De acordo com Holsether, o impacto maior deve ser sentido pela população mais pobre e dependente de exportações de alimentos ou de fertilizantes, como a África e da Ásia que impõem uma combinação de medidas, como o racionamento de combustível e a redução da semana de trabalho para diminuir o consumo.

Segundo ele, as hostilidades no Oriente Médio colocam em risco a produção global de alimentos, em especial devido ao bloqueio do nevrálgico Estreito de Ormuz. Além de ser responsável pelo escoamento de cerca de 20% do petróleo consumido no planeta, a rota marítima responde pelo transporte de um terço do comércio mundial de fertilizantes — como ureia, potássio, amônia e fosfatos.

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a alertar que os conflitos no Oriente Médio podem prejudicar a economia mundial e lançar cerca de 45 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, principalmente devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.

Além disso, os altos preços da energia e dos fertilizantes com a guerra poderiam colocar mais de 30 milhões de pessoas na pobreza, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) à AFP.

Para evitar que a pobreza se aprofunde, o PNUD estima que são necessários cerca de 6 bilhões de dólares (quase R$ 30 bilhões, na cotação atual) em subsídios para apoiar os mais vulneráveis.

Bahia já sente fortes impactos

O Brasil, atualmente, tem forte dependência de importação de fertilizantes. ​​​Nos últimos anos, o país importou mais de 85% dos fertilizantes utilizados no campo, de acordo com dados da Petrobras.

No início da guerra, a Bahia também manifestou preocupação com os impactos com a cadeia de alimentos e de fertilizantes. O estado baiano importou cerca de 35% de fertilizantes em 2025.

“As relações comerciais baianas com o Irã são inexpressivas. Portanto, a elevação no preço dos fertilizantes que são importantes para o estado, podem refletir dificuldades para o setor agrícola baiano”, disse a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI) em nota enviada pelo Portal A TARDE, em março deste ano.

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E subiu. De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), Humberto Miranda, o maior custo se deu pelo preço do combustível, produto essencial para o transporte de cargas de alimentos agrícolas.

“Isso impacta da porteira para dentro e a competitividade da porteira para fora que acaba encarecendo o frete e os produtos que chegam aos supermercados brasileiros e internacionais. A princípio, o principal custo é dos defensivos e dos adubos, insumos que são utilizados no preparo do solo plantio e no trato cultural das lavouras. Todos aumentaram indistintamente e tiveram um crescimento significativo nos seus produtos que subiram até 20%”, explicou ele.

Em fevereiro de 2026, a Bahia registrou aumento de 208,6% em Combustíveis e lubrificantes, em meio à guerra no Oriente Médio, segundo Indicadores Econômicos da Bahia, publicado pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em março. O dado mostra a dependência do estado na compra de produtos derivados do petróleo.

“No caso da Bahia que depende fortemente de transporte rodoviário, a elevação no preço dos combustíveis, provocará aumento no preço das passagens, custo do frete interno, e encarecimento na distribuição de alimentos. A inflação deverá se refletir no aumento do gás de cozinha, alimentos básicos, e consequente um maior comprometimento do orçamento das famílias”, apontou a superintendência.

Na contramão dos impactos

Para driblar essa dependência, a Petrobras tem apostado na retomada de produções nacionais de fertilizantes do Brasil. Na semana passada, a estatal iniciou a atividade na Araucária Nitrogenados S.A para produção de ureia, uma das substâncias nitrogenadas mais utilizadas no Brasil, usado para o desenvolvimento de caules e folhas.

O objetivo é minar a capacidade de produção de 720 mil toneladas/ano de ureia, o que corresponde a cerca de 8% do mercado nacional de ureia e 475 mil toneladas/ano de amônia.

A Petrobras também bateu o martelo e decidiu retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, sediada em Três Lagoas (MS), além da FAFEN-BA, na Bahia, em janeiro de 2026, e FAFEN-SE, em Sergipe, em dezembro de 2025.

Com a comercialização da produção das três fábricas, a participação da Petrobras no mercado interno de ureia deve alcançar aproximadamente 20%.



Fonte: A Tarde

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