Largo dos Mares vira abrigo pra galera vulnerável

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Salvador possui aproximadamente 5.300 pessoas em situação de rua |  Foto: Ana Albuquerque / Ag. A TARDE

Quem frequenta, reside ou trabalha nas proximidades do Largo dos Mares, na região da Cidade Baixa, em Salvador, logo se depara com a Igreja de Nossa Senhora dos Mares, uma das mais emblemáticas da capital baiana. Entretanto, se de um lado o santuário católico chama atenção pela sua beleza arquitetônica e pela relevância histórica, do outro, há um cenário que remete a desigualdade social e abandono.

Por lá, a opinião de comerciantes, frequentadores e moradores é unânime: nada causa mais incômodo do que a quantidade de pessoas em vulnerabilidade social que, diariamente, passam pelo local.

“Precisa-se melhorar essa praça. Muitas dessas pessoas têm casas, mas ficam aqui, e acabam sujando o local, intimidando clientes. Eles usam drogas e, às vezes, fazem necessidades fisiológicas na frente de outras pessoas”, disse um comerciante da região que não quis se identificar.

Largo dos Mares concentra grande quantidade de pessoas em situação de rua

Largo dos Mares concentra grande quantidade de pessoas em situação de rua | Foto: Ana Albuquerque / Ag. A TARDE

A opinião dele não é isolada. Assim como o empreendedor, a moradora Eliete Maciel, também fez a mesma consideração. “Poderia ser uma praça mais bonita e melhor aproveitada. A gente não pode ir na igreja e parar para conversar na própria praça porque é cheia de moradores de rua. É onde também servem doações de alimentações e fazem outros serviços sociais, então, atrai e fica cheia deles”, declarou.

Sobre essas reclamações, o titular da Secretaria de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (SEMPRE), Júnior Magalhães, disse em entrevista ao MASSA!, que a pasta faz o acompanhamento, contudo, não há como impedi-los de frequentar o local.

Pessoas em situação de vulnerabilidade utilizam grades como varal

Pessoas em situação de vulnerabilidade utilizam grades como varal | Foto: Ana Albuquerque / Ag. A TARDE

“Primeiro, a gente entende que essas pessoas também têm direito a utilizar o espaço público. A gente não tem como tirar compulsoriamente. Nem é nosso objetivo, nem é nosso padrão fazer isso. O nosso trabalho é fazer o convencimento, ofertar os serviços de acolhimento para que as pessoas, na verdade, saiam das ruas e tenham um lugar de acolhimento. O principal serviço que ofertamos é, justamente, o serviço de abordagem social, convencendo as famílias para que eles possam sair”, esclareceu o secretário.

Secretário expõe outros pontos

Assim como citado pela moradora, o secretário da Sempre também acredita que as ações sociais no local tendem a concentrar uma quantidade maior de pessoas em situação de vulnerabilidade.

“Ali é uma região que tem muita doação de alimentos e de roupas, e isso acaba, de alguma forma, concentrando e chamando. Esse território da Cidade Baixa, até pela proximidade com o Santuário Irmã Dulce, eu acho, que já é histórico ter uma grande gama de pessoas que vão fazer doações. E a gente não condena as pessoas que vão doar. A gente só entende que essa doação por si só, não resolve a situação dessas pessoas vulneráveis”.

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As reclamações também envolveram questões de infraestrutura como melhorias no calçamento, aquisição de equipamentos e necessidade de outros reparos.

“O mau cheiro de fezes e urina é muito forte, além disso poderiam colocar um banheiro químico, melhorar os equipamentos para as crianças, colocar bancos e melhorar a manutenção”, relatou Rita de Cássia de Jesus, que trabalha na região há cinco anos.

O MASSA! procurou a Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal) que, por meio da assessoria de comunicação, informou que, por parte do órgão, até então, não há planos de obras para o local.

Guarda Municipal esclarece ações

Em entrevista ao MASSA!, o supervisor da Guarda Municipal de Salvador (GCM), responsável pelo efetivo que atua na região do Largo dos Mares, explicou como funciona a atuação da unidade na localidade.

”A Guarda atua por perímetros e designamos uma quantidade do nosso efetivo para fazer uma cobertura diária e a região dos Mares também recebe esse atendimento. Porém, ali, por não ser um ponto muito visitado, exceto em épocas específicas, entendemos que não há demandas pra se fazer uma viatura presente o dia inteiro. É claro que, preventivamente, vamos fazer rondas constantes. Buscamos sempre atender em horários distintos, até porque, as pessoas que estão buscando fazer qualquer tipo de maldade, elas não vão em horários específicos. Então, damos uma ênfase maior no período da manhã e no período da noite, porém, sem deixar o local sem presença da guarnição no período da tarde”, contou.

Em casos de urgência, a GCM pode ser acionada pelo 153. A ligação é gratuita e a central telefônica funciona 24 horas por dia. O contato também pode ser pelo número WhatsApp (71) 99623-4955.

Fonte: A Massa

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