A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial e a divulgação de uma carta contestando o resultado das urnas provocaram um movimento de distanciamento entre importantes lideranças evangélicas e o grupo político da família Bolsonaro. Pastores e representantes de grandes denominações passaram a defender o respeito à vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), expondo fissuras na relação entre o bolsonarismo e setores religiosos.
Segundo reportagem publicada pelo Diário do Centro do Mundo, com informações de O Globo, o afastamento envolve lideranças da Igreja Universal, da Assembleia de Deus de Madureira e de outras denominações que, durante o segundo turno, chegaram a manifestar apoio à candidatura do senador.
Um dos sinais mais expressivos veio do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal, que voltou a defender uma posição de neutralidade política. Em declaração repercutida após a eleição, ele criticou o lema bolsonarista “Deus, Pátria e Família” e afirmou que a prioridade da instituição é Deus, depois a família e, por último, o restante.
Na Assembleia de Deus de Madureira, o bispo Abner Ferreira também reconheceu a vitória de Lula e defendeu o respeito às decisões populares. A manifestação ganhou relevância porque integrantes da igreja haviam recomendado voto em Flávio durante a campanha.
Outro nome que demonstrou insatisfação foi o pastor Silas Malafaia. Após a divulgação da carta de Flávio, o religioso criticou reservadamente os filhos de Jair Bolsonaro, chegando a classificá-los como “jumentos”, “babacas” e “amadores”. Apesar das críticas, Malafaia manteve publicamente a defesa do senador e justificou sua saída do Brasil.
O bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações, também se posicionou contra a continuidade da disputa eleitoral. Ele afirmou que as eleições terminaram e que não existe espaço para um terceiro turno, além de pedir que seus seguidores deixassem de alimentar discursos de caos.
Já o apóstolo César Augusto, da Igreja Fonte da Vida, declarou que não se arrependeu de ter votado em Flávio, mas criticou a maneira como o senador reagiu à derrota. Para ele, o candidato foi mal orientado e deveria reconhecer o resultado eleitoral.
O distanciamento também está relacionado à disputa por influência política dentro da direita. Lideranças religiosas avaliam que a associação direta com o bolsonarismo trouxe desgaste às instituições, enquanto candidatos ligados às próprias igrejas enfrentaram dificuldades nas urnas.
O cenário revela uma crise na relação entre a família Bolsonaro e setores importantes do segmento evangélico. Embora parte dos religiosos ainda mantenha apoio ao senador, as manifestações recentes mostram que a liderança de Flávio já não conta com a mesma unidade que marcou a aproximação entre o bolsonarismo e grandes denominações religiosas.
Com informações do DCM