O presidente Lula (PT) advertiu o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após o envio de um documento oficial à Câmara dos Deputados, no qual o Itamaraty apontava risco de uma intervenção militar dos Estados Unidos em território brasileiro.
Em conversa telefônica, segundo o Poder 360, o presidente classificou o envio do texto como um erro da pasta.
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O parecer do Ministério das Relações Exteriores foi emitido em resposta a um requerimento de informação do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES).
O parlamentar questionava quais seriam os impactos institucionais após o governo norte-americano classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Reação do governo dos EUA
Diante do posicionamento do Itamaraty, o governo norte-americano rejeitou categoricamente a avaliação brasileira, classificando a conclusão de “absurda”.
O Departamento de Estado reiterou que adota medidas decisivas e soberanas para combater narcoterroristas e relembrou que já havia negado publicamente qualquer possibilidade de ação militar no Brasil.
Tema foge das atribuições do Itamaraty
A manifestação oficial gerou insatisfação no Palácio do Planalto e entre integrantes das Forças Armadas, que consideraram grave o fato de a tese ter sido chancelada em um documento enviado ao Congresso.
Na avaliação do presidente Lula, a análise do tema fugiu completamente das atribuições do Itamaraty, provocando também desconforto na Embaixada dos Estados Unidos.
Congresso convoca Mauro Vieira
Como desdobramento do impasse, as comissões de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e do Senado Federal convocaram o ministro Mauro Vieira.
O chanceler deverá comparecer ao Legislativo para explicar aos parlamentares os critérios e o embasamento técnico que fundamentaram o posicionamento da pasta.