Mainha do Brega abandona máquina de costura para viralizar com seresta

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Mainha do Brega era costureira |  Foto: Divulgação

Maria de Fátima, uma mulher batalhadora como tantas outras no Brasil, se tornou uma voz de sucesso graças ao seu talento na seresta, estilo musical consolidado entre os mais velhos, mas que também vem conquistando o público jovem. Aos 63 anos, a feirense começou a cantar dentro de casa e estourou nas redes sociais com o nome de Mainha do Brega, alcançando mais de 110 mil seguidores e 1 milhão de visualizações em seu primeiro audiovisual.

Muita gente não sabe, mas Mainha já tinha ligação com a música antes da fama. Maria de Fátima é mãe do cantor Eduardo Mascarenhas, responsável pelo projeto Seresta do Rasta. Inclusive, foi o filho quem ajudou a mostrar o talento dela, já que Mainha sempre gostou de cantar, desde criança, como disse em entrevista exclusiva ao MASSA!.

“Sempre gostei de cantar. Eu juntava meus amiguinhos de infância e cantava as músicas que faziam sucesso naquela época, como José Ribeiro, Jerry Adriani e Wanderley Cardoso. Ficou essa coisa de sempre cantar em casa, mas nunca tive a oportunidade de alguém reconhecer meu talento. Até que meu filho gravou uma música comigo. Fui almoçar na casa dele e ele já tinha preparado o ritmo da música. Pediu para eu cantar, e eu cantei. Depois falou: ‘vamos gravar um CD’. Ele compartilhou o vídeo da música nas redes sociais e foi daí que começou essa vida artística”, contou.

Mainha do Brega é mãe do Seresta do Rasta

Mainha do Brega é mãe do Seresta do Rasta | Foto: Divulgação

Só pedrada

Com base nas músicas que ouvia na juventude, Mainha do Brega foi montando seu repertório. No primeiro audiovisual, ela gravou canções como ‘Naquela Mesa’, ‘Porque Brigamos’ e ‘Recordações’. Os trabalhos também tiveram participação do Rasta, que é produtor musical.

“Ele teve participação nisso também, porque eu sempre cantava esse tipo de música dentro de casa e isso despertou nele desde criança. Eu ligava o radinho cedo da manhã e ficava ouvindo aquelas músicas antigas, sempre cantando junto. Aí ele falou: ‘Vamos gravar umas músicas antigas’, que é o chamado brega”, destacou Mainha.

Não confunda os bregas

O nome Mainha do Brega faz referência ao estilo musical interpretado por Maria de Fátima. Porém, na gíria baiana, a palavra brega também pode ser associada a prostíbulos. Mesmo assim, a cantora garante que não se incomoda com a possível confusão.

“É normal, porque tem pessoas que acham que quando se fala brega é aquela coisa mais ilícita. Mas o brega é algo antigo, uma coisa cafona, como era chamado antigamente. Hoje pode se chamar de brega, né? Então eu abracei isso com carinho”, explicou, bem-humorada.

A idade não importa

Antes de fazer sucesso na música, Maria de Fátima trabalhava como costureira, uma profissão fisicamente desgastante e que muitas pessoas exercem por toda a vida. Quando surgiu a oportunidade de cantar, ela não pensou duas vezes antes de mudar de rumo.

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Mainha destacou que a música trouxe liberdade e fez com que ela se sentisse uma nova pessoa. “Nós não devemos ficar na mesmice. Eu tenho 63 anos e tenho orgulho de dizer isso. Até pouco mais de um mês atrás eu ainda estava na costura. E não é a aposentadoria que vai me impedir de continuar, porque a gente não envelhece. Os sonhos da gente não envelhecem. Tudo tem seu tempo”, ressaltou.

“Eu gostava de cantar, mas trabalhava costurando. Só que a gente não pode parar nisso, nessa mesmice. A costura é repetitiva, enquanto a música traz novidade todos os dias. E a música liberta. Ela te tira da mágoa, da tristeza, daquele pensamento de ‘ah, estou velhinha’. Não estou velhinha, não. Tenho 63 anos”, completou.

Mainha ainda revelou que enfrentou inveja no grupo de costureiras do qual fazia parte após começar a fazer sucesso na música. Mesmo assim, ela deixou um recado para quem se prende à idade ou ao medo de mudar de vida.

“Aquele que te critica não sabe ser como você. Muitas vezes, a pessoa não dá um passo à frente. Se eu tive a oportunidade de sair da máquina de costura, que é extremamente cansativa, por que não abraçar isso? Muitas vezes, essas pessoas também têm oportunidade de melhorar de vida, até de ter sua própria confecção, mas continuam sendo escravas de outras pessoas. A gente precisa tomar uma atitude. Ou você sai daquilo, ou vai viver aquilo a vida inteira”, desabafou.

Hoje, Mainha do Brega é um verdadeiro sucesso e prova que os sonhos podem acontecer em qualquer fase da vida. O importante é estar atento às oportunidades e não deixar o barco passar.

Ouça Mainha do Brega



Fonte: A Massa

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