Mais de 12 mil meninas vítimas de estupro deram à luz no Brasil em 2024, aponta Ministério da Saúde

4

Foto: Juliana Duarte / Movimento Criança não é Mãe / Redes Sociais

Um levantamento realizado pelo portal G1 com base em dados consolidados do Atlas da Violência e do Ministério da Saúde aponta que, em 2024, foram registrados 12.004 nascimentos cujas mães pertenciam à faixa etária de até 14 anos de idade. Pela legislação penal brasileira, qualquer relação sexual envolvendo menores de 14 anos é tipificada como estupro de vulnerável.

Atualmente, a lei brasileira autoriza a interrupção da gravidez em três cenários específicos: quando a gestação é decorrente de violência sexual, quando há risco de morte para a gestante ou em casos de anencefalia fetal, este último respaldado por entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Desse modo, o índice de 5 a cada mil nascimentos mapeado em 2024 refere-se a gestações em que o aborto é legalmente permitido no Brasil.

O cenário ganha novos contornos com a decisão tomada pelo Senado Federal na terça-feira (2). A Casa aprovou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que suspende os efeitos de uma resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), editada em dezembro de 2024.

Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado

Essa resolução estabelecia diretrizes nacionais para orientar a rede de proteção, organizar os fluxos de atendimento médico e social e garantir que crianças e adolescentes vítimas de violência tivessem o acesso ao aborto legal assegurado de forma segura.

A aprovação da suspensão pelo Senado gera forte debate entre especialistas, que alertam que a medida pode criar novos obstáculos burocráticos e práticos para que crianças grávidas em decorrência de estupro consigam realizar o procedimento previsto em lei.

Dados do Ministério da Saúde de 2025 indicam que o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 9.140 notificações de estupro contra meninas que resultaram em gravidez. Desse total de vítimas, apenas cerca de 20% conseguiram realizar o aborto legal, o que significa que 80% delas não tiveram acesso ao procedimento.

A vulnerabilidade infantojuvenil no país também é reforçada pelos indicadores do Atlas da Violência. O último levantamento do estudo identificou uma alta generalizada nas notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes entre os anos de 2023 e 2024.

Fonte: Bahia Notícias, parceiro do Augusto Urgente



.

Artigos relacionados

Últimas notícias

Com 8 episódios, essa série viciante na Netflix é ideal para quinta

Com o feriado de Corpus Christi em andamento, muita gente aproveita o...

Últimas notícias

Indústria baiana prevê perda na petroquímica e ferroligas com tarifaço

A Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) manifestou preocupação caso...

Últimas notícias

Câmara de Mirangaba aprova projeto que dá nome de ex-vereador Vivaldino Ferreira de Amorim ao plenário

Vivaldino Ferreira de Amorim, o eterno “Chê”, construiu uma trajetória marcada pelo...

Últimas notícias

Moradores concluem decoração da Rua Gervásio Firmo para torcer pelo Brasil na Copa do Mundo 2026

Margarete, Allana, Larissa e toda a equipe concluíram com sucesso a ornamentação...