O pastor Silas Malafaia criticou duramente os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro após o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgar uma carta em que se declarou “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais de 2026. Em mensagens enviadas a aliados pelo WhatsApp, o líder religioso classificou os irmãos como “jumentos” e criticou as mudanças feitas no documento.
“Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige”, escreveu Malafaia, segundo informações divulgadas pela coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e reproduzidas pela Revista Fórum.
Em outra mensagem, o pastor chamou os integrantes da família de “um bando de amadores babacas” e afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria retirado o apoio a Flávio. A declaração sobre o suposto recuo de Trump foi atribuída ao próprio Malafaia e não representa uma confirmação oficial do governo norte-americano.
Carta de Flávio passou por várias alterações
A reação do pastor ocorreu após diferentes versões da carta de Flávio circularem na quarta-feira (28). Nas primeiras versões, o senador se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mesmo após o resultado oficial confirmar a vitória de Lula no segundo turno.
O documento também trazia acusações de fraude eleitoral, mas não apresentava provas que sustentassem a alegação. Em uma das versões iniciais, foi utilizado um brasão histórico com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”, posteriormente substituído pelo símbolo oficial da República Federativa do Brasil.
Após a repercussão negativa, Flávio alterou o texto e passou a se apresentar como “líder do Brasil”. O senador também afirmou que pretende comandar a oposição ao governo Lula diretamente dos Estados Unidos, para onde viajou acompanhado da esposa e das duas filhas.
Malafaia também defendeu a saída do senador
Apesar das críticas feitas nos bastidores, Malafaia defendeu publicamente a decisão de Flávio de deixar o Brasil. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o pastor afirmou que o senador estava “certíssimo” ao viajar para os Estados Unidos e acusou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de perseguição política.
A viagem aconteceu depois de uma determinação judicial para que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal. O senador deixou o país sem cumprir a ordem dentro do prazo estabelecido.
Procurado para comentar as mensagens enviadas aos aliados, Malafaia preferiu não se aprofundar no assunto. “Eu não tenho mais nada para falar. Não tem nada que falar não, amigo”, respondeu.
Divergências ampliam desgaste político
As declarações revelam divergências entre aliados da família Bolsonaro sobre a estratégia adotada após a derrota eleitoral. Enquanto Flávio insiste em questionar o resultado e promete liderar a oposição do exterior, integrantes do próprio campo político defendem o reconhecimento das urnas e a reorganização da direita.
O coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL), também afirmou que não existem provas que permitam declarar que houve fraude eleitoral. A manifestação evidencia a distância entre as alegações apresentadas pelo senador e a posição de integrantes de sua própria equipe.
A repercussão da carta e as críticas de Malafaia colocam em evidência as dificuldades enfrentadas pelo grupo para definir uma estratégia comum após a derrota nas urnas.
Com informações da Revista Fórum