menopausa apresenta mais de 70 sintomas e exige tratamento individualizado

5

Quando uma mulher com idade entre 45 e 55 anos percebe que o ciclo menstrual já não está mais regular e, além disso, passa a sentir calor intenso, a primeira coisa que vem à cabeça é: ‘estou na menopausa’.

Mas, o que muitas delas não sabem é que, essa fase biológica natural feminina, pode provocar muito mais que a interrupção da menstruação e os famosos fogachos.

Tudo sobre Saúde em primeira mão! Entre no canal do WhatsApp.

Este processo também pode provocar uma série de mudanças físicas e emocionais que interferem diretamente na rotina e na qualidade de vida das mulheres.

Irritabilidade, insônia, dores de cabeça, alterações de humor, redução da libido, ressecamento vaginal e dificuldades relacionadas à autoestima estão entre os sintomas que podem aparecer durante o climatério – período reprodutivo e o não reprodutivo da mulher -, e a menopausa – marco desse período.

Segundo dados catalogados na literatura médica, a menopausa pode apresentar mais de 70 sintomas. E, nem todos, são identificados facilmente pelas mulheres como sinais desta fase.

O Ministério da Saúde indica que, no Brasil, cerca de 37 milhões de mulheres entre 40 e 65 anos estejam na fase de transição para o climatério e menopausa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2030, 1,2 bilhões de mulheres estarão nesta faixa etária.

Menopausa e mudança de hábitos

Para a autônoma Sandra Pereira Ramos, hoje com 58 anos, os primeiro sinais começaram, por volta dos 50. As ondas de calor acompanhadas de episódios de frio foram os sintomas que mais chamaram sua atenção.

“Comecei a menopausa a partir de 50 anos. Sentia muito calor, às vezes um calor, frio. Quando percebi, quando já estava sentindo muito calor, a mesma hora que estava calor vinha aquele frio, aí eu fui no médico”, conta.

Os sintomas de Sandra apareceram quando ela tinha 50 anos
Os sintomas de Sandra apareceram quando ela tinha 50 anos – Foto: Arquivo pessoal

Após procurar atendimento médico, Sandra recebeu orientações relacionadas à alimentação e à prática de atividade física. Ela afirma que não faz tratamento medicamentoso para a menopausa, apenas adotou mudanças na rotina.

“Tem que fazer caminhada, mudar alimentação, alimentação mais saudável, tomar os medicamentos que, às vezes, precisa de medicamento, às vezes não, é só mudar a alimentação”, relata ela, revelando que manter hábitos saudáveis tem sido importante para atravessar essa fase.

Sandra também relatou alterações no sono e reforçou que cada mulher pode vivenciar a menopausa de uma maneira diferente.

“Eu não fiz nenhum tratamento de menopausa, as recomendações médicas era que fizesse caminhada, mudasse a alimentação, até para melhorar o sono que, às vezes, tem um sono ruim. Não dorme bem à noite”, finaliza.

Sintomas que vão além do físico

A experiência da jornalista Ana Portela, de 52 anos, foi marcada por uma combinação mais ampla de sintomas. Ela conta que começou a perceber as mudanças em meados de 2025, quando passou a apresentar irritabilidade, dores de cabeça, inchaço, ganho de peso e alterações emocionais.

“Comecei essa saga com a menopausa em 2025, meados, de 2025. E para mim foi muito maçante, porque eu comecei com irritabilidades, também dores de cabeça. Comecei a sentir mais inchaço, comecei a ver que eu estava engordando, do nada”, conta, ao revelar que já tinha um histórico de enxaqueca e trombose.

A jornalista Ana Portela começou a ter os sintomas em 2025
A jornalista Ana Portela começou a ter os sintomas em 2025 – Foto: Ricardo Sampaio

Os sintomas também atingiram o emocional. “Começou com essa dor de cabeça, a irritabilidade, às vezes, pânico também. Depressão. E aí começou a vir uns fogachos. Meu Deus do céu, calor, frio, frio, calor”, explica.

Bem-humorada, ela descreve o que sentia: “botava casaco, tirava, suando, transpirando demais embaixo do ar condicionado. Todo mundo tranquilo e eu suando, parecendo um cuscuz, presa dentro de uma uma vasilha de cuscuz quente”.

As mudanças também afetaram a vida pessoal. Ana conta que alterações na libido, no humor e na relação com o marido.

“Porque a libido vai lá para baixo, vai para o para o pé. O ânimo, eu sou muito alegre, eu sou uma pessoa que brinca muito, sou uma pessoa muito feliz”, diz, lembrando que a ajuda do marido foi essencial para enfrentar esta fase com mais leveza.

“Ele chegou para mim e disse: ‘amor, agora eu já sei o que é que está acontecendo com você. Eu vou tentar te ajudar da melhor forma possível. E assim tem sido”, relata Portela.

Para Ana, o tratamento tem sido diferente do feito por muitas outras mulheres, já que, por ter tido trombose relacionada ao uso de anticoncepcional, não pode fazer reposição hormonal.

“Essa queda de hormônios, eu não posso usar hormônios, eu não posso fazer uso de outras substâncias, porque eu tive trombose por causa de anticoncepcional. Bebo chá de amora e os médicos passam suplementos”, conclui a jornalista.

Tratamento precisa ser individualizado

A médica ginecologista e obstetra Amanda Telles, professora de medicina da Afya Itabuna, explica que os sintomas da menopausa são variados e podem atingir diferentes áreas da vida da mulher.

“Os principais sintomas da menopausa são a ausência da menstruação, as ondas de calor, a irritabilidade e o ressecamento vaginal. Porém, existem muitos outros sintomas que podem estar associados, como insônia, falhas de memória, sintomas urinários e diminuição da libido”, aponta.

Amanda Telles, médica ginecologista e obstetra
Amanda Telles, médica ginecologista e obstetra – Foto: Arquivo pessoal

A especialista ainda ressalta que o acompanhamento médico deve ocorrer durante todas as fases da vida.

“O cuidado com a saúde da mulher deve ser contínuo. Devemos realizar acompanhamento ginecológico em todas as fases da vida para prevenir doenças, conhecer o funcionamento do organismo em cada período, rastrear as principais causas de câncer e promover nosso bem-estar e qualidade de vida”, destaca.

De acordo com Amanda, existem diferentes possibilidades terapêuticas, e a escolha depende das características e necessidades de cada paciente. “Existem várias formas de tratamento, e o melhor resultado costuma ser obtido com a combinação entre elas. As opções incluem tratamento hormonal, medicamentos por via oral, dispositivo intrauterino, adesivos, medicações tópicas e intravaginais”, explica.

A médica também acrescenta que os tratamentos podem ser associados a outras abordagens. “Esses tratamentos podem ser associados à terapia cognitivo-comportamental, à fisioterapia, ao laser, ao Fraxx – aparelho de radiofrequência fracionada – e, é claro, à atividade física, que é fundamental.

A terapia de reposição hormonal é uma das principais formas de tratamento dos sintomas da menopausa, mas não é a única e não pode ser indicada para todas as pacientes”, alerta Amanda.

Segundo a ginecologista, mulheres com histórico de câncer de mama hormônio-dependente ou de trombose podem ter contraindicações ao uso de hormônios.

“Por isso, é muito importante realizar uma consulta ginecológica adequada para investigar todos os detalhes e, considerando as necessidades da paciente, definir em conjunto a melhor linha de tratamento”, avalia a ginecologista.

Leia Também:

O que não aparece nos exames

Além das alterações físicas, a menopausa pode repercutir na autoestima, na relação com o próprio corpo, na sexualidade e na vida social. A terapeuta integrativa Ayeska Azevedo observa que muitas mulheres chegam ao atendimento com uma combinação de sintomas e dúvidas sobre o que está acontecendo.

Ayeska Azevedo, terapeuta integrativa
Ayeska Azevedo, terapeuta integrativa – Foto: Arquivo pessoal

“Muitas mulheres chegam ao meu consultório apresentando um combo desses sintomas, mas têm dúvidas se eles são realmente parte do processo natural do amadurecimento da mulher”, afirma.

Ayeska ressalta que o acompanhamento médico deve ser mantido e que as práticas integrativas podem atuar como complemento.

“É meu papel, como terapeuta integrativa, reforçar que elas busquem acompanhamento médico para verificar taxas hormonais, por exemplo. A partir disso eu posso entrar com o tratamento complementar: orientação terapêutica para práticas integrativas como suporte no alívio dos sintomas”, explica.

Entre as práticas mencionadas estão fitoterapia, yoga, florais, acupuntura e aromaterapia. O Ministério da Saúde publicou, em 2025, um “Informe de Evidência Clínica em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde dedicado à atenção integral à saúde da mulher.

Nesse contexto, a terapeuta destaca que a abordagem deve considerar a mulher de forma integral, levando em conta aspectos físicos, emocionais, rotina e relações. A perspectiva também ajuda a compreender os diferentes relatos apresentados ao longo desta reportagem, que mostram como os impactos da menopausa podem ultrapassar os sintomas físicos e se manifestar em diferentes dimensões da vida.

Diante das experiências das especialistas e das vivências de Sandra e de Ana, é possível compreender que a menopausa, de fato, não se resume à queda hormonal ou às ondas de calor.

Ficou claro que, para muitas mulheres, o período representa uma transformação que atravessa o corpo, as emoções, os relacionamentos e a percepção sobre si mesmas.



Fonte: A Tarde

Artigos relacionados

Últimas notícias

Cicero Monteiro e a real viabilidade de eleição

Com penetração em todas as regiões do estado, o candidato de Jacobina...

Últimas notícias

ex-prefeito Nininho Góis e vereadores anunciam apoio à reeleição de Jerônimo – Calila Noticias

A política de Quijingue ganhou mais um capítulo nesta semana e, diante...

Últimas notícias

Jacobina FM enfrenta crise após arrendamento e acumula denúncias de falta de pagamento

Emissora atualmente está sob comando de Diogo Medrado, alvo de denúncias relacionadas...

Últimas notícias

Botafogo demite treinador e pode buscar Jair Ventura como substituto

O Botafogo anunciou na noite desta terça-feira, 18, a demissão do técnico...