O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira (26) que o senador Flávio Bolsonaro (PL) entregue seus passaportes à Polícia Federal e fique impedido de deixar o Brasil. A medida foi adotada um dia após a derrota do parlamentar para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Flávio confirmou a determinação em um vídeo publicado nas redes sociais. Segundo o senador, ele foi intimado a entregar os documentos quando deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, após uma visita realizada durante a manhã.
A decisão ocorre em meio a pedidos apresentados por parlamentares que solicitaram medidas cautelares contra Flávio, alegando risco de saída do país após a derrota eleitoral. Entre os argumentos mencionados está uma declaração de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que afirmou ser favorável à mudança de Flávio para o exterior caso ele perdesse a eleição.
Investigação sobre lavagem de dinheiro
A determinação também está relacionada a uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do senador.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, a Polícia Federal identificou registros que indicariam que Flávio teria sido cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, ligada a Tomaz. A investigação também apura movimentações financeiras e possíveis pagamentos de despesas de viagens.
Na sexta-feira (23), Moraes já havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado e o cancelamento de seus passaportes, no âmbito das apurações.
Flávio e Willer Tomaz negam irregularidades. A defesa do senador também contestou informações relacionadas à existência de uma conta bancária conjunta.
Derrota eleitoral e tensão política
A decisão foi anunciada após Lula vencer o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Depois da derrota, o senador questionou o resultado eleitoral e afirmou que pretende recorrer à Justiça para pedir a cassação da chapa vencedora.
Flávio também criticou a extensão do horário de votação em determinadas localidades, alegando que a medida precisa ser esclarecida. A campanha do próprio senador, porém, havia solicitado a ampliação do período de votação em municípios de alguns estados.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não reconheceu, até o momento, elementos que comprovem fraude capaz de invalidar o resultado das urnas.
Flávio afirma que nunca planejou deixar o país
Ao comentar a entrega dos passaportes, o senador criticou a decisão de Moraes e afirmou que nunca teve intenção de deixar o Brasil. Ele também questionou a adoção da medida com base em declarações atribuídas ao irmão.
A restrição representa um novo desdobramento na situação jurídica do parlamentar, que enfrenta investigações relacionadas a suspeitas financeiras. Os procedimentos continuam em andamento, e as apurações não equivalem a uma condenação.
Com informações do DCM