Resposta do organismo à excitação é parecida com a ereção masculina
Quando o assunto é sexo, a ereção costuma ser associada imediatamente aos homens. Basta o desejo aparecer para que muita gente saiba exatamente o que acontece com o pênis. Mas e no corpo feminino? Embora seja menos comentado, a excitação também provoca uma espécie de “ereção” na mulher. O resultado é um aumento do fluxo de sangue na região íntima, fazendo com que a vulva fique mais inchada, sensível e, em alguns casos, até mais avermelhada.
Apesar de surpreender algumas mulheres, essa mudança está longe de representar um problema. Na verdade, ela faz parte da resposta natural do organismo ao estímulo sexual. O inchaço pode atingir os grandes e pequenos lábios, o clitóris e até a entrada da vagina. Ao MASSA!, a ginecologista Ludmila Andrade (CRM 19.674) explica que o mecanismo é semelhante ao que acontece no corpo masculino, embora as alterações ocorram em estruturas diferentes.
“Isso acontece por conta do fluxo de sangue, que gera congestão, semelhante ao que ocorre, por exemplo, com o pênis nos homens. Os pequenos lábios aumentam de volume, podem ficar mais avermelhados e até um pouco endurecidos. Os grandes lábios ficam mais cheios, especialmente naquelas mulheres após a menopausa, porque já tiveram uma perda maior de gordura nessa região.”, aponta.
Ludmila Andrade é ginecologista especialista em sexologia e saúde feminina
O aumento da circulação também modifica o aspecto do clitóris, que pode ficar discretamente maior e mais exposto durante a excitação. Ao mesmo tempo, a vagina passa por adaptações que ajudam a tornar a penetração mais confortável e reduzem o risco de pequenos machucados durante o sexo.
Esse conjunto de mudanças, segundo a especialista, que também é professora da Afya Salvador, tem uma função importante para o organismo e não acontece por acaso. Trata-se de um mecanismo fisiológico que prepara a região íntima para a atividade sexual.
“Esse processo acontece com o objetivo de proteger, favorecer a lubrificação, aumentar a sensibilidade ao toque e preparar a região para uma possível penetração sem gerar lesões.”
Quando a relação termina, a tendência é que o inchaço diminua aos poucos. O tempo para a pepeka voltar ao aspecto habitual, no entanto, varia de mulher para mulher e também depende da forma como o corpo responde à excitação e ao orgasmo. Em algumas situações, a retenção pode permanecer por mais tempo.
“Pode durar alguns minutos ou até uma hora para o tecido voltar ao formato habitual. Nas mulheres que tiveram orgasmo, o processo de resolução é mais rápido, e esse inchaço da vulva e da vagina diminui mais rapidamente.”, complementa Ludmila.
Quando o inchaço deixa de ser normal?
Embora o aumento de volume seja esperado, existem situações em que ele deixa de ser apenas uma resposta natural do corpo. Dor intensa, piora progressiva, vermelhidão exagerada, coceira ou um inchaço concentrado em apenas um lado da vulva podem indicar que algo não está bem e merecem investigação.
Entre as possíveis causas está a reação alérgica a possíveis produtos utilizados durante a relação sexual. Preservativos, lubrificantes, brinquedos sexuais e, em casos mais raros, até o sêmen podem desencadear esse tipo de resposta no organismo.
“A vermelhidão intensa após a relação sexual, associada a um inchaço, pode, por exemplo, levantar a suspeita de alergia ao látex ou ao preservativo. Em situações mais raras, algumas mulheres têm alergia ao sêmen ou a algum brinquedo sexual. Algum produto que não foi adequadamente testado antes da utilização também pode desencadear um processo de reação alérgica imediata.”
Inchaço vaginal por muitos dias não é normal
Quando os sintomas permanecem por dias ou surgem acompanhados de febre, feridas, bolhas ou lesões, a recomendação é não esperar que eles desapareçam sozinhos. Apesar de esses sinais não surgirem imediatamente após a relação sexual, eles podem indicar uma infecção sexualmente transmissível ou outro problema que exige avaliação médica.
“Já aqueles inchaços que persistem por dias e vêm associados à dor, febre, bolhas, feridas ou lesões podem estar relacionados a uma infecção sexualmente transmissível. Mas, obviamente, o surgimento desses sintomas não acontece imediatamente após a relação sexual.”
Enquanto a consulta não acontece, algumas medidas caseiras podem ser adotadas para aliviar o desconforto, segundo aponta a médica. São elas:
🐸 Fazer compressas frias na região íntima para reduzir o inchaço e a sensação de calor;
🐸 Apostar em um banho de assento com chá de camomila gelado, que pode proporcionar alívio temporário;
🐸 Compressas frias e banhos de assento gelados podem proporcionar uma sensação de alívio, desde que não substituam a avaliação profissional quando o quadro é intenso ou persistente.
“Se o incômodo for muito intenso, com calor e sensação de queimor, é importante avaliar se há alguma lesão. Há também a possibilidade de colocar uma compressa fria no local, um pano geladinho, que pode aliviar, ou fazer um banho de assento com chá de camomila gelado. Isso pode dar algum conforto, desde que não seja um problema maior.”, diz.
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A ginecologista também orienta que a persistência da dor, do inchaço ou o surgimento de desconforto nas relações seguintes são motivos suficientes para buscar atendimento especializado.
“Se houver manutenção da dor persistente após a relação, inchaço, desconforto intenso que impeça as atividades habituais, se isso durar mais de um ou dois dias, se as relações subsequentes começarem a ser dolorosas ou se houver alguma suspeita, por exemplo, de uma reação alérgica ao preservativo, lubrificante ou a produtos utilizados durante a relação sexual.”, complementa.
Mudança no cheiro também é comum
As alterações provocadas pela excitação não ficam restritas ao aspecto da vulva. Muitas mulheres também percebem uma mudança no cheiro da região íntima logo após o sexo. Na maior parte das vezes, isso acontece por causa da mistura entre secreções vaginais, sêmen, líquido pré-ejaculatório, suor e até do próprio preservativo.
“Tanto a lubrificação quanto a modificação do odor da região íntima podem ser uma resposta fisiológica à excitação. A alteração do cheiro pode acontecer por uma série de fatores, desde a mistura das secreções vaginais com o próprio sêmen até mesmo com o cheiro do preservativo. A mistura do líquido pré-ejaculatório com outras secreções vaginais também pode provocar essa modificação.”, descreve a ginecologista.
Cheiro diferente na região intima nem sempre é sinal de doença
Outro fator que interfere nesse odor é a alteração temporária do pH vaginal. Como a vagina é naturalmente ácida e o sêmen é alcalino, essa combinação pode modificar o ambiente da região íntima. Mas, em alguns casos mais sérios, principalmente quando existe um desequilíbrio da flora vaginal, essa mudança favorece o aparecimento de um cheiro desagradável.
“Essa mistura promove uma modificação do pH vaginal. Em algumas situações de infecção, como a vaginose bacteriana, essa alteração do pH pode favorecer o surgimento de um odor desagradável, que representa um desequilíbrio da flora e precisa ser tratado. Nessa situação, é importante fazer uma consulta médica.”
Para evitar desconfortos, Ludmila recomenda que, após a relação sexual, a mulher esvazie a bexiga e faça a higiene apenas da parte externa da região íntima. A limpeza pode ser feita com água e, se desejar, um sabonete líquido neutro ou suave. Já duchas e qualquer tentativa de limpar o interior da pepeka devem ser evitadas, pois o canal vaginal possui um mecanismo natural de autolimpeza e não precisa desse tipo de procedimento.