A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, decidiu que ele participará dos debates do primeiro turno das eleições de 2026 somente quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também estiver presente. A estratégia foi confirmada pelo coordenador político da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), nesta terça-feira (18).
“Vamos fazer todos os debates que o Lula participar. Ele só irá com o Lula. Com todo respeito aos outros candidatos”, afirmou Marinho ao explicar a decisão.
A orientação da campanha é evitar que Flávio fique sozinho diante dos demais candidatos de direita. Segundo aliados, existe o receio de que, na ausência de Lula, adversários como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) concentrem os ataques no candidato do PL durante os debates.
A avaliação interna é que uma exposição desse tipo poderia desgastar Flávio e prejudicar a estratégia de preservar seu capital político para uma eventual disputa de segundo turno contra Lula.
Com a decisão, Flávio deve ficar fora do debate da Band, marcado para domingo (23), caso Lula não confirme presença. A emissora remarcou o encontro, inicialmente previsto para 16 de agosto, mas os dois principais candidatos ainda adotam posições diferentes sobre a participação.
Lula também pretende participar de poucos debates durante o primeiro turno. A previsão é que o presidente compareça ao debate organizado pela TV Globo em 1º de outubro, além de participar de sabatinas promovidas pela emissora.
Disputa entre candidatos
O debate da Band também ganhou repercussão pela presença de candidatos que não seriam obrigatoriamente convidados pela legislação eleitoral. A emissora havia incluído Romeu Zema e Renan Santos com base em critérios de relevância política.
Pelas regras eleitorais, as emissoras são obrigadas a convidar candidatos de partidos que tenham elegido pelo menos cinco parlamentares para o Congresso Nacional em 2022. O TSE, porém, não incluiu Novo e Missão entre as legendas que atendem ao critério.
A ausência de Lula também poderia alterar a dinâmica dos debates. Sem o petista, Flávio teria de responder aos questionamentos e ataques dos demais candidatos que disputam o eleitorado de direita.
Lula lidera no primeiro turno
A decisão da campanha de Flávio ocorre em meio a uma disputa cada vez mais polarizada. Pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto aponta Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, os dois aparecem tecnicamente empatados: Lula tem 43%, enquanto Flávio registra 40%.
Outros levantamentos recentes também mostram Lula à frente no primeiro turno, embora indiquem uma disputa mais equilibrada em um eventual segundo turno.
A estratégia adotada pela campanha de Flávio, portanto, concentra a atuação do candidato nos confrontos diretos com Lula e reduz sua exposição aos demais concorrentes durante a primeira etapa da eleição.
Com informações do DCM