O céu desabou. O que parecia uma manhã de chuva passageira nesta terça-feira, 7, transformou-se rapidamente em um temporal com ventos fortes em Salvador e Lauro de Freitas. Por trás dessa mudança drástica no tempo, que pegou muita gente de surpresa e complicou o trânsito na Região Metropolitana, existe um mecanismo vindo diretamente do Oceano Atlântico que atua intensamente no litoral baiano: as chamadas Ondas de Leste.
O fenômeno fez o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitir um alerta amarelo de perigo potencial para a região. Mas afinal, o que causa esse tipo de chuva torrencial e por que o vento ficou tão intenso
O que são as Ondas de Leste que trouxeram a chuva?
Cientificamente chamados de Distúrbios Ondulatórios de Leste (DOL), esse fenômeno é um dos principais responsáveis pelos temporais que atingem a costa do Nordeste.
O processo funciona como uma verdadeira “fábrica de nuvens” no oceano:
- O calor e a evaporação: O Sol aquece as águas do Oceano Atlântico, gerando uma quantidade imensa de umidade evaporada.
- O empurrão dos ventos alíseos: Os ventos alíseos, que sopram constantemente da região da África em direção ao Brasil, funcionam como uma esteira rolante, empurrando toda essa massa de ar superúmida e quente em direção ao litoral baiano.
- O choque térmico na costa: Ao encontrar perturbações na atmosfera ou variações de pressão perto do continente, essa umidade é forçada a subir rapidamente. Na altitude, o ar resfria de forma abrupta e condensa, formando nuvens gigantescas de tempestade (cumulonimbus), que desabam em curto espaço de tempo.
Foi exatamente esse “choque” que provocou o temporal pesado que atingiu Lauro de Freitas e a capital baiana, com volumes estimados entre 20 e 30 mm por hora.
Rajadas de vento passam dos 35 km/h na RMS
Além da água, quem precisou sair de casa sentiu o impacto dos ventos. No momento, a ventania sopra na direção Sudeste-Sul (SE-S), trazendo o ar úmido do mar profundo para a costa.
Embora a velocidade média do vento fique na casa dos 15 km/h a 26 km/h (considerada de fraca a moderada), o perigo real está nas rajadas isoladas. Durante as pancadas mais fortes, a instabilidade dentro das nuvens projeta correntes de ar para baixo com muita força, gerando picos que superam facilmente os 35 km/h.
Com o solo já encharcado pelo volume acumulado da manhã, o vento constante acende o alerta para o risco de quedas de galhos de árvores e oscilações na fiação elétrica.
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Termômetros em queda: Salvador e Lauro registram máxima de 25°C
A cobertura de nuvens carregadas bloqueou o sol e trouxe uma sensação térmica de “frio” para os padrões soteropolonopolitanos. A temperatura máxima para hoje mal deve alcançar os 25°C, enquanto a mínima pode tocar os 22°C na madrugada — valores considerados baixos para a região nesta época do ano.
O que fazer em caso de emergência?
Em pontos historicamente críticos da Região Metropolitana — como trechos do bairro da Itinga ou nas proximidades do Rio Ipitanga, em Lauro de Freitas —, a recomendação é evitar vias alagadas e não estacionar veículos próximos a torres de transmissão ou árvores.
Caso note riscos de deslizamento ou alagamentos graves, os contatos de emergência são:
- Defesa Civil: 199
- Corpo de Bombeiros: 193