Algumas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) iniciaram a participação em um projeto piloto que prevê a distribuição de medicamentos à base de semaglutida, princípio ativo presente em remédios como Ozempic e Wegovy. A iniciativa ocorre por meio de uma parceria entre a farmacêutica Novo Nordisk e instituições públicas de saúde.
O programa ainda está em fase inicial e terá oferta limitada do medicamento em centros específicos da rede pública. O objetivo é testar protocolos de tratamento para obesidade e avaliar os resultados clínicos dentro do sistema público de saúde.
Até o momento, a parceria foi firmada com o Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE), localizado no Rio de Janeiro, e com o Grupo Hospitalar Conceição, instituição federal situada no Porto Alegre. Um terceiro local, administrado por um município, ainda será definido.
Segundo os responsáveis pela iniciativa, o projeto busca avaliar os efeitos clínicos, econômicos e sociais do tratamento com semaglutida no sistema público. A experiência também deve contribuir para a coleta de dados que possam orientar decisões futuras sobre a possível inclusão do medicamento no SUS.
O tratamento será destinado principalmente a pacientes com obesidade grave, especialmente aqueles com índice de massa corporal igual ou superior a 35 kg/m², classificados como obesidade grau II ou III. Pessoas com mais de 45 anos que apresentem doenças cardiovasculares, como histórico de infarto ou acidente vascular cerebral, também poderão ser priorizadas, mesmo sem diagnóstico de diabetes.
A iniciativa ocorre em um cenário de aumento da obesidade no país. Dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, indicam que a prevalência da obesidade cresceu 118% entre 2006 e 2024. Atualmente, cerca de 25,7% dos adultos brasileiros são considerados obesos.
Quando incluídos os casos de sobrepeso, o índice chega a 62,6% da população adulta. Especialistas apontam que o aumento da condição tem ampliado o debate sobre a incorporação de novos tratamentos na rede pública.
Apesar da eficácia comprovada dos medicamentos da classe GLP-1, que incluem semaglutida e liraglutida, o custo ainda é considerado um desafio para a adoção em larga escala. Estudos do Ministério da Saúde apontam que a incorporação dessas terapias poderia gerar impacto financeiro de cerca de R$ 8 bilhões por ano no sistema público.
A pasta informou que acompanha o avanço das tecnologias e que a entrada de versões genéricas e a possível produção nacional podem reduzir os preços no futuro, ampliando o acesso aos medicamentos na rede pública.
Com informações do MIX