Paisagismo cria refúgios verdes em meio às grandes cidades

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A busca por qualidade de vida e conexão com a natureza tem reposicionado o paisagismo como elemento central dos projetos arquitetônicos e de interiores. Mais do que um recurso estético, o verde passou a ser entendido como parte fundamental do bem-estar, influenciando diretamente a forma de morar e de se relacionar com os espaços. Em 2026, especialistas apontam que a tendência se intensifica, com a valorização de jardins mais naturais, uso de espécies nativas, integração entre áreas internas e externas e soluções que promovam conforto térmico, ventilação e estímulos sensoriais.

Segundo os paisagistas Cleber e Arthur Depieri, do escritório Depieri Paisagismo, a demanda atual combina impacto visual e praticidade. Espécies tropicais de baixa manutenção, como costela-de-adão, filodendros, helicônias e palmeiras, ganharam protagonismo por aliarem estética marcante e resistência. “As pessoas querem beleza, mas também facilidade no cuidado do jardim. Por isso, plantas rústicas e adaptadas ao clima têm sido cada vez mais escolhidas”, afirmam. A preferência por vegetações de grande porte e folhagens exuberantes acompanha uma tendência da arquitetura contemporânea que valoriza a brasilidade e substitui jardins floridos por composições mais densas e sombreadas.

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Esse movimento dialoga com uma mudança de comportamento consolidada após a pandemia, quando o lar passou a assumir funções de refúgio, lazer e trabalho. O paisagismo, nesse contexto, tornou-se ferramenta para criar ambientes de desconexão da rotina urbana. A proposta é transformar casas e apartamentos em espaços de acolhimento, com jardins que evocam sensações de tranquilidade e contato com a natureza. A integração entre áreas de convivência, lazer e vegetação também ganha força, com projetos que incluem espaços gourmet, lounges externos e jardins volumosos que funcionam como barreiras verdes, substituindo muros e garantindo privacidade.

Entre os princípios que orientam essa transformação está o design biofílico, abordagem que integra elementos naturais aos ambientes construídos com o objetivo de promover saúde física e mental. A engenheira agrônoma e paisagista Isabela Pessina explica que a biofilia deve avançar tanto em áreas externas quanto em interiores, com soluções como jardins verticais, microflorestas em vasos e hortas compactas. “O verde deixou de ser um detalhe decorativo para se tornar parte estrutural dos projetos. A tendência é que a presença da vegetação seja pensada desde a concepção da arquitetura”, afirma.

O uso de espécies nativas é outro eixo central do paisagismo contemporâneo. Além de favorecer a biodiversidade e reduzir custos de manutenção, essas plantas apresentam maior resistência a condições climáticas locais e demandam menos água e insumos. A paisagista Gabi Pileggi destaca que a combinação entre espécies nativas e plantas adaptadas de biomas semelhantes permite criar jardins mais resilientes e ecologicamente equilibrados. “É a aplicação prática da ecologia no paisagismo, com benefícios ambientais e estéticos”, diz.

Essa abordagem já começa a ganhar escala em empreendimentos imobiliários. Em Salvador, o Bosque Caminho das Árvores, desenvolvido pela JVF Empreendimentos, é um exemplo de aplicação do conceito de biofilia e do uso de vegetação nativa em ambiente urbano. O projeto paisagístico, assinado pelo botânico e paisagista Ricardo Cardim, prevê a implantação de cerca de 40 espécies nativas brasileiras, entre árvores, arbustos e forrações, com o objetivo de restaurar a biodiversidade e reaproximar os moradores da paisagem original. A proposta inclui ainda lago natural, áreas de contemplação e uma piscina com tecnologia de filtragem natural, criando uma experiência de imersão na natureza no coração da cidade.

Qualidade de vida

A arquitetura do empreendimento, assinada por Ricardo Farias e outros escritórios, reforça essa integração ao adotar princípios biofílicos, com formas orgânicas, ventilação natural e uso de materiais que dialogam com o ambiente. O projeto contempla ainda varandas com jardineiras de espécies nativas, espaços de convivência ao ar livre e áreas voltadas ao bem-estar, como zonas de relaxamento e contemplação. A iniciativa ilustra como o mercado imobiliário tem incorporado o paisagismo como diferencial competitivo e como estratégia para promover qualidade de vida.

No campo dos interiores, o verde também ganha protagonismo. Para os paisagistas Catê Poli e Luciano Zanardo, do elenco da CasaCor São Paulo, a tendência para 2026 é a valorização de folhagens tropicais de folhas largas e cores marcantes, como filodendros, marantas, alocasias e dracenas. Essas plantas são escolhidas tanto pela estética quanto pela funcionalidade, já que ajudam a melhorar a qualidade do ar, regulam a umidade e contribuem para a sensação de conforto. A presença de espécies ornamentais em vasos, estantes e jardins internos reforça a ideia de que a natureza pode estar presente em todos os ambientes da casa.

Outro destaque são os jardins sensoriais, que estimulam visão, olfato, tato, audição e paladar por meio da combinação de texturas, aromas, cores e sons naturais. Esses espaços têm função terapêutica e são cada vez mais utilizados em residências, escolas e ambientes corporativos. A escolha de materiais também segue a lógica da sustentabilidade, com o uso de madeira de reflorestamento, pedras naturais, cerâmicas artesanais e fibras vegetais, que conferem durabilidade e reduzem o impacto ambiental.

A paleta de cores acompanha essa estética naturalista, com predominância de tons terrosos, verdes profundos e neutros quentes, que criam ambientes mais acolhedores e relaxantes. Elementos como terracota, areia e grafite aparecem em pisos, mobiliários e revestimentos, reforçando a conexão visual com a natureza.



Fonte: A Tarde

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