Peixe-leão é uma espécie invasora e tem um apetite voraz
Listras coloridas, nadadeiras alongadas, aparência considerada exuberante e exótica. Essas são alguns das características do peixe-leão, animal marinho perigoso que nos últimos dias passou a ser centro das atenções após ser localizado em diferentes localidades da Bahia.
Segundo a oceanógrafa e coordenadora técnica do Programa de Gerenciamento Costeiro da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Mariana Fontoura, embora o órgão ainda não consiga mensurar quais regiões possuem maior presença da espécie, o peixe já foi encontrado em diversas praias baianas. “Temos ocorrência em mais de 10 municípios da Bahia, incluindo Salvador, Cairu, Porto Seguro, Lauro de Freitas e Mata de São João”, disse.
Na cidade de Porto Seguro, por exemplo, mais de 400 peixes-leão foram capturados somente no mês de agosto, após a prefeitura oferecer R$ 10 àqueles que localizassem o animal e entregasse à Colônia de Pescadores, fator esse que, para Mariana, pode distorcer um pouco a percepção de quantidade. “Houve um incentivo financeiro e um esforço de captura maior, retirando-se uma quantidade muito grande de uma vez só, que foi dentro de um mês. Porém, a gente ainda não tem como dizer se ocorre em maior quantidade lá do que aqui em Salvador, por exemplo”.
A oceanógrafa também esclareceu que, embora o município de Porto Seguro tenha adotado a prática de recompensa financeira, essa não é a medida usada pela Sema.
“O estado entende que existem estratégias que são mais eficazes e sustentáveis a longo prazo, porque o recurso é infinito. Então, essa não é uma estratégia que a gente pretende adotar no estado. A gente prefere promover capacitação para fomentar a cadeia produtiva, por exemplo. É um peixe que é muito saboroso. Então, se a gente aumentar o mercado para o consumo deste peixe, pode aumentar o valor de mercado dele. E aí sim, beneficia os pescadores, mergulhadores que capturam especificamente esses peixes. Quando a gente olha para as experiências em outros países, onde ele já invadiu, como a região do Caribe, por exemplo, essa não é uma estratégia mais adotada”, explicou.
Espécie já foi encontrada em ao menos 10 municípios
A presença da espécie preocupa não só em relação aos riscos que oferece à biodiversidade, mas também à economia local, como explica Mariana Fontoura. “Ele oferece e gera grandes impactos porque é uma espécie que se reproduz muito rapidamente. Ele se adapta a diferentes ambientes, ou seja, consegue ocupar diferentes habitats e tem uma alimentação muito voraz. Ele pode comer até 20 peixes pequenos em até 30 minutos. Ou seja, eles comem muitos peixes em pouco tempo, inclusive, alguns peixes de interesse comercial. Então, ao se limitar aos peixes nativos, isso pode impactar nas populações de peixes locais. Então, ele acaba afetando as pessoas que vivem da pesca, por exemplo”, alertou a especialista.
Apesar das cores vibrantes, acompanhadas por listras verticais em tons de branco, vermelho, laranja, marrom e preto, o peixe-leão não esconde o perigo que carrega nos seus espinhos dorsais.
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“Sim. Ela tem 18 espinhos venenosos que podem oferecer alguns riscos. Porém, assim: os riscos ão riscos caso a pessoa venha a se machucar com o peixe-leão, tocando ou pisando acidentalmente nele. Caso isso aconteça, a pessoa pode ter dor intensa, vermelhidão e inchaço no local”, disse a oceanógrafa. Apesar dos perigos, Mariana esclare que, até então, o Brasil não computa ocorrências de mortes relacionadas ao animal. “A gente não tem casos ainda registrados no Brasil, de morte associada a esse veneno. É muito raro ter algum encontro letal, de ter uma perfuração seguida de morte. Isso é muito raro de acontecer, só se a pessoa tiver alguma alergia específica ao veneno do peixe ou alguma comorbidade específica. Caso uma pessoa, que tenha passado por um curso de capacitação, encontre um peixe-leão, infelizmente a gente orienta que a pessoa mate o animal porque ela é uma espécie exótica invasora e a gente tem que fazer o controle”.