Pela vagina ou pelo bumbum? Saiba por que gases podem sair após o sexo

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Não precisa ser um jantar pesado, uma bebida com gás ou aquela conhecida vontade de ir ao banheiro. Às vezes, basta uma relação sexual para um barulho inesperado aparecer justamente quando ninguém estava esperando. A eliminação de gases durante ou depois da transa pode acontecer por diferentes motivos e, apesar de parecer sempre a mesma coisa, nem todo pum tem origem no intestino.

A explicação depende principalmente de onde o ar está sendo eliminado e do que aconteceu durante a relação, e é por isso que o fenômeno pode aparecer tanto em relações heterossexuais quanto entre pessoas do mesmo sexo. Na transa entre homens, a penetração anal pode favorecer a entrada de ar no reto; o mesmo vale para casais heterossexuais, dependendo edos movimentos envolvidos.

A gastroenterologista Maria Júlia Colossi (CRM-BA 32.153) explica ao MASSA! que existem dois fenômenos diferentes que costumam ser confundidos quando alguém percebe a saída de “gases” durante ou após uma relação. Um deles acontece fora do aparelho digestivo e está relacionado à entrada de ar na vagina; o outro envolve o intestino e corresponde, de fato, à eliminação de gases.

O chamado flato vaginal não é um gás produzido pelo corpo. Durante a penetração, o ar que está no ambiente pode entrar no canal da mulher e ficar temporariamente preso ali. Conforme a pessoa muda de posição ou a penetração termina, esse ar encontra uma saída e pode produzir um som semelhante ao de um pum.

Maria Júlia é médica gastroenterologista

Maria Júlia é médica gastroenterologista | Foto: Arquivo pessoal

Esse processo pode ser favorecido pelos movimentos de vai e vem, por determinadas posições e pela contração ou pelo relaxamento da musculatura pélvica. Embora o barulho possa causar constrangimento, a presença desse ar não significa, por si só, que exista algum problema de saúde.

“É bastante comum: estudos mostram que cerca de 33-35% das mulheres relatam esse fenômeno, principalmente mulheres mais jovens. Pode, também, se relacionar a fatores anatômicos, como no caso de mulheres que já tiveram parto vaginal, incontinência ou prolapsos”.

Uma característica que ajuda a diferenciar esse episódio da flatulência intestinal é justamente sua origem. Como o conteúdo é ar ambiente, o flato vaginal normalmente não tem odor fecal e costuma aparecer associado à penetração ou a uma mudança de posição, desaparecendo pouco depois da relação.

O fenômeno também pode acontecer em relações entre mulheres, inclusive quando há penetração vaginal com dedos ou objetos sexuais. Não é necessário haver um pênis para que o ar entre no canal vaginal: o que favorece o episódio é a movimentação capaz de levar ar para dentro e, posteriormente, permitir sua saída.

Quando o gás vem do intestino?

Já a flatulência intestinal tem outra história. O aparelho digestivo produz gases naturalmente durante a digestão, principalmente a partir da fermentação de determinados alimentos, enquanto uma parte do ar presente no intestino também pode ter sido engolida ao longo do dia.

Durante o sexo, contrações musculares, mudanças de posição e pressão sobre o abdômen e a região pélvica podem favorecer o deslocamento de um gás que já estava no intestino, segundo Maria Júlia. Assim, a relação sexual não precisa necessariamente ter provocado a formação da flatulência: ela pode apenas ter contribuído para que algo que já estava ali fosse eliminado.

“A atividade física e a contração da musculatura abdominal e pélvica durante o sexo podem, sim, favorecer o deslocamento e a eliminação de gás intestinal já presente, como o que acontece com qualquer exercício físico — mudanças posturais e pressão abdominal facilitam a progressão do gás pelo trato digestivo”, exemplifica a médica.

Alguns gases podem ser eliminado pelo ânus

Alguns gases podem ser eliminado pelo ânus | Foto: Reprodução/Gemini IA

Nesse caso, o gás é eliminado pelo bumbum e pode apresentar odor, já que passou pelo aparelho digestivo. A diferença também ajuda a explicar por que algumas pessoas só percebem os gases depois da relação mesmo sem terem sentido qualquer desconforto intestinal antes de começar.

Assoalho pélvico também entra em cena

A fisioterapeuta pélvica e especialista em Fisioterapia em Saúde da Mulher, Larissa Pitanga (CREFITO-7 286291-F), complementa que assoalho pélvico tem papel importante no controle da região genital e anal. A musculatura localizada na parte inferior da pelve participa da sustentação dos órgãos, da coordenação dos movimentos e do funcionamento dos esfíncteres, responsáveis pelo controle da eliminação de urina, fezes e gases.

Fisioterapeuta pélvica Larissa Pitanga

Fisioterapeuta pélvica Larissa Pitanga | Foto: Arquivo pessoal

Durante uma relação sexual, esses músculos não ficam simplesmente contraídos o tempo inteiro. Eles precisam alternar contração e relaxamento de acordo com a atividade realizada, o que ajuda a explicar por que o ar ou gases podem ser eliminados em determinados momentos.

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A fisioterapeuta ressalta que esse funcionamento não pode ser reduzido à ideia de que uma pessoa tem simplesmente uma musculatura “forte” ou “fraca”. Diferentes alterações podem interferir na coordenação, no tônus e na capacidade de relaxamento da região, e cada situação precisa ser avaliada individualmente.

“O assoalho pélvico participa diretamente desses mecanismos porque é responsável não apenas por força, mas também por sustentação, coordenação, relaxamento e controle dos esfíncteres. Então, apesar de o efeito sonoro poder ser parecido, a origem nem sempre é a mesma. E, convenhamos, o nosso corpo não sabe que aquele era o momento em que deveria colaborar com o clima romântico”, diz.

Afinal, dá para saber de onde veio?

A localização da saída é o primeiro ponto a ser observado. Quando o ar é eliminado pela vagina, o som, sozinho, não é suficiente para determinar a origem. O odor também pode ajudar nessa distinção, embora não seja o único critério.

Outro indicativo é o momento em que ocorre. Um barulho que aparece durante a penetração vaginal ou logo depois de uma mudança de posição tende a estar relacionado ao ar que entrou no canal, enquanto a eliminação pelo ânus pode envolver gases que já estavam no intestino.

A gastro Maria Júlia deescreve os elementos que podem ajudar a diferenciá-los na prática:

➡️ Localização: observar se o ar saiu pela vagina ou pelo reto.

➡️ Odor: o ar vaginal geralmente não apresenta cheiro, enquanto gases intestinais podem ter odor fecal.

➡️ Gatilho: o flato vaginal costuma aparecer durante a penetração ou após mudanças de posição; a flatulência está relacionada à presença de gases no sistema digestivo.

Veja quando o barulho vira algo preocupante

Um episódio ocasional durante ou logo após uma relação sexual, sem outros sintomas, normalmente não é motivo para preocupação. A eliminação de ar pela vagina pode acontecer naturalmente, assim como a saída de gases intestinais durante uma atividade que envolve movimentação corporal.

A situação merece atenção quando há uma mudança significativa no padrão habitual. Se o ar começa a sair pela vagina com muita frequência, aparece durante atividades que não envolvem sexo ou se a pessoa percebe alterações no controle dos gases pelo ânus, pode ser necessário investigar. Maria Júlia também chama atenção para sintomas digestivos associados aos gases. Uma piora recente acompanhada de dor abdominal, sangramento gastrointestinal, perda de peso não intencional superior a 10%, diarreia crônica ou histórico familiar de câncer ou doença inflamatória intestinal exige uma avaliação médica.

“Quando o ar vaginal é muito frequente ou incapacitante, deve-se avaliar disfunção do assoalho pélvico (parto vaginal prévio, prolapso, incontinência), pois o tratamento depende da causa. Já gases intestinais que se tornam preocupantes quando acompanhados de piora recente ou dor abdominal, sangramento gastrointestinal, perda de peso não intencional >10%, diarreia crônica ou história familiar de câncer/doença inflamatória intestinal — nesses casos, há indicação de investigação adicional”, descreve.

Atenção à alimentação é essencial

Para quem apresenta gases intestinais recorrentes, algumas mudanças de hábitos podem ser consideradas, mas a causa dos sintomas deve ser levada em conta. Alimentos ricos em carboidratos fermentáveis, por exemplo, podem aumentar a produção de gases em algumas pessoas, enquanto bebidas gaseificadas e hábitos como mascar chiclete podem favorecer a ingestão de ar.

Cuidar do que come ajuda evitar os gases

Cuidar do que come ajuda evitar os gases | Foto: Ilustrativa/Reprodução/Magnific

Não existe uma única mudança alimentar que funcione para todas as pessoas, porém, alguns fatores podem ser observados por quem percebe que a flatulência aparece com frequência:

➡️ Alimentação: determinados carboidratos fermentáveis podem favorecer maior produção de gases em algumas pessoas.

➡️ Bebidas gaseificadas: o consumo pode aumentar a quantidade de ar presente no sistema digestivo.

➡️ Aerofagia: hábitos como mascar chiclete podem contribuir para a ingestão de ar.

No fim das contas, aquele barulho inesperado depois do sexo pode ter uma explicação bem menos misteriosa do que parece. Pela vagina, pode ser apenas o ar que entrou durante a penetração e encontrou uma saída; pelo ânus, pode ser ar introduzido durante a relação ou um gás que já estava no intestino e foi deslocado pelos movimentos.

A diferença está menos no som e mais na origem. Quando acontece de vez em quando e não vem acompanhado de outros sinais, o episódio costuma fazer parte do funcionamento normal do corpo. Já em casos de mudanças persistentes, escapes involuntários ou sintomas digestivos associados, é importante ficar atento, já que são motivos para procurar avaliação profissional.

Fonte: A Massa

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