O prefeito de Conceição do Coité, Marcelo Araújo, divulgou um vídeo neste domingo (19) para prestar novos esclarecimentos à população sobre a compra de um apartamento pertencente ao senador Jaques Wagner (PT), negociação que ganhou repercussão nacional após reportagens apontarem que a transferência do imóvel foi impedida por decisão judicial relacionada à Operação Overclean.
O caso foi abordado pelo Calila Notícias no último sábado, 18, quando foi informado que o apartamento adquirido por uma empresa do prefeito aparece entre os bens que tiveram a indisponibilidade determinada pela Justiça. Na ocasião, Marcelo Araújo já havia se manifestado por meio de nota encaminhada à reportagem. Neste domingo, no entanto, decidiu gravar um vídeo para detalhar toda a negociação e rebater interpretações que, segundo ele, não refletem a realidade dos fatos.
Logo no início do pronunciamento, o prefeito afirma que a aquisição ocorreu “dentro da maior lisura” e que todas as etapas foram realizadas antes da deflagração da operação policial que investiga o senador.
Segundo Marcelo, a negociação foi iniciada e concluída por intermédio de um corretor de imóveis em dezembro de 2025. Após chegar a um acordo sobre o valor e as condições de pagamento, a empresa solicitou toda a documentação e as certidões do vendedor para elaboração do contrato de compra e venda.
Foi somente nesse momento, segundo o prefeito, que ele tomou conhecimento de que o proprietário do imóvel era o senador Jaques Wagner.
Ainda conforme o relato, todas as certidões apresentadas demonstravam que o apartamento estava livre de qualquer restrição judicial, permitindo a celebração do negócio.
O contrato foi assinado em dezembro de 2025, prevendo que o pagamento seria concluído até 30 de abril de 2026. Marcelo afirma que todos os valores foram depositados diretamente na conta bancária do senador, conforme estabelecido contratualmente.
Após a quitação, a escritura pública foi lavrada em maio de 2026, novamente mediante apresentação das certidões exigidas pelos órgãos competentes, que, segundo ele, confirmavam a inexistência de impedimentos para a transferência da propriedade.
No dia 10 de junho, a escritura foi protocolada no Cartório de Registro de Imóveis, quando, segundo o prefeito, surgiu a surpresa: o cartório informou que não poderia efetuar o registro em razão de uma decisão judicial posterior que tornou indisponíveis bens pertencentes ao senador.
Diante da situação, Marcelo Araújo informou que a empresa MSMG Patrimonial Ltda. ingressou com petição no Supremo Tribunal Federal (STF), apresentando documentos que, segundo ele, comprovam que todas as etapas da negociação — assinatura do contrato, pagamentos, escritura e protocolo para registro — ocorreram antes da deflagração da Operação Overclean.
“Estou absolutamente tranquilo com relação a essa situação”, afirmou o prefeito no vídeo. Segundo ele, a empresa agiu de boa-fé e possui documentação que demonstra a regularidade da operação.
Marcelo também fez questão de diferenciar o apartamento adquirido por sua empresa de outro imóvel citado nas reportagens: um terreno de propriedade do senador que, segundo as investigações, teria sido negociado após a deflagração da operação policial.
“O terreno possui situação completamente distinta da nossa e sobre ele eu não tenho qualquer conhecimento além do que foi divulgado pela imprensa”, afirmou.
O prefeito disse ainda que o apartamento foi mencionado nas reportagens apenas porque acabou incluído na indisponibilidade judicial, embora, na avaliação dele, isso tenha ocorrido de forma equivocada.
Outro ponto destacado no pronunciamento foi a capacidade financeira da empresa para realizar a aquisição. Marcelo afirmou que toda a operação foi declarada à Receita Federal, comprovando que a MSMG Patrimonial Ltda. possuía liquidez para efetuar a compra do imóvel pelo valor negociado.
Ao encerrar o vídeo, Marcelo Araújo disse confiar que a Justiça reconhecerá que a negociação foi realizada antes da Operação Overclean e determinará a liberação do imóvel para que o registro definitivo seja feito em nome da empresa.
“Tenho absoluta tranquilidade quanto à legalidade do negócio. Tudo ocorreu na mais absoluta transparência e legalidade”, declarou.
O prefeito concluiu afirmando que decidiu se manifestar diretamente à população por respeito aos moradores de Conceição do Coité e para evitar que, segundo ele, interpretações equivocadas sobre o caso gerem dúvidas quanto à lisura da transação. Assista ao vídeo abaixo