Projeto na Bahia estreia com espetáculo infantil para toda a família

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Em Feira de Santana, a história do Domingo Tem Teatro (DTT) reencontra seu ponto de partida. Depois de temporadas em outros palcos, o projeto retorna ao Teatro do CUCA (Centro Universitário de Cultura e Arte da UEFS), espaço onde nasceu há mais de duas décadas, para dar início à temporada de 2026.

A reestreia acontece no domingo, 12, com o espetáculo A Flauta Mágica de Pã, que mistura música, poesia e elementos do imaginário mítico em uma narrativa voltada para toda a família.

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A apresentação será às 10h30, após as atividades brincantes iniciadas às 9h. Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), com vendas pelo Sympla.

Para a produtora e idealizadora do DTT, Elizete Destéffani-Motté, a volta ao CUCA/UEFS (Universidade Estadual de Feira de Santana) carrega um sentido de valorização da trajetória.

“Representa o reencontro com a nossa própria origem. O CUCA é o solo onde as sementes do Domingo Tem Teatro foram plantadas há duas décadas. Voltar a essa casa, após trilharmos caminhos diversos, é um movimento de renovação e gratidão”, diz.

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Ao ocupar novamente um equipamento ligado à universidade, o projeto demonstra o compromisso com a democratização do acesso. “Esse retorno do DTT dotará o teatro universitário de vitalidade com o fluxo de famílias e crianças, cumprindo seu papel social de aproximar a Universidade da sociedade”, afirma a diretora do CUCA, Cristiana Oliveira.

Retorno mágico

Para abrir a temporada em grande estilo, o projeto apresenta uma nova versão de A Flauta Mágica de Pã. O espetáculo narra a jornada de Pã, filho do céu e da terra, que nasce com uma vontade gigante de descobrir o mundo e fazer novos amigos. Criado pelas Musas, Pã parte em uma viagem onde aprende que existe um “Caminho do Coração” capaz de mudar tudo ao nosso redor. É uma história sobre coragem, amizade e a magia que existe em cada encontro.

Elizete explica que a escolha não foi casual, mas que a peça foi pensada como um convite ao reencontro com o lúdico. “É um espetáculo que celebra a vida e a arte através da figura mítica de Pã, trazendo uma sonoridade e uma visualidade que abraçam o público”.

Para ela, o espetáculo é a escolha ideal para o novo momento do CUCA. “Queríamos uma obra que transbordasse energia e que convidasse crianças e adultos de todas as idades a entrar em um universo de sonho e harmonia. É o espetáculo ideal para esse retorno, pois equilibra perfeitamente o encantamento da fantasia com um toque de humor, criando o clima de festa que a reestreia merece”, garante Elizete.

Desafios de Pã

No palco, o personagem ganha corpo através do trabalho do ator Jailton Nascimento, que destaca o caráter físico da construção. “O personagem é meio humano e meio bode e eu faço todo o espetáculo andando e correndo na ponta dos pés e os joelhos curvados”, conta.

A preparação envolveu treinamento corporal, estudo de referências do fantástico e aprendizado de novas habilidades, como tocar flauta e cantar. Para o ator, um dos principais desafios de atuar para o público infantil está na forma como essa relação é construída. Jailton afirma que não se deve subestimar a inteligência das crianças, o que, segundo ele, pode comprometer toda a experiência.

“Criança é inteligente, sensível e verdadeira e precisamos ter isso bastante nítido no nosso fazer teatral para as infâncias. Precisamos também ser verdadeiros, mesmo na ludicidade, e com isso conseguimos conectar com nosso público”, afirma.

Segundo Jailton, a conexão com o público durante a apresentação acontece por meio da criação de um ambiente que convida o espectador a embarcar na narrativa. “O espetáculo traz um ambiente tão mágico que faz com que o público embarque com ele nessa viagem”.

Jailton ainda afirma que a nova versão chega mais dinâmica, destacando a dedicação do elenco em ampliar a conexão com a plateia. Segundo ele, o público pode esperar “um espetáculo renovado e com uma vontade grande do elenco de encantar o público ainda mais”.

Teatro se constrói no tempo

Criado em 2005 pela Cia. Cuca de Teatro, o DTT nasceu e permaneceu por 15 anos no Teatro do CUCA, antes de seguir para outros espaços e experimentar novos formatos.

Durante a pandemia, migrou para o ambiente digital, ampliando o alcance e dialogando com públicos para além do território físico. Nos anos seguintes, ocupou o Centro de Cultura Amélio Amorim, mantendo a regularidade das apresentações e fortalecendo a relação com o público.

Essa trajetória, como destaca Elizete, não é linear. “A evolução foi profunda e é constante, ela nunca para. Hoje não entregamos apenas entretenimento, mas uma experiência estética completa”, diz. A percepção de infância também mudou ao longo do tempo e o projeto acompanhou esse movimento. “Aprendemos que a criança contemporânea é protagonista de seu tempo”.

Cristiana Oliveira vê nesse retorno um reforço da missão do espaço. Segundo ela, a presença do DTT amplia o fluxo de famílias e crianças no equipamento e fortalece a função social do teatro universitário. O centro, que completou 30 anos em 2025, se consolida como um espaço de encontro entre arte, educação e comunidade, ao mesmo tempo em que valoriza a produção local.

Ao longo dos anos, o Domingo Tem Teatro também estruturou estratégias para garantir a permanência do público. Entre elas, o Programa do Sócio DTT, que funciona como um sistema de fidelização sem cobrança de mensalidade, oferecendo descontos e benefícios para as famílias.

Para a idealizadora, a iniciativa é uma ferramenta concreta de democratização. “Ele permite que o teatro seja um hábito recorrente, e não um evento esporádico. Ao oferecer benefícios e preços reduzidos, removemos a barreira econômica e incentivamos a frequência assídua”.

Essa lógica se conecta diretamente com a proposta do CUCA, que aposta em programação contínua e acessível, integrando teatro, cinema, artes visuais e formação artística. “O CUCA reafirma seu papel como polo cultural ao propor uma programação que vai além do entretenimento, voltada para a diversidade de linguagens e a ocupação democrática do espaço”, diz Elizete.

Experiência além do palco

A programação do Domingo Tem Teatro não se limita ao momento da apresentação. Aos domingos, o público é convidado a chegar cedo. No dia 12, às 09h, o espaço se transformará em um ambiente de convivência, com atividades brincantes, áreas de interação e acolhimento para crianças e famílias.

Para Elizete, esse formato é central na construção do vínculo com o público. “A formação de público não acontece apenas no momento em que as cortinas se abrem, ela começa no acolhimento. Quando o público chega mais cedo para brincar, criar e interagir, ele deixa de ser um mero espectador passivo e passa a se sentir parte integrante do ambiente teatral”.

A programação do DTT pretende trazer espetáculos teatrais de abril a junho. Cristiana reforça que essa relação contínua com o teatro impacta diretamente na formação cultural. “Ao expor crianças e jovens ao teatro, o projeto contribui para a formação crítica e estética, despertando sensibilidade e interesse pelas artes desde cedo”.

O Domingo Tem Teatro conta com o apoio do Atacadão São Roque, Pererê Peças e Governo do Estado, através do Fazcultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.

Estreia da Temporada 2026 do Domingo Tem Teatro

  • Espetáculo: “A Flauta Mágica de Pã” (Cia. Cuca de Teatro)
  • Quando: domingo, 12 de abril
  • Horário: 09h (brincadeiras), 10h30 (espetáculo)
  • Onde: Estação Teatro do CUCA (Rua Conselheiro Franco, 66 – Centro – Feira de Santana)
  • Ingressos: R$ 40 e R$ 20
  • Vendas: Sympla e bilheteria do teatro

*Sob supervisão do editor Chico Castro Jr.



Fonte: A Tarde

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