O esporte brasileiro está em festa – nesta quinta-feira, 10, Gustavo Kuerten, o Guga, um dos maiores símbolos do país completa 50 anos, coroando uma carreira que entrou para a história do tênis.
Nascido em Florianópolis, em 1976, o manezinho da ilha saiu de uma carreira improvável para se tornar tricampeão de Roland Garros, número 1 do mundo e o maior nome do tênis nacional.

A história de Guga nas quadras começou ainda na infância, aos seis anos, por influência da família. O caminho, porém, também foi marcado por uma perda precoce. Aos oito anos, ele perdeu o pai, Aldo Kuerten, vítima de um infarto durante uma competição de tênis em Curitiba, em 1985.
Antes de morrer, Aldo havia pedido ao treinador Larri Passos que acompanhasse a formação esportiva do filho. A promessa se transformou em uma parceria decisiva, que atravessou praticamente toda a carreira de Guga e levou o brasileiro ao topo do tênis mundial.

Título improvável em Roland Garros
O momento que mudou a carreira de Guga aconteceu em 1997. Naquele ano, ele chegou a Roland Garros como número 66 do mundo, sem títulos profissionais de simples no circuito da ATP e sem jamais ter vencido uma partida na chave principal do Grand Slam francês. Duas semanas depois, saiu de Paris como campeão.
A campanha começou com vitória sobre o tcheco Slava Dosedel. Depois, Guga passou pelo sueco Jonas Bjorkman e iniciou uma sequência histórica contra grandes nomes do saibro. Na terceira rodada, derrotou Thomas Muster, número 5 do mundo e campeão de Roland Garros em 1995, em uma batalha de cinco sets.

Na sequência, superou o ucraniano Andrei Medvedev, também em cinco sets, e enfrentou nas quartas o russo Yevgeny Kafelnikov, então número 3 do mundo e atual campeão do torneio. Guga venceu mais uma partida épica e avançou às semifinais, onde passou pelo belga Filip Dewulf.
Na decisão, em 8 de junho de 1997, o brasileiro enfrentou Sergi Bruguera, bicampeão de Roland Garros. Sem se intimidar, venceu por 3 sets a 0, com parciais de 6/3, 6/4 e 6/2, e conquistou seu primeiro Grand Slam.

Tricampeão em Paris e número 1 do mundo
O título de 1997 transformou Guga em ídolo nacional e projetou o brasileiro internacionalmente. Ao longo da carreira, ele conquistou 20 títulos profissionais de simples, incluindo mais dois troféus de Roland Garros, em 2000 e 2001.
O auge veio em 2000, na Masters Cup de Lisboa. Guga derrotou Pete Sampras na semifinal e Andre Agassi na decisão, resultado que o levou ao posto de número 1 do mundo. Até hoje, ele é o único brasileiro a alcançar a liderança do ranking da ATP.
Além dos títulos de simples, Guga também conquistou oito torneios de duplas e chegou ao 38º lugar do ranking mundial da modalidade, em 1997. Ainda assim, foi no saibro e especialmente em Roland Garros que construiu sua maior identificação.

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Ídolo além das quadras
Guga também se tornou conhecido pelo carisma, pelo sorriso fácil e pela relação próxima com o público. Seu estilo descontraído, os uniformes coloridos e a comemoração desenhando um coração na quadra ajudaram a criar uma conexão rara com torcedores brasileiros e estrangeiros.
Fora das quadras, a família sempre teve papel central em sua trajetória. O ex-tenista costumava presentear o irmão mais novo, Guilherme, que tinha paralisia cerebral, com troféus conquistados ao longo da carreira. Guilherme morreu em 2007, pouco antes do encerramento da carreira profissional de Guga.
Torcedor fanático do Avaí, o catarinense também manteve forte ligação com Florianópolis e com Santa Catarina mesmo depois de se tornar um nome mundial.

Referência para o esporte brasileiro
Guga encerrou a carreira em 2008, mas sua imagem permanece como referência no esporte nacional. A combinação entre talento, superação, carisma e conquistas históricas fez do ex-tenista um personagem único para o Brasil.
Aos 50 anos, Gustavo Kuerten segue como o maior nome do tênis brasileiro, tricampeão de Roland Garros, ex-número 1 do mundo e símbolo de uma geração que aprendeu a acompanhar o tênis através de suas vitórias.