Roberta Sá traz turnê de 20 anos para Salvador

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A capital baiana não vai ficar de fora da celebração dos 20 anos de carreira de Roberta Sá. Dias 18, 19 e 20 de setembro, na CAIXA Cultural – unidade Carlos Gomes –, a cantora potiguar apresenta o show intimista, e comemorativo, Tudo que cantei sou. Ingressos à venda já a partir de terça-feira, 15.

A apresentação faz um apanhado do repertório que Roberta construiu ao longo desse tempo. “São canções que ainda fazem muito sentido para mim, que ainda cabem na minha boca para cantar, para dizer, mas que agora ganham outras camadas”, conta Sá.

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“Eu era uma menina de 24, 25 anos quando comecei, e hoje sou uma mulher de 45, quase 46. Naturalmente, essas músicas também passam por esse novo lugar. É um show em que me sinto muito desnuda, e isso é muito bom”, complementa a cantora.

Egressa do Fama (programa da TV Globo veiculado no início dos anos 2000) – assim como o pagodeiro Thiaguinho –, a intérprete nordestina tem se firmado como uma cantora e compositora curiosa, que está sempre à cata de coisas novas.

“Acho que a minha música nasce dessa curiosidade e dessa vontade de estar sempre em movimento. E é isso: sigo com sangue nos olhos e a faca entre os dentes (risos)”, pontua a intérprete.

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Quanto ao Fama, Roberta reconhece que o programa foi de extrema importância para ela. “Foi realmente um divisor de águas. Foi ali que entendi que queria cantar, que poderia construir uma carreira artística, mas também comecei a perceber de que maneira eu queria fazer isso”.

“Então, foi uma experiência muito importante para que eu me enxergasse como artista, mas também para que entendesse minhas dificuldades, meus limites e, principalmente, que tipo de carreira fazia sentido para mim”, alinhava.

Reparação histórica

No repertório de Tudo que cantei sou, norteado pela música brasileira, tem coco, samba, bossa nova e canções mais contemporâneas. “Mais do que a predominância de um ritmo específico, o que predomina é o espírito brasileiro”, define Roberta.

Canções que marcaram diferentes fases da trajetória da cantora estarão lá: Samba de um minuto, A seu vô, Me erra, Amanhã é sábado, Eu sambo mesmo, Cocada, Casa pré-fabricada, Fogo de palha, O lenço e o lençol e Olho de boi, dentre outras.

Ao lado de Alaan Monteiro (bandolim) e Gabriel de Aquino (violão), Roberta revisita também a produção musical feminina através das músicas Lavoura (Pedro Amorim e Teresa Cristina), Juras (Fernando de Oliveira e Rosa Passos), Virada (Manu da Cuíca e Marina Irís) e Essa confusão (Dora Morelenbaum e Zé Ibarra).

“Cantar mulheres, cantar o que a gente pensa, o que escreve se transformou numa necessidade para mim. Uma necessidade de encontrar vozes, de encontrar pares femininos”, comenta Sá.

Ela garante que isso veio de uma percepção de que as compositoras brasileiras não são tão festejadas quanto os autores masculinos. “Então, de alguma maneira, vejo esse bloco também como uma pequena reparação histórica. Mínima mesmo. É a minha gota d’água nesse oceano de inspiração que é a música e a arte das mulheres brasileiras”.

Para Roberta, existe uma ancestralidade feminina muito forte na fundação da música brasileira. “No Recôncavo Baiano, por exemplo, a presença das mulheres, das mães, das comunidades, dos quilombos e das casas de samba é fundamental para tudo o que veio depois”.

“Então, estamos falando de vozes que muitas vezes foram apagadas ou silenciadas ao longo da história, apesar de terem sido fundamentais na construção da nossa música. Para mim, é muito importante que essas vozes ganhem cada vez mais espaço, cada vez mais outras vozes e, principalmente, ganhem a rua”, arremata.

Promoção de encontros

Mais do que uma retrospectiva, Tudo que cantei sou reafirma o olhar artístico de Roberta sobre sua caminhada na música brasileira e celebra a força das canções que vem moldando sua identidade.

“Tenho certeza de que construí uma vida muito abençoada, feliz e completa. E, ao mesmo tempo, sinto que ainda tenho muito a dizer. Tenho inspiração, vontade de cantar, de fazer as coisas acontecerem e de continuar promovendo encontros, porque a música proporciona encontros muito bonitos, e isso para mim é fundamental”, frisa a cantora.

Com uma relação muito profunda com a Bahia, a potiguar Roberta Sá revela que esperava encontrar algo mais familiar por aqui, mais um pedaço do Nordeste. “Mas a Bahia tem uma magia e um encanto muito próprios. É quando você começa a frequentar mais que percebe isso e acaba fisgado por esse modo baiano de viver”.

“Adoro estar aí, me sinto reenergizada. Minha filha, na última vez, estava com dor de ouvido. Perguntei: ‘filha, seu ouvido está doendo?’. E ela respondeu: ‘não, mamãe. Na Bahia não dói’. Acho que minha relação com a Bahia pode ser resumida perfeitamente por essa frase: na Bahia não dói. Nada”, finaliza, poeticamente, Roberta Sá.

Tudo que cantei sou / CAIXA Cultural Salvador – Unidade Carlos Gomes / 18, 19 e 20 de setembro / sexta e sábado às 20h; domingo às 19h / R$ 30 (inteira) e R$ 15 / Vendas: Sympla



Fonte: A Tarde

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