Robson Conceição mira título mundial em nova categoria contra campeão

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O boxe baiano e brasileiro conhece o nome de Robson “O Brabo” Conceição há muitos anos – mas, aos 37, ele está longe de parar de fazer história. Agora, o primeiro atleta do país a conquistar uma medalha de ouro olímpica na modalidade e ex-campeão mundial dos superpenas mudará de categoria, encarando um novo desafio.

Robson entrará no ringue contra o norte-americano Raymond Muratalla, no dia 1º de agosto, em Las Vegas, nos Estados Unidos, pelo cinturão mundial dos pesos leves da Federação Internacional de Boxe (IBF), enfrentando o campeão da categoria.

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A disputa marca a primeira oportunidade de título mundial de Robson na categoria dos leves. Além de recolocar o brasileiro diante de um cinturão, uma vitória permitiria que ele se tornasse campeão mundial em uma segunda divisão.

Do outro lado, no entanto, estará um adversário que promete não deixar fácil. Aos 24 anos, Muratalla está invicto após 24 lutas profissionais, com 17 vitórias por nocaute.

Apesar dos números, Robson garante chegar ao confronto confiante. O brasileiro considera que realizou a melhor preparação de sua carreira, principalmente por ter conseguido atravessar todo o período de treinamentos sem lesões e cumprir integralmente o planejamento estabelecido pela equipe.

“Foi o melhor camp porque consegui treinar saudável do início ao fim. Não tive lesões, fiz uma preparação física excelente, uma alimentação muito bem controlada e consegui cumprir todo o planejamento. Isso me dá muita confiança para chegar na melhor forma da minha carreira”, afirmou Robson.

Robson Conceição
Robson Conceição – Foto: Reprodução I Instagram

Camp completo em Las Vegas

Robson e sua equipe chegaram antecipadamente a Las Vegas para realizar a preparação sob o comando de Luiz Dórea, treinador que acompanha o pugilista desde o começo de sua trajetória no boxe. A estratégia permitiu que o brasileiro se adaptasse com antecedência ao clima, ao fuso horário e à rotina da cidade que receberá o combate.

Las Vegas que, por sinal, também ocupa um lugar especial na carreira do baiano. Foi na cidade norte-americana que Robson fez sua estreia no boxe profissional, em 2016, depois de conquistar a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Dez anos depois, ele retorna ao mesmo cenário para tentar alcançar outro feito histórico.

Durante a preparação, Robson destacou que o período longe de lesões permitiu maior intensidade nos treinamentos, além de uma evolução física e técnica contínua, junto a cuidados de alimentação, recuperação e descanso.

A idade, segundo o lutador, não representa apenas um desafio físico. Aos 37 anos, ele considera que o conhecimento adquirido ao longo da carreira o ajuda a compreender melhor os sinais do próprio corpo e a administrar cada etapa da preparação.

Hoje eu me conheço muito melhor. Sei a hora de acelerar e a hora de recuperar. A experiência faz você entender que descanso, alimentação e recuperação são tão importantes quanto o treino”, explicou.

Robson Conceição
Robson Conceição – Foto: Reprodução I Instagram

Mudança para os leves reduz desgaste

A luta contra Muratalla será a primeira disputa de cinturão mundial de Robson Conceição entre os pesos leves. Anteriormente, o baiano construiu sua carreira profissional nos superpenas, categoria na qual conquistou o título do Conselho Mundial de Boxe (WBC).

A subida de divisão alterou a preparação do brasileiro, principalmente pela redução do desgaste provocado pelo corte de peso. Sem a necessidade de perder tantos quilos antes da pesagem, Robson afirma que conseguiu manter mais força e energia durante os treinamentos.

Robson Conceição
Robson Conceição – Foto: Reprodução I Instagram

“Respondeu muito bem. Estou mais forte, com mais energia e sem precisar fazer um corte de peso tão agressivo. Isso me permite treinar com mais intensidade e chegar na luta inteiro”, disse.

A adaptação positiva aumenta a confiança de Robson para uma luta prevista para 12 rounds. Além de chegar fisicamente mais preservado, ele acredita que poderá apresentar uma versão mais forte e intensa diante do campeão da IBF.

Robson Conceição
Robson Conceição – Foto: Reprodução I Instagram

Muratalla defende invencibilidade e poder de nocaute

Raymond Muratalla, por sua vez, chega à luta com um cartel de 24 vitórias em 24 apresentações profissionais, sendo que em 17 delas, venceu por nocaute. O norte-americano conquistou o cinturão da IBF em janeiro, ao derrotar Andy Cruz por decisão majoritária, e fará contra Robson uma defesa diante de um adversário muito mais experiente em disputas de alto nível.

O baiano reconhece a qualidade e o poder de nocaute do campeão, mas garante que a equipe analisou detalhadamente as características do adversário. Embora evite apontar publicamente as possíveis fragilidades de Muratalla, Robson afirma estar preparado para diferentes cenários durante o combate.

“Ele é um excelente campeão, forte, confiante e merece todo o meu respeito. Mas estudamos bastante o estilo dele e estamos preparados para qualquer situação que apareça durante a luta”, afirmou Robson.

Robson Conceição
Robson Conceição – Foto: Reprodução I Instagram

A diferença de idade, no entanto, é um dos principais elementos do confronto. Muratalla terá do seu lado a juventude, a invencibilidade e um retrospecto expressivo de nocautes, enquanto Robson aposta na bagagem construída ao enfrentar alguns dos principais nomes do boxe mundial e disputar cinco títulos mundiais ao longo da carreira.

O brasileiro já dividiu o ringue com adversários como Óscar Valdez, Shakur Stevenson e O’Shaquie Foster, além de ter enfrentado decisões apertadas e momentos de pressão em grandes eventos. Para ele, essa vivência poderá ser determinante nos instantes mais difíceis da luta.

“Experiência pesa muito em uma luta desse nível. Já enfrentei campeões mundiais, disputei cinco títulos mundiais e vivi grandes momentos da minha carreira. Isso ajuda a tomar decisões melhores durante a luta e manter a calma nos momentos decisivos”, avaliou.

Robson Conceição pelo Time Brasil
Robson Conceição pelo Time Brasil – Foto: Divulgação I COB

Estratégia dependerá do desenvolvimento da luta

Mesmo diante de um adversário conhecido pela força dos golpes, Robson não antecipa se adotará uma postura mais agressiva ou cautelosa. O brasileiro acredita que o combate poderá apresentar momentos de trocação e outros de maior controle técnico e estratégico.

A intenção é interpretar o comportamento de Muratalla durante os rounds e utilizar o repertório acumulado ao longo de uma carreira iniciada ainda no boxe olímpico, no qual disputou mais de 400 combates antes de migrar para o profissional.

Robson Conceição ganhando o ouro olímpico
Robson Conceição ganhando o ouro olímpico – Foto: Divulgação I COB

Espero uma luta inteligente. Cada combate tem sua história e vamos fazer o que for necessário para vencer. Se precisar trocar golpes, estaremos preparados. Se for uma luta mais estratégica, também”, projetou.

Para ele, então, será justamente ele o responsável por encerrar a invencibilidade do campeão da IBF: “Eu trabalhei muito para esse momento. Fiz o melhor camp da minha carreira, tenho experiência em grandes lutas e acredito que chegou a minha hora de conquistar esse cinturão“.

Robson Conceição com o cinturão do WBC
Robson Conceição com o cinturão do WBC – Foto: Divulgação I WBC

História em uma segunda categoria

Até aqui, Robson Conceição soma 21 vitórias, dez delas por nocaute, três derrotas e um empate no boxe profissional. Antes de ingressar na modalidade, tornou-se o primeiro brasileiro campeão olímpico de boxe ao subir ao lugar mais alto do pódio nos Jogos do Rio, em 2016.

A conquista foi alcançada depois de duas eliminações em estreias olímpicas, em Pequim 2008 e Londres 2012. O baiano também possui uma medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011.

Robson Conceição ganhando o ouro olímpico
Robson Conceição ganhando o ouro olímpico – Foto: Divulgação I COB

No profissional, Robson alcançou outro objetivo histórico ao conquistar o cinturão mundial dos superpenas do WBC. Agora, tenta repetir o feito em uma divisão diferente e ampliar um currículo que já o coloca entre os maiores representantes do boxe brasileiro.

“Representa mais uma oportunidade de fazer história. Sempre gostei de enfrentar grandes desafios e conquistar um título mundial em uma segunda categoria seria algo muito especial para mim”, afirmou.

Robson Conceição vencendo o cinturão do WBC
Robson Conceição vencendo o cinturão do WBC – Foto: Divulgação I WBC

Para o lutador, a conquista serviria também como confirmação de uma trajetória construída com persistência. Antes dos títulos e das grandes noites em Las Vegas, Robson chegou a caminhar cerca de nove quilômetros para treinar boxe em Salvador enquanto conciliava o esporte com diferentes trabalhos para ajudar a família.

Foi feirante, carregador de compras, vendedor de picolé na praia e ajudante de pedreiro, entre outras atividades, antes de deixar a Bahia para treinar com a seleção brasileira em Santo André, em São Paulo.

“Seria a realização de mais um grande sonho. Depois da medalha de ouro olímpica e do título mundial nos superpenas, conquistar um cinturão nos leves mostraria que todo o trabalho, dedicação e perseverança valeram a pena“, completou.

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Futuro depende da conquista do cinturão

Ainda que uma vitória possa abrir diferentes possibilidades na concorrida divisão dos leves, no momento, Robson evita escolher antecipadamente um próximo adversário. Hoje, o brasileiro garante que toda a atenção está direcionada para Muratalla e para a conquista do título da IBF.

“Meu foco está totalmente no Muratalla. Depois da vitória, vamos sentar com a equipe e analisar as melhores oportunidades. Quero continuar enfrentando os melhores da categoria e fazer grandes lutas para o público”, projetou.

Robson Conceição
Robson Conceição – Foto: Reprodução I Instagram

Assim, no dia 1º de agosto, Robson Conceição tentará voltar ao Brasil como campeão mundial. Para isso, precisará impor a experiência de uma carreira marcada por grandes desafios diante da juventude e do poder de nocaute de Raymond Muratalla.

Se vencer, o menino que atravessava Salvador a pé para conseguir treinar terá conquistado cinturões mundiais em duas categorias diferentes – mais um feito histórico em uma trajetória que começou longe dos grandes eventos, e agora novamente terá Las Vegas como palco.



Fonte: A Tarde

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