“SAVALU” une dança, ancestralidade e reflexão sobre o tempo

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A relação entre corpo, tempo e ancestralidade conduz o espetáculo SAVALU – uma inscrição no tempo, novo solo da dançarina e pesquisadora baiana Edeise Gomes. A apresentação integra o projeto Quinta da Casa, promovido pela Casa Rosa, e acontece no dia 4 de junho, às 20h, no Teatro Cambará, em Salvador.

Com ingressos a partir de R$ 15, disponíveis pela Sympla, o trabalho propõe uma travessia sensorial construída inteiramente pela dança, utilizando o movimento como linguagem para falar sobre amadurecimento, permanência e transformação.

Espetáculo nasceu de pesquisa acadêmica

A criação do solo está diretamente ligada à trajetória acadêmica da artista. O espetáculo foi desenvolvido a partir da metodologia “Aterrar”, elaborada por Edeise durante o doutorado na Escola de Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Pesquisadora de culturas afro-brasileiras e docente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, a artista transformou parte das reflexões produzidas na pesquisa em experiência cênica.

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Segundo Edeise, SAVALU surge como uma espécie de reorganização pessoal e afetiva. “É o reflexo das escolhas que fiz durante a vida. Sou eu me olhando e me organizando”, detalha a dançarina.

Corpo conduz narrativa dividida em quatro eixos

A performance é estruturada em quatro conceitos que acontecem simultaneamente: terra, errar, ar e até. Cada um deles representa dimensões diferentes da experiência humana e da construção identitária.

A ideia de “terra” aparece ligada ao território e às raízes. Já “errar” propõe uma reflexão sobre tentativa, descoberta e liberdade para experimentar. O “ar” simboliza exposição e presença, enquanto “até” aborda os limites impostos ou construídos ao longo da vida.

No palco, esses elementos se encontram em uma narrativa corporal marcada por movimentos cíclicos e estados de transformação contínua.

Dança além do entretenimento

Para a artista, o espetáculo também funciona como um posicionamento sobre o espaço da dança na cidade. Edeise avalia que Salvador mantém uma forte relação cultural com o movimento, mas ainda oferece pouca visibilidade para produções autorais da área.

“Salvador é uma cidade dançante, mas infelizmente a dança foi reduzida à área business, do palco, da academia. Todas elas são importantíssimas, elas me formaram, mas não são as únicas que existem. Existem companhias de dança que continuam se apresentando na cidade, mas não têm a visibilidade necessária”, aponta ela.

Com SAVALU, a artista aposta em uma experiência que conecta arte, pesquisa e memória para refletir sobre o corpo como território de permanência e reinvenção.



Fonte: A Tarde

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