A cidade de Irecê, no Centro-Norte da Bahia, vive mais uma edição de um dos maiores festejos juninos do Nordeste brasileiro. Com mais de 40 atrações distribuídas ao longo da programação que segue até a próxima quarta-feira (24), o São João do Centenário reúne artistas de diferentes estilos e gerações. Entre os nomes que mais despertam expectativa está o projeto Mamonas Assassinas – O Legado, que sobe ao palco do Barracão do Zé Bigode às 19h deste domingo (21).

A apresentação tem um significado especial para os ireceenses. Afinal, Irecê é a terra natal de Alecsander Alves, o eterno Dinho, vocalista dos Mamonas Assassinas, que deixou a cidade ainda criança para viver em São Paulo, onde mais tarde se tornaria um dos artistas mais carismáticos e irreverentes da música brasileira.

Trinta anos após a tragédia aérea que interrompeu a trajetória da banda no auge do sucesso, o projeto “O Legado” mantém viva a memória do grupo que conquistou o Brasil com humor, criatividade e músicas que atravessaram gerações.

Antes do show, os integrantes visitaram a Praça da Juventude Alecsander Alves ‘Dinho’, inaugurada em 1º de junho de 2019, durante a gestão do então prefeito Elmo Vaz. O encontro foi marcado por emoção e lembranças do conterrâneo que se transformou em ícone nacional.
Ao recepcionar a comitiva, Elmo Vaz relembrou a decisão de homenagear Dinho com o nome do equipamento público e destacou a importância daquele momento para a cidade.

Emocionado, o ex-prefeito lembrou que o cantor nunca teve a oportunidade de se apresentar em sua terra natal e desejou que o novo grupo consiga transmitir ao público a mesma alegria que marcou a trajetória dos Mamonas Assassinas.
Quem acompanhou atentamente cada palavra foi o ator e cantor Rui Taveira, de 36 anos, responsável por interpretar Dinho no projeto.

Em entrevista ao Calila Notícias, único meio de comunicação a cobrir a visita do grupo, Rui disse sentir um misto de emoção e responsabilidade ao pisar na cidade onde nasceu o artista que ele representa nos palcos. “É sempre maravilhoso, é sempre uma recepção incrível. Todo lugar que a gente vai pelo Brasil a galera tem um carinho imenso. Os Mamonas trazem nostalgia, alegria e também inspiração para acreditar nos sonhos. Estar aqui em Irecê, na cidade do Dinho, é algo incrível. Eu me arrepio a cada momento e tenho certeza que vai ser um show épico”, afirmou.

Mesmo tendo apenas seis anos quando ocorreu o acidente que vitimou os integrantes da banda, Rui guarda lembranças da passagem meteórica dos Mamonas pela televisão. “Eu lembro dos programas de TV. Era tudo muito improvisado, a gente nunca sabia o que esperar deles. Era muita alegria, os figurinos, as roupas de super-herói. Eu adorava aquilo. E as letras das músicas são fantásticas”, recordou.

Natural de Bom Jesus dos Perdões, interior paulista, Rui contou que a semelhança física com Dinho sempre chamou atenção das pessoas. “Eu sempre trabalhei com arte, tive bandas de rock e também atuava como ator. As pessoas falavam muito que eu parecia com o Dinho. Quando surgiu o musical dos Mamonas, participei da audição. Foram mais de 1.500 candidatos. Depois veio o convite para o filme e, posteriormente, para integrar a banda O Legado”, explicou.
Projeto nasceu a partir do filme sobre os Mamonas
Diretor e CEO da marca Mamonas Assassinas – O Legado, Jorge Santana explicou que a iniciativa vai além de um simples tributo. “Na verdade, a gente nem trata como uma banda cover. Tudo começou com o projeto do filme. A história ficou tão forte que resolvemos montar a banda formada pelos atores do longa. A partir daí fizemos Europa, Japão, Rock in Rio, tocamos na Vila do Neymar e agora temos a oportunidade de visitar a terra do Dinho”, contou.

Segundo Jorge, o objetivo é preservar a memória dos Mamonas e apresentá-la às novas gerações. “A arte tem que ser livre e democrática. A gente acredita que é importante existirem muitos Mamonas, muitas Marílias, muitos Renato Russos, para que novos talentos tenham oportunidade de aparecer. Hoje mais de 3,5 milhões de pessoas ainda ouvem Mamonas Assassinas. Isso mostra que a história deles continua viva.”
O diretor destacou ainda que todas as músicas carregam a essência criativa de Dinho e dos demais integrantes da banda. “São 30 anos de saudade, não de tristeza. A gente não quer substituir ninguém. Queremos apenas perpetuar esse legado tão bonito que eles deixaram.”

Turnê internacional e projetos sociais
Além dos shows pelo Brasil, o projeto mantém ações sociais através do Instituto Mamonas, com iniciativas voltadas para pessoas com autismo e outras causas sociais.
A agenda internacional também segue intensa. Após a passagem pela Bahia, o grupo embarca para uma nova turnê pela Europa, com apresentações na França, Inglaterra, Irlanda e Suíça.
“É uma rotina muito dinâmica. O projeto nasceu para durar dois anos e já está entrando no terceiro. Estamos lançando também o Mamoninhas, uma versão infantil, e preparando muitas novidades para celebrar esses 30 anos da história dos Mamonas”, revelou Jorge.
Enquanto a noite não chega, a expectativa aumenta entre os fãs. Em Irecê, cidade onde nasceu o menino Alecsander Alves antes de se tornar o inesquecível Dinho, a apresentação deste domingo promete ser mais do que um show. Será um reencontro simbólico entre a terra natal e o artista que, mesmo três décadas após sua partida, continua arrancando sorrisos e emocionando gerações.