A Seleção Brasileira irá para a Copa do Mundo de 2026 com o elenco mais experiente da sua história. Isso porque a média de idade dos 26 jogadores que vão representar o Brasil no torneio é de 29,6 anos, número maior do que foi registrado nas 22 edições anteriores do Mundial.
Antes de 2026, a Copa do Mundo em que o Brasil chegou com o elenco mais envelhecido foi a de 2010, na África do Sul, quando o técnico Dunga convocou um elenco com média de idade de 29,3 anos.
Foto: Gustavo Nascimento | ChatGPT
Menos estreantes
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Para além da média de idade, 15 dos 26 convocados pelo italiano Carlo Ancelotti já participaram de outras edições da Copa do Mundo, ou seja, já possuem experiência com o torneio. O número também representa a maior porcentagem de jogadores não-estreantes entre todas as edições de Copa do Mundo neste século.
Convocados com experiência em Copa do Mundo:
- 2002: 6/23 – 26%
- 2006: 10/23 – 43%
- 2010: 9/23 – 39%
- 2014: 6/23 – 26%
- 2018: 6/23 – 26%
- 2022: 9/26 – 34%
- 2026: 15/26 – 57%
O zagueiro Marquinhos, de 32 anos, falou em entrevista coletiva na última semana sobre a importância dos jogadores mais velhos no grupo de uma seleção que vai disputar a Copa do Mundo. Segundo ele, os jogadores que já passaram por eliminações podem ajudar os mais jovens com a “experiência” ao longo do torneio:
“Acho que isso pode ser positivo para a Seleção. Ter alguns jogadores que viveram esses momentos ruins, de não conseguir vencer, e trazer essa experiência para os que estão vivendo uma Copa do Mundo pela primeira vez e tendo essa oportunidade”.
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Após participar das Copas do Mundo de 2018 e 2022, o defensor do Paris Saint-Germain se estabeleceu como uma das principais lideranças do Brasil neste ciclo, chegando como o capitão da Seleção para 2026. Ainda assim, ele disse que os nomes mais experientes também precisam estar abertos a aprender com os mais jovens.
“A gente não pode estar fechado, achar que somos donos da verdade porque vivemos três ou duas Copas. A gente tem que estar aberto a aprender. Isso vai fazer nosso grupo cada vez mais forte”, acrescentou o capitão.
Falta de renovação no ciclo?
Um dos motivos que pode explicar o alto número de remanescentes de outras Copas em 2026 é a falta de consistência apresentada pela Seleção Brasileira durante o ciclo pós-Copa do Mundo de 2022. Além da eliminação precoce na Copa América de 2024, o Brasil terminou as Eliminatórias para a Copa do Mundo com a pior campanha da sua história.
Em meio a isso, a Seleção Brasileira teve três treinadores (Ramon Menezes, Fernando Diniz e Dorival Júnior) antes da chegada de Carlo Ancelotti em maio de 2025.
Homens de confiança
Com somente um ano de trabalho à frente da Amarelinha, o treinador italiano optou por montar um grupo composto por muitos jogadores “de confiança”, mesmo que esses tenham apresentado um nível técnico questionável em relação a outros nomes, o que contribuiu para o aumento da média de idade da Seleção na Copa do Mundo de 2026.
Foi o caso de nomes como Alex Sandro, de 35 anos, e Danilo, de 34, que podem ser titulares nas laterais do Brasil no jogo de estreia da Copa, contra o Marrocos, no dia 13 de junho, às 19h (horário de Brasília).
Além deles, o goleiro Weverton, de 38 anos, foi chamado para a terceira vaga da posição, visto que nomes mais jovens, como Hugo Souza e Bento, não conseguiram garantir o posto durante o ciclo. O goleiro do Grêmio, que vai para a sua segunda Copa do Mundo, se tornará o segundo atleta mais velho a defender o Brasil na história dos Mundiais, atrás apenas de Daniel Alves, que foi convocado em 2022 quando tinha 39 anos.
Junto a ele, Alisson, de 33 anos, e Ederson, de 32, vão para a terceira Copa do Mundo consecutiva como primeiro e segundo goleiros da Seleção, respectivamente.
Alisson, Ederson e Weverton também foram o trio de goleiros na Copa do Mundo de 2022
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Foto: Lucas Figueiredo | CBF
O próprio Neymar, de 34 anos, foi convocado para a Copa do Mundo mesmo diante de uma série de questionamentos sobre sua parte física e técnica, além do fato de não frequentar a Seleção Brasileira desde 2023.
Aumento na longevidade
Ao ser convocado para a Copa do Mundo de 2026, Neymar superou a idade que outros craques brasileiros tinham em suas últimas Copas do Mundo.
Idade de craques brasileiros em suas últimas Copas do Mundo:
- Ronaldinho Gaúcho: 26 anos (2006)
- Romário: 28 anos (1994)
- Kaká: 28 anos (2010)
- Pelé: 29 anos (1970)
- Ronaldo Fenômeno: 29 anos (2006)
- Rivaldo: 30 anos (2002)
- Garrincha: 32 anos (1966)
- Zico: 33 anos (1986)
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De forma isolada, a presença de Neymar na Copa do Mundo aos 34 anos não define quase nada sobre o jogador em si ou sobre os outros grandes craques do futebol brasileiro.
No entanto, ao expandir a análise para uma perspectiva geral, é possível observar que a longevidade dos jogadores de futebol em geral tem sido cada vez maior, o que também contribuiu para que a média de idade da Seleção Brasileira em 2026 fosse tão alta. Além disso, as seis maiores médias de idade do Brasil foram registradas a partir de 2006.
Medicina esportiva
Esse fenômeno é explicado pelo vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e médico do São Paulo, Ricardo Galotti, que trabalha no futebol há 25 anos. Segundo ele, a atenção dada a fatores como a nutrição foi crucial para o aumento da expectativa de carreira dos atletas.
“No início da minha carreira de médico, o atleta com 30 anos já era considerado em final de carreira. Depois, evoluiu para 35. Há 25 anos, praticamente não se suplementavam os atletas, e hoje em dia a gente consegue aumentar a performance com suplementos de primeira linha”, iniciou ele.
Ele ainda falou sobre a evolução não só no tratamento, mas também na prevenção de lesões por meio da fisioterapia:
“Outra área de atuação que evoluiu demais foi o trabalho da fisioterapia. Ela age de forma preventiva e curativa. A fisiologia também teve uma melhora, com o controle de carga através do GPS. A gente consegue monitorar, saber exatamente o quanto o atleta percorre em um treino, os sprints que ele deu”, complementou ele.
Cuidado pessoal
Para além das questões médicas, os principais exemplos de sucesso do futebol recente, Messi e Cristiano Ronaldo, elevaram a percepção média no que tange ao cuidado que o atleta precisa ter com o próprio corpo para se manter em alto nível pelo máximo de tempo possível. Aos 39 e 41 anos, respectivamente, ambos caminham para a sexta Copa do Mundo consecutiva agora em 2026.
Até por isso, grande parte dos atletas de elite da atualidade possui acompanhamento personalizado de nutricionistas, fisiologistas, psicólogos e analistas de dados.
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Miguel Almirón, um dos maiores talentos do Paraguai, viaja sempre acompanhado de um fisioterapeuta. Ele inicia o processo de recuperação imediatamente após o apito final e conta com uma sala de tratamento em sua própria casa.
Já Rodrigo De Paul, da Argentina, revelou recentemente que vinha realizando uma rotina extra de preparação ao lado de Lionel Messi nos últimos meses. Algumas horas depois dos treinos pelo Inter Miami, os dois voltavam a se encontrar para sessões individualizadas com um preparador físico.