Tirando tudo o que eu tenho

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Primeira transgênero a atuar na Superliga de Vôlei, Tifanny lamentou , neste sábado, 15, a regra nova política de elegibilidade da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que restringe a participação nas competições entre mulheres a atletas designadas com o sexo biológico feminino ao nascer.

Atuante da equipe do Osasco São Cristóvão Saúde, a jogadora de 41 anos, classificou o episódio como “retrocesso”. A fala ocorreu após a estreia do time no Campeonato Paulista da modalidade, que contou com a atuação da oposta no jogo, mesmo depois da nova política.

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“A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos. Mas isso não afeta só a mim. Afeta o meu clube, a torcida, patrocinadores, as pessoas que se inspiram em mim e o direito de todas as pessoas trans. É um enorme retrocesso na luta pelo reconhecimento e pela inclusão. Voltamos para a forma vexatória como se testavam as atletas nos anos 60 e 70”, disse Tifanny.

Durante o desabafo, a atleta afirmou que, apesar da decisão, não vai desistir de jogar e vai lutar para reverter o quadro.

“Não vou me calar e vou tomar todas as medidas possíveis para que a minha luta pelo direito à visibilidade, à inclusão e à prática do esporte não tenha sido em vão”, garantiu.

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Entenda a nova regra

A Federação Paulista de Volleyball (FPV) informou, na sexta-feira, 14, que o Campeonato Estadual seguiria o regulamento em vigor desde o início do torneio. Segundo a entidade, “eventuais medidas” serão tomadas “para as próximas competições […] após análise e manifestação das áreas jurídica e de saúde”.

De acordo com a entidade, a meta é estar em conformidade com regras do Comitê Olímpico Internacional (COI) e da Federação Internacional de Voleibol (FIVB). Desta foram, a confederação afirma que as atletas deverão atender a critérios estabelecidos pela nova política, que incluem a apresentação de resultado negativo para o gene SRY.

Como acontecia antes da regra?

Antes, as mulheres trans podiam atuar desde que os níveis de testosterona sérica estivessem abaixo de determinado limite. A nova determinação é válida já para as edições deste ano da Superliga (nas duas principais divisões) e da Supercopa, além da Copa Brasil e do Circuito Brasileiro de vôlei de praia de 2027.

Osasco São Cristóvão Saúde perde em casa

Apesar dos 19 pontos de Tifanny, o Osasco São Cristóvão Saúde perdeu. Visitante, o Pinheiros levou a melhor e venceu por 3 sets a 2.

As parciais foram de 25/21, 25/16, 21/25, 23/25 e 15/11, após pouco mais de duas horas de partida.

Carreira de Tifanny

Tifanny atua no vôlei feminino desde 2017 e foi campeã da Superliga em 2025.

Na ocasião, ela se tornou a primeira trans a conquistar o principal torneio do país na modalidade.



Fonte: A Tarde

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