Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e o chefe de Estado da Argentina, Javier Milei entraram para a lista de personalidades e organizações que representam ameaças à liberdade de imprensa em diferentes partes do mundo.
A lista anual da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que foi publicada nesta segunda-feira, 2, identifica líderes políticos, grupos econômicos e instituições envolvidos em práticas de intimidação, repressão e enfraquecimento do jornalismo independente.
Segundo a agência Lusa, a organização, sediada em Paris, atribui a inclusão de Trump ao agravamento das restrições enfrentadas por jornalistas norte-americanos desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025. A entidade sustenta que o presidente intensificou sua ofensiva contra veículos de comunicação e profissionais da imprensa, combinando ataques públicos com medidas que dificultam o exercício da atividade jornalística.
Em sua avaliação, a RSF afirma que, desde o retorno de Trump à Casa Branca, “os seus ataques contra a imprensa ultrapassam cada vez mais o âmbito da retórica e das políticas públicas, traduzindo-se em restrições físicas impostas aos jornalistas”.
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O relatório destaca a deterioração da posição dos Estados Unidos no ranking mundial de liberdade de imprensa elaborado pela própria entidade. Sob a administração Trump, o país perdeu sete posições em apenas um ano, passando a ocupar o 64º lugar.
A inclusão do presidente estadunidense ocorre em uma relação que também reúne dirigentes acusados de utilizar estruturas estatais para restringir a atuação da imprensa, entre eles o presidente russo, Vladimir Putin, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, sua esposa, Rosa Murillo, e o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko.
Na América Latina, o relatório destaca a atuação do presidente argentino, Javier Milei, que assumiu o governo em dezembro de 2023. A RSF aponta uma escalada de hostilidades contra profissionais e empresas jornalísticas que questionam as políticas de sua administração.
De acordo com a organização, Milei “multiplica os ataques contra jornalistas e meios de comunicação críticos, aos quais acusa regularmente de corrupção, mentiras e manipulação política”.]
Outras organizações
Entre os nomes que permanecem na lista estão as Forças Armadas de Israel, o Partido Comunista Chinês e os cartéis mexicanos. A RSF atribui a esses agentes a responsabilidade por alimentar “um clima de terror em países supostamente ‘em paz’”.
A entidade chama atenção especialmente para a violência associada ao crime organizado. Segundo o levantamento, desde o início de 2026, quase um jornalista foi assassinado por mês em episódios relacionados à atuação dessas organizações criminosas.