Ultraprocessados afetam o comportamento de crianças, aponta estudo

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O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados pode estar ligado ao surgimento de problemas emocionais e comportamentais em crianças, aponta um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open, na terça-feira, 3.

Conduzida por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, a pesquisa identificou que crianças que consumiram alimentos ultraprocessados aos 3 anos apresentaram mais sinais de ansiedade, medo, agressividade e hiperatividade cerca de dois anos depois.

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O estudo acompanhou mães e filhos no Canadá desde a gestação, considerando registros alimentares de mais de 2 mil crianças aos 3 anos de idade. Quando os participantes completaram 5 anos, os pesquisadores avaliaram o comportamento das crianças por meio do Child Behavior Checklist, uma ferramenta usada para medir indicadores emocionais e comportamentais.

A análise mostrou que, a cada aumento de 10% na ingestão calórica vinda de ultraprocessados, as crianças apresentavam pontuações mais altas em dificuldades comportamentais.

Quais alimentos tiveram maior impacto?

O estudo mostrou que alguns tipos de ultraprocessados tiveram relação mais forte com as dificuldades emocionais e comportamentais observadas nas crianças. Os principais foram:

  • Bebidas açucaradas, como sucos industrializados e néctares.
  • Refrigerantes e bebidas adoçadas artificialmente.
  • Produtos prontos para consumo ou aquecimento, como lanches industrializados, macarrão com queijo e refeições congeladas.

No Canadá, local onde foi realizada a pesquisa, os ultraprocessados respondem por quase metade das calorias ingeridas por crianças em idade pré-escolar, segundo o estudo. No Brasil, cerca de 25% a 30% das calorias ingeridas por crianças menores de 5 anos provêm de alimentos ultraprocessados, segundo dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI).

Estudos apontam que o consumo de ultraprocessados aumenta o risco de obesidade e de outras doenças, como diabetes e problemas cardiovasculares. Além disso, pesquisas anteriores mostram possíveis impactos na saúde mental de adolescentes e adultos.



Fonte: A Tarde

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