Um museu para Salvador

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Toda grande cidade turística possui um grande museu. E Salvador, que em 2025 recebeu mais de 200 mil turistas estrangeiros, um recorde que lhe dá a liderança na região Nordeste e a posição de 4º maior destino internacional do Brasil por via aérea, precisa de um grande museu.

Salvador tem museus locais e muitos deles com acervos valiosos e de qualidade artística. Mas não se trata disso, trata-se de construir um museu capaz de projetar a cidade para o mundo, de torná-la um ícone arquitetônico e cultural.

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Paris tem o Louvre. Madri tem o Prado. Nova York tem o Metropolitan. São Paulo tem o MASP e o Rio de Janeiro tem o MAM e o Museu do Amanhã. Salvador precisa do seu grande museu, para com isso consagrar sua aura de cidade única, cultural e artística.

Várias cidades no mundo criaram museus icônicos em edifícios que são, eles próprios, obras de arte, para assim projetarem-se no mundo turístico e cultural. O exemplo mais famoso é Bilbao, antiga cidade industrial do País Basco, que se reinventou com a implantação do Museu Guggenheim, projetado pelo arquiteto Frank Gehry. Mais recentemente, a cidade de Abu Dhabi decidiu afirmar-se como polo cultural global construindo uma ilha de museus que inclui o Louvre Abu Dhabi e o Guggenheim Abu Dhabi.

Salvador não precisa de um museu para posicionar-se no mundo, afinal tem quase tudo o que uma cidade turística pode desejar. Tem a Baía de Todos-os-Santos, uma das mais belas baías do mundo, tem patrimônio histórico singular e gastronomia reconhecida internacionalmente. E tem música, festas populares, religiosidade, cultura afro-brasileira e uma identidade que nenhuma outra cidade brasileira consegue reproduzir.

Se, além disso, oferecer à sua população e aos turistas um grande museu de arte e história, voltado para a civilização atlântica e para a cultura afro-brasileira; se este museu for sediado num equipamento concebido por um arquiteto de renome mundial e dialogando com a Baía de Todos-os-Santos, da mesma forma que o Guggenheim dialoga com o rio Nervión, em Bilbao, Salvador se tornará diferenciada no mundo da cultura e do turismo.

A primeira capital do Brasil, principal porto do Atlântico Sul durante séculos e ponto de encontro entre Europa, África e América, tem legitimidade histórica para sediar um museu desta natureza.

E não será apenas uma ação cultural, será um investimento econômico de porte, para potencializar a economia soteropolitana. Conhecido mundialmente como “Efeito Bilbao”, o País Basco mostrou que um equipamento icônico pode tornar-se um poderoso ímã turístico e um catalisador de transformações econômicas, urbanísticas e culturais

E não se propõe tão-somente um edifício espetacular, mas sim um projeto urbano mais amplo, nada megalomaníaco, apenas algo no mesmo montante gasto com os enormes viadutos e arenas de concreto que enfeiam a bela cidade da Bahia.

*Escritor, jornalista e economista, membro da Academia de Letras da Bahia – ALB



Fonte: A Tarde

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