A Polícia Federal (PF) investiga o deputado estadual Marcinho Belota (PL) e a influenciadora Athally Albuquerque após um episódio de destruição de panfletos com críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, nas dependências da Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista. O caso ocorreu em 16 de outubro e passou a ser investigado após denúncias relacionadas à atuação da dupla no campus.
Segundo informações divulgadas pela Revista Fórum nesta quinta-feira (22), os materiais haviam sido preparados por estudantes do curso de Direito e reuniam informações críticas sobre Flávio. Vídeos gravados no local mostram a influenciadora rasgando os panfletos e descartando os papéis no lixo, enquanto o deputado a acompanha.
Universidade repudia episódio
A reitoria da UFRR repudiou o ocorrido e classificou a ação como invasão e depredação de um espaço de representação estudantil. Em nota oficial, a instituição afirmou que adotará medidas administrativas, legais e judiciais para apurar os fatos e responsabilizar os envolvidos, caso sejam constatadas irregularidades.
A universidade também destacou que a liberdade de expressão, a autonomia universitária e o respeito à diversidade de ideias são princípios fundamentais da instituição. Segundo a reitoria, divergências políticas não justificam intimidação, destruição de materiais ou qualquer forma de violência.
A controvérsia ganhou força porque os estudantes afirmam que os panfletos faziam parte de uma manifestação política. Já Athally Albuquerque e Marcinho Belota alegaram que o material continha informações falsas e que a intervenção tinha como objetivo questionar uma possível propaganda eleitoral irregular.
Novo episódio amplia tensão no campus
O caso não se limitou à ocorrência de sexta-feira. No sábado (17), um grupo de homens também entrou em áreas da universidade, retirou materiais expostos e interrompeu uma aula no Centro de Ciências Humanas. Segundo relatos publicados pelo Brasil de Fato, um dos homens teria exibido uma arma na cintura durante o episódio, o que aumentou a preocupação de estudantes e professores.
Diante dos acontecimentos, a UFRR solicitou apoio de forças federais de segurança para reforçar a proteção da comunidade acadêmica e garantir a continuidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão.
O Ministério Público Federal informou ter recebido uma representação sobre os fatos, que seria encaminhada para análise e distribuição ao setor competente.
Investigação deve apurar responsabilidades
A investigação busca esclarecer as circunstâncias dos episódios e verificar se houve prática de crimes ou outras irregularidades. Os envolvidos contestam as acusações, e a apuração ainda não representa uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.
O caso também reacendeu o debate sobre a liberdade de manifestação política nas universidades durante o período eleitoral. A legislação e decisões do Supremo Tribunal Federal protegem a liberdade de expressão e o pluralismo de ideias no ambiente universitário, sem afastar a necessidade de apurar eventuais abusos.
A UFRR afirmou que pretende garantir que estudantes e servidores possam exercer suas atividades em um ambiente seguro, sem intimidação motivada por posicionamentos políticos ou ideológicos.
Com informações da Revista Fórum