Flávio Bolsonaro (PL) recuou da tentativa de pedir a anulação das eleições presidenciais de 2026, menos de 24 horas depois de anunciar que não reconheceria a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após pressão de aliados e advogados, o senador mudou de estratégia e deverá apresentar uma ação na Justiça Eleitoral contra a campanha do presidente reeleito.
A decisão foi divulgada nesta segunda-feira (26), após reuniões e conversas com integrantes de seu grupo político. Segundo informações publicadas pelo Bahia Notícias e pela Folha de S.Paulo, aliados avaliaram que o pedido de anulação apresentava fragilidades jurídicas e teria poucas chances de prosperar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF).
Aliados pressionaram por recuo
Entre os nomes que defenderam a mudança de postura está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A avaliação de aliados era de que insistir na tentativa de invalidar o resultado poderia provocar instabilidade institucional e prejudicar o futuro político do senador.
Flávio havia anunciado, na noite de domingo (25), que recorreria à Justiça para tentar anular o pleito. Como justificativa, questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que autorizou a extensão do horário de votação em localidades afetadas por dificuldades de transporte dos eleitores.
O argumento, porém, enfrentou questionamentos porque a própria campanha do PL também havia solicitado a ampliação do período de votação em municípios de alguns estados.
Nova estratégia mira campanha de Lula
No lugar do pedido de anulação, a equipe de Flávio deverá apresentar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije), alegando suposto abuso de poder econômico por parte da campanha de Lula. A iniciativa pretende questionar medidas anunciadas pelo presidente durante o período eleitoral e poderá pedir a cassação da chapa vencedora.
Esse tipo de ação é previsto na legislação eleitoral, mas seu protocolo não significa que as acusações sejam comprovadas ou que haverá perda de mandato. O caso dependerá da análise da Justiça Eleitoral.
Lula venceu com mais de 4 milhões de votos de diferença
Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença superior a 4,4 milhões de votos.
O recuo do senador ocorre em meio ao reconhecimento da vitória de Lula por partidos que apoiaram sua candidatura e à pressão para que a oposição reorganize sua atuação política após a derrota.
A mudança de estratégia representa um recuo em relação ao discurso adotado por Flávio logo após a apuração. Em vez de tentar anular diretamente a eleição, sua campanha deverá recorrer a um instrumento jurídico diferente para contestar a candidatura vencedora.
Com informações do Bnews