Véspera de Finados movimenta Cemitério Velho de Coité, que passou pela maior reforma de sua história – Calila Noticias

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A véspera do Dia de Finados, neste domingo, 1º de novembro, foi marcada pela movimentação de familiares no Cemitério Municipal de Conceição do Coité, conhecido como Cemitério Velho. Durante todo o período que antecede a data, celebrada nesta segunda-feira (2), é comum encontrar pessoas realizando a limpeza de túmulos, colocando flores e preparando os espaços onde estão sepultados seus entes queridos.

Registro feito por Raimundo Mascarenhas da frente da capelinha

Neste ano, porém, quem visitou o local encontrou uma realidade bastante diferente de tempos passados. A necrópole passou pela maior reforma de sua história, realizada pela Prefeitura Municipal, com uma série de intervenções que transformaram a estrutura e as condições de circulação no espaço.

A equipe do Calila Notícias esteve no cemitério neste domingo e constatou as melhorias. Entre elas estão a ampliação e renovação de toda a murada, aplicação de piso de cimento nas áreas de circulação, implantação de um novo piso no percurso entre a entrada e a capelinha, que também foi reformada, além da construção de sanitários, antes inexistentes.

Capela que por muitos anos serviu para guardar material, agora se encontra desta forma | Foto: Raimundo Mascarenhas

A etapa mais recente da obra contemplou a construção de um novo acesso, com cobertura e iluminação especial, estrutura que também permite a realização de sepultamentos no período noturno.

O Calila Notícias procurou setores responsáveis da Prefeitura para obter informações oficiais sobre a dimensão da reforma e os serviços executados, mas não recebeu retorno até a conclusão desta reportagem. As melhorias aqui descritas foram constatadas presencialmente pela equipe e informações do coveiro administrador do espaço.

Toda área que serve como ‘rua’ ganhou piso de cimento | Foto: Raimundo Mascarenhas

Professora aposentada mantém tradição de cuidar da sepultura dos pais

Entre as pessoas encontradas no cemitério estava a professora aposentada Maria Bernadete, que aproveitou a véspera de Finados para limpar a sepultura, também conhecida como carneira, onde estão os restos mortais de seus pais.

Seu pai, Lourival Ferreira da Silva, faleceu em 1982. A mãe, Estelita Ferreira da Silva, morreu cerca de oito anos depois. Desde então, Bernadete mantém o costume de visitar o local em datas especiais, principalmente no Dia das Mães, Dia dos Pais e Dia de Finados.

Bernadete faz limpesa da sepultura dos pais três vezes por ano | Foto: Raimundo Mascarenhas

Durante a conversa com o Calila Notícias, ela elogiou as melhorias realizadas pela gestão municipal, especialmente a limpeza e a organização das áreas de responsabilidade do poder público.

“Já teve ano de vir aqui e ter que fazer a limpeza de carrapicho primeiro para me aproximar da carneira. Hoje está muito mais fácil e digno para as famílias, que podem vir organizar apenas as sepulturas, colocar arranjos de flores, acender velas, algo que compete realmente às famílias”, relatou Bernadete.

O depoimento da professora traduz uma mudança percebida por quem frequenta o cemitério há décadas e já enfrentou dificuldades para chegar às sepulturas devido à vegetação e às condições de conservação do espaço.

Coveiro há dez anos, Hélio Sandro destaca mudanças e faz alerta às famílias

O Calila Notícias também conversou com Hélio Sandro, coveiro que atua na administração do Cemitério Velho há dez anos. Segundo ele, as condições do local vêm melhorando ao longo dos anos, proporcionando mais dignidade às famílias que procuram o espaço para sepultamentos ou visitas.

Sandro recordou situações que, no passado, causavam desconforto e até assustavam os visitantes, como a presença de mato, restos de materiais utilizados em sepultamentos e até fragmentos de esqueletos expostos. Atualmente, segundo ele, esse cenário foi superado nas áreas de responsabilidade da administração municipal.

Apesar das melhorias, a reportagem identificou alguns espaços com aparência de abandono, aparentemente sem manutenção há muitos anos. O coveiro explicou que existem sepulturas nessa situação, mas ressaltou que a conservação individual desses locais cabe aos familiares, uma vez que as áreas foram adquiridas em caráter perpétuo.

Esta sepultura visivelmente abandonada e sem tampas aparenta não ter restos mortais

“Tem gente que veio aqui quando perdeu um parente há dez ou vinte anos, não retorna e, com o passar do tempo, é perceptível o abandono”, afirmou.

Falta de identificação nas sepulturas pode causar transtornos

Outro assunto abordado por Hélio Sandro foi a importância da identificação dos túmulos. Segundo ele, a Prefeitura providenciou cruzes para sepulturas que não possuíam qualquer marcação, mas é fundamental que os familiares complementem a identificação com o nome da pessoa sepultada e as datas de nascimento e falecimento.

O coveiro explicou que a ausência dessas informações pode gerar dificuldades para localizar sepulturas, principalmente quando os familiares passam muitos anos sem visitar o cemitério.

A quantidade de sepultura sem identificação é bem menor em relação aos identificadas e geralmente são covas

“Muitas vezes tenho que resolver problemas complicados aqui. As pessoas não sabem onde fica e pensam que o coveiro sabe de tudo”, comentou.

Para exemplificar, Sandro relembrou um episódio registrado pelo próprio Calila Notícias há cerca de três anos, quando uma pessoa procurou a reportagem afirmando não ter encontrado a sepultura de um familiar. Na ocasião, chegou a levantar a suspeita de que outra pessoa tivesse sido enterrada no mesmo local, com a substituição da identificação.

Posteriormente, conforme relatou o coveiro, ficou esclarecido que o familiar havia procurado a sepultura no lugar errado. Dias depois, conseguiu localizá-la.

Diante dessas situações, Sandro reforçou o pedido para que as famílias mantenham as sepulturas identificadas, evitando dúvidas e transtornos futuros.

Ele também esclareceu que o Cemitério Velho não dispõe mais de áreas para abertura de novas covas. Atualmente, os sepultamentos no local são realizados apenas em sepulturas familiares já existentes. A abertura de novas covas ocorre no Cemitério Municipal Recanto da Saudade, conhecido como Cemitério Novo.

Um espaço de memória que ganhou nova estrutura

Além das melhorias físicas, a reforma representa uma mudança importante na forma como as famílias utilizam o Cemitério Velho, um dos espaços de memória da população coiteense.

A movimentação registrada neste domingo mostrou que, apesar da passagem dos anos, muitas famílias preservam o costume de cuidar dos túmulos e prestar homenagens aos parentes falecidos.

Com corredores cimentados, áreas limpas, capela reformada, sanitários e iluminação.

A expectativa agora é para a visitação nesta segunda-feira, feriado de Finados. O momento de maior movimento tem sido após a Missa de Finados pela manhã e diante da alta temperatura, o movimento de pessoas é maior no fim da tarde. agora iluminado, muitos podem irem até mesmo no inicio da noite.


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