A internet pode, em breve, vir de onde quase ninguém imagina: da própria luz que ilumina ambientes. Essa é a proposta do Li-Fi, uma tecnologia que troca as ondas de rádio do Wi-Fi por sinais emitidos por lâmpadas, LEDs ou infravermelho.
A promessa é ousada: alcançar velocidades até 100 vezes maiores que as atuais, usando justamente a forma mais rápida de propagação conhecida — a luz.
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Como a luz vira internet
O funcionamento do Li-Fi parte de um princípio simples. Uma fonte luminosa, como um LED, recebe dados da rede e passa a variar sua intensidade em altíssima velocidade.
Essas mudanças, imperceptíveis ao olho humano, carregam informações digitais, como os tradicionais códigos binários. Do outro lado, um receptor óptico — geralmente um fotodiodo — capta essas variações e transforma tudo novamente em sinal elétrico.
Na prática, a lâmpada continua iluminando normalmente. Mas, para dispositivos compatíveis, ela passa a funcionar como um ponto de acesso à internet.
Entre os principais benefícios apontados estão a baixa interferência eletromagnética e maior segurança. Como a luz não atravessa paredes, o sinal tende a ficar restrito ao ambiente, reduzindo riscos de interceptação.
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Tecnologia já saiu do papel, mas ainda é limitada
Apesar de já ter superado a fase experimental, o Li-Fi ainda não alcançou a popularidade do Wi-Fi. A tecnologia já conta com aprovação no padrão IEEE 802.11bb, mas sua aplicação segue concentrada em nichos específicos.
O uso é mais comum em locais onde redes tradicionais enfrentam limitações, como hospitais — devido à interferência — ou ambientes de alta segurança, como bases militares e órgãos governamentais.
Empresas já começaram a investir no setor. A Signify, por exemplo, desenvolveu a linha Trulifi, voltada para cenários em que o Wi-Fi não atende bem, com foco em baixa latência e segurança.
Já a pureLiFi trabalha em módulos para integrar o Li-Fi a dispositivos do dia a dia. Um dos projetos apresentados é o Light Antenna ONE, pensado para permitir o uso da tecnologia em notebooks, smartphones e outros aparelhos — algo que ainda depende da adoção pela indústria.
Pesquisa brasileira avança com testes
No Brasil, estudos também avançam nesse campo. Em Minas Gerais, o Inatel, em Santa Rita do Sapucaí, desenvolve pesquisas com comunicação por luz visível, conhecida como VLC.
Os testes são realizados no Laboratório WOCA, voltado a tecnologias sem fio e ópticas. Segundo a instituição, já foi possível alcançar velocidades de até 20 Gbps para o usuário final, utilizando padrões ligados à quinta geração de redes.
Embora o foco seja o VLC, a tecnologia é diretamente relacionada ao Li-Fi. Os estudos já apontam, inclusive, para aplicações futuras em redes 6G.