Divulgadas por Huck, bets geram dívidas de beneficiários do Bolsa Família

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As críticas do apresentador Luciano Huck ao programa Bolsa Família dispararam um forte revés contra o próprio comunicador nas redes sociais. Políticos, influenciadores e especialistas rebateram o contratado da TV Globo apontando uma contradição ética: Huck é um dos principais garotos-propaganda das ‘bets’ na televisão.

O mercado de apostas online, impulsionado pela publicidade de celebridades, é apontado por estudos recentes como um dos maiores responsáveis pelo endividamento crônico de beneficiários do próprio programa social.

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Comentários como o da especialista em finanças e influenciadora, Nath Finanças, geraram repercussão nas redes. “Luciano, as bets que você divulga e o Familhão prejudicam a vida financeira da população pobre e brincam com os sonhos”, postou em seu perfil.

Outro que criticou a declaração do global foi o vereador de São Paulo, Carlos Bezerra Jr. (PSD). Ele publicou um vídeo mostrando as contradições do discurso de Luciano Huck. “Luciano: crítica ao Bolsa Família, mas apoio às bets?” questionou na legenda da publicação que já alcançou milhares de curtidas.

Claudia Souto, autora da novela das 21h, “Quem ama Cuida”, da mesma emissora, também não deixou barato. Ela repostou uma imagem com a mensagem: “Quem faz propaganda de bet deveria ser proibido por lei de falar mal do Bolsa Família”.

A fala polêmica de Huck aconteceu durante participação no Fórum Esfera, evento que reuniu a nata da política e do setor privado brasileiros, no último final de semana.

Na ocasião, o global afirmou que a política social não permite a quebra do ciclo de pobreza. Ele ainda insinuou que beneficiários enganam o Estado para permanecer na política social, utilizando uma cidade da Bahia como exemplo:

“[O Brasil] é muito ineficiente em todas as frentes. É a conversa de ontem. O prefeito da cidade de Senhor do Bonfim tem 56% da sua economia no Bolsa Família. O que acontece? Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas [beneficiários do programa] criam atalhos para ficar no programa de distribuição de renda, de proteção social, ad eternum. A gente precisa criar um estímulo.

Luciano Huck, apresentador

Problema sistêmico

De acordo com estudo do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo) e da FIA Business School, as bets se tornaram o principal fator de endividamento das famílias brasileiras, superando o impacto do crédito e dos juros no orçamento.

A pesquisa criou indicadores que calculam os impactos de quatro condições: o peso do crédito sobre a renda, o patamar dos juros, o tempo das dívidas e as bets. O coeficiente associado às apostas atingiu 0,2255, superando com ampla margem o impacto do crédito sobre a renda (0,0440), dos juros ao consumidor (0,0709) e do tempo de dívida (-0,0017).

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que de janeiro de 2023 a março de 2026 a inadimplência do consumidor causada pelas bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista. O crescimento do gasto dos brasileiros com as plataformas eletrônicas nesse período foi superior a R$ 30 bilhões por mês.

Com o argumento de que as apostas têm impacto direto no orçamento de famílias de baixa renda e aumenta o risco de endividamento, a CNC sugeriu, e o governo acatou a proibição do cadastro de beneficiários do programa em plataformas de apostas online.

Outro programa do governo que precisou ser alterado por causa dos efeitos nocivos das bets foi o Desenrola. A versão 2.0 da iniciativa do governo para ajudar famílias sufocadas com dívidas impede que participantes percam dinheiro com jogos online com o bloqueio do CPF nestas plataformas.

Prejuízos à sociedade

A pesquisa AtlasIntel publicada no final de abril mostra que as bets são vistas de forma negativa pela maioria dos brasileiros. De acordo com levantamento, 86,7% enxergam que as apostas trazem prejuízos sociais, enquanto apenas 0,6% veem mais benefícios ou somente benefícios. Já 5,9% percebem impactos neutros do setor.

Além disso, 85,2% dos brasileiros relacionam as bets com o aumento do endividamento das famílias no Brasil – sendo que 70% destes entendem que há muita contribuição do setor para isso.

Para 80% dos entrevistados as bets deveriam pagar mais impostos, outros 76% acreditam que a publicidade das plataformas de apostas deveriam ser limitadas, e 70% acreditam que as bets deveriam ser proibidas no Brasil.

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Epidemia silenciosa

O portal A TARDE publicou reportagens que trazem à tona os riscos psicológicos e financeiros do avanço das apostas no Brasil. Entre promessas de ganho fácil e perdas, as matérias mostram como o vício em jogos on-line impacta vidas e acende alertas no país.



Fonte: A Tarde

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