Projeto traz protagonismo para jovens no Engenho Velho da Federação

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Gurizada reunida para assistir vídeoclipe |  Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

No coração do Engenho Velho da Federação, um projeto social vem ressignificando a vida de jovens por meio da arte. De forma completamente gratuita, o Centro Cultural Vai Chegar proporciona aulas de música, encontros artísticos, cineclube, dentre outras atividades destinadas para crianças e adolescentes. Na última sexta-feira (12), o centro realizou uma projeção do videoclipe ‘Filho da Mãe’, que contou com a participação da molecada do bairro.

O lançamento é o nono audiovisual produzido pelo projeto e está disponível nas redes sociais. Além da gurizada, quem também marca presença na produção são os cantores Raimundo Sodré, Makkeda e o grupo Sonora Amaralina.

Desenvolver um videoclipe é uma forma de eternizar o trabalho produzido no centro, além de mostrar para as crianças os frutos de seus esforços na música.

“Eu entendi que a cada ano a gente tinha que gravar um clipe para que tivéssemos esse registro para a vida toda. Foi muito interessante, porque a gente cria uma expectativa todo ano de trazer um artista para gravar com a gente”, explicou Tedy Santana, criador do Centro Cultural Vai Chegar, em entrevista ao MASSA!.

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Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

Músico profissional há mais de 30 anos, Tedy é nascido e criado no Engenho Velho da Federação. Há uma década, o artista decidiu levar seu conhecimento para os filhos de seus vizinhos e amigos. Mestre em tocar bateria, o baiano percebeu que precisaria desenvolver uma forma mais viável de conseguir instrumentos musicais para seus futuros alunos. Inspirado no bombo legüero, Tedy desenvolveu o tambor Vai Chegar, que se tornou o primeiro marco de seu então recém criado projeto social.

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Hoje em dia, de terça a sexta-feira, a instituição apresenta para os jovens a possibilidade de existir com a arte. “A possibilidade de conhecer pessoas novas, participar de clipes, a gente sair para visitar museus, conhecer lugares completamente diferentes do nosso cotidiano. Isso é muito importante para as crianças, empodera elas, faz elas desenvolverem um olhar de mundo mais interessante”, completou Tedy.

Em ‘Filho da Mãe’, o Vai Chegar revisita o descobrimento do Brasil e desconstrói algumas narrativas de forma lúdica. Traçando paralelos entre o país e a Bahia, a canção propõe um mergulho na história. “É uma música que conta a história do descobrimento do Brasil, mas a gente aproveita para desconstruir esse lugar ludicamente, ao mesmo tempo que a letra fala das semelhanças entre a Bahia e o Brasil”, acrescentou.

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Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

Pivetes com sorriso no rosto

O público que compareceu na projeção do audiovisual foram as próprias crianças e adolescentes que fazem parte do Vai Chegar. Os gritos e o entusiasmo eram prova mais do que suficiente do quanto os pequenos estavam ansiosos para assistirem o fruto do próprio trabalho.

Participando do programa desde os 7 anos, o jovem Bryan Luiz, 9, admite que a praia apresentada no videoclipe foi o lugar mais divertido que ele já visitou com a equipe do projeto. “Eu apareci na praia e no prédio. Não foi minha primeira vez na praia, mas foi o lugar mais divertido”, afirmou. “A melhor parte do projeto é quando a gente vai para um lugar novo”, completou.

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Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

Desde pequeno, Bryan transformava as coisas de sua casa em seus tambores, além de dançar o tempo inteiro. Quando se inscreveu no Vai Chegar, o garoto conseguiu desenvolver ainda mais sua afinidade com a arte. “Já aprendi várias coisas, como cantoria, estudar e pintar. É uma forma de eu sair mais de casa”, explicou.

Há também alguns talentos que surgem dentro dos muros do projeto. Everton Lima, 14, começou a tocar tambor com as aulas de Tedy e hoje em dia faz parte da fanfarra de sua escola. “Isso daqui é bom para a gente aprender a tocar, é uma arte boa para evoluir. Eu ainda faço parte da fanfarra da minha escola, sei tocar um bocado de coisa. Isso aqui é bom, é legal demais”, revelou.

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Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

A socialização também é um pilar fundamental para as crianças que frequentam as aulas diariamente. Mesmo quando o assunto não agrada, a companhia dos amigos sempre deixa tudo mais divertido. “Aqui foi bom para eu conhecer meus amigos também, eles me ensinaram um monte de coisas”, começou.

“A minha parte favorita é tocar. Como tem dias em que não é para tocar, eu fico meio desanimado, mas com meus amigos do meu lado eu não vou desanimar”, finalizou Everton.

Os moradores estão cheios de gratidão

O clima familiar era nítido para qualquer um que presenciasse a festa na sede do Vai Chegar. Tratando os pequenos como se fossem seus próprios filhos, Tedy se tornou uma figura conhecida no bairro. Quem passava pela frente da projeção, rasgava elogios para o músico e seu trabalho.

“É um trabalho maravilhoso, há muito tempo ele vem entregando muita coisa para gente. É uma pessoa maravilhosa e que traz esse trabalho bacana para tentar salvar nossas crianças da violência e da confusão humana que existe em Salvador”, contou José Carlos, 47, que também foi criado a vida inteira no Engenho Velho da Federação.

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Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

Mesmo não tendo uma criança que participe do Vai Chegar, José reconhece a importância que o programa tem para os pivetes. “Traz um impacto muito grande, até porque isso ocupa as crianças, faz com que elas tirem um momento para vir aqui. Participar de uma coisa dessas livra a criança de estar em outros ambientes”, destacou.

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Foto: CLARA PESSOA/AG. A TARDE

Também formado em música, José Carlos destacou a importância da arte para a garotada de baixa renda. Para ele, o projeto apresenta uma oportunidade de “salvação” para muitos jovens. “Acho que a arte é importante, assim como o esporte é importante, ainda mais para a gente que vem de baixa renda. Aqui salva muita gente, porque aqui você tem contato com muitas outras coisas”, declarou.

Fonte: A Massa

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