Doméstica é resgatada de trabalho após 55 anos sem remuneração

8

Uma operação de resgate em um condomínio de luxo no Ceará revelou um caso chocante de violação de direitos humanos: uma mulher foi encontrada vivendo em condições análogas à escravidão após 55 anos de trabalho sem remuneração.

O caso, que chocou o país, foi identificado pela Auditoria-Fiscal do Trabalho. A vítima, que servia a mesma família desde a infância, encontrava-se em situação de total dependência e privação de liberdade.

Tudo sobre Brasil em primeira mão! Entre no canal do WhatsApp.

Por que o caso é considerado trabalho escravo?

A legislação brasileira classifica o trabalho escravo contemporâneo não apenas por correntes, mas pela restrição à liberdade e violação da dignidade. Neste caso, três pilares foram fundamentais para a caracterização do crime:

  • Trabalho forçado: a ausência de qualquer remuneração ao longo de cinco décadas.
  • Dependência absoluta: a falta de meios próprios de subsistência e isolamento social da vítima.
  • Cativeiro psicológico: a manipulação da condição da vítima sob o pretexto de “fazer parte da família”, ocultando o vínculo empregatício e negando direitos fundamentais.

Créditos trabalhistas

A Auditoria-Fiscal do Trabalho estima que, considerados os salários não pagos, férias, 13º salários, FGTS, verbas rescisórias e horas extras decorrentes da supressão sistemática dos descansos semanais, os créditos trabalhistas ultrapassam R$1,5 milhão.

O vínculo de emprego considerado foi o período iniciado a partir de 21 de julho de 2014, quando a mulher chegou à última residência em que prestou serviços.

O Ministério Público do Trabalho firmou Termo de Ajuste de Conduta (TAC) por meio do qual os empregadores assumiram obrigações destinadas à proteção social da trabalhadora.

Leia Também:

Entre as obrigações, estão

  • A regularização dos recolhimentos previdenciários relativos ao período reconhecido;
  • O pagamento de R$ 50 mil a título de verbas rescisórias, em dez parcelas mensais de R$ 5 mil;
  • A aquisição de um imóvel residencial em favor da trabalhadora no valor mínimo de R$ 150 mil, acrescido de mobiliário e eletrodomésticos essenciais;
  • Além do custeio das contribuições previdenciárias até a obtenção da aposentadoria.

O acordo também prevê complementação financeira de até R$12 mil caso ela complete 64 anos sem acesso ao benefício previdenciário.

O papel da fiscalização

A operação integra um esforço contínuo das autoridades para erradicar o trabalho doméstico escravo no Brasil. Esse tipo de abuso ocorre, frequentemente, em ambientes privados, onde a invisibilidade da vítima dificulta a denúncia.

As autoridades reforçam que, independentemente da convivência, o trabalho doméstico exige registro, salário e respeito aos direitos trabalhistas. O caso segue sob investigação para que os responsáveis respondam criminalmente pelo abuso cometido.

Se você presenciar ou suspeitar de situações semelhantes, denuncie anonimamente através do Disque 100 ou pelo Sistema Ipê, no portal do Ministério do Trabalho e Emprego.



Fonte: A Tarde

Artigos relacionados

Últimas notícias

Família busca transferência de “Nego de Nalvo”, funcionário público internado na UPA de Jacobina após acidente de moto

JACOBINA – O funcionário público da Prefeitura de Jacobina, Antônio Carlos Gomes...

Últimas notícias

Doméstica é resgatada após 55 anos de trabalho sem salário em condomínio de luxo

Uma investigação da Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT) revelou que uma mulher de...

Últimas notícias

Inmet emite alerta amarelo para chuvas em cidades da Bahia; saiba mais

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um alerta de perigo potencial...

Últimas notícias

Descarte de caixões a céu aberto e falta de manutenção em cemitérios públicos geram indignação em Salvador

Fotos: Reprodução / TV Bahia Moradores e familiares de entes sepultados nos...