Muito além do prazer: conheça os produtos mais diferentões de sex shop

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Conheça os produtos ‘inusitados’ do sex shop |  Foto: Ilustrativa/ Freepik

Apesar de ser comum, e até um hábito considerado antigo, comprar produtos em sex shops, lojas especializadas em itens eróticos, ainda é um tema cercado de tabus.

Para se ter uma ideia, o vibrador surgiu em 1880, criado pelo médico britânico Joseph Granville. Na época, o aparelho era utilizado como instrumento médico para tratar diferentes dores. Anos depois, passou a ser comercializado como vibrador elétrico, e foi vendido pela primeira vez em 1956 pela loja de departamentos Sears, nos Estados Unidos.

Mesmo sendo um tema cada vez mais presente, muitas pessoas ainda têm vergonha de adquirir ou falar abertamente sobre esses produtos. Por isso, a coluna Na Cama com o MASSA! foi até a NuCorpo, sex shop que funciona há mais de 20 anos nas proximidades da Estação da Lapa, em Salvador, para entender como funcionam alguns dos brinquedos sexuais mais ‘diferentões’.

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Calcinha com prótese

A proprietária da loja, Aldenise Vieira, mais conhecida como Alda, selecionou alguns dos produtos mais curiosos do estabelecimento. O primeiro deles é uma prótese peniana que imita a textura da pele humana, diferente do tradicional cintaralho.

“A textura da prótese é bem parecida com a pele humana. O testículo é enrugado, lembrando bastante um pênis, tem lubrificação na glande. E o interessante é o formato da calcinha, que também tem uma textura de pele”, explica a proprietária.

“Ela dá conforto para quem vai usar. É importante dizer que essa calcinha pode ser usada tanto por mulheres quanto por homens, inclusive idosos. Uma pessoa que perde um pouco da ereção, por exemplo, utiliza muito esse tipo de cinta”, destaca.

Masturbador masculino (boca, ânus e vagina)

Ainda para o público masculino, existe a prótese masturbadora, disponível nos formatos de boca, vagina e ânus:

“Tem língua, dentes, e aqui ainda tem a vagina e o ânus. Também é feita de um material muito bom, confortável, que lembra bastante a textura da pele”, explica Alda.

Masturbador Masculino

Masturbador Masculino | Foto: Lais Machado

“O interessante é que a pessoa que for usar compre um lubrificante siliconado, porque ele escorrega, desliza e facilita bastante a masturbação”, ressalta.

Vibrador que ‘imita’ sexo oral

Para homens e mulheres, a chamada “boca vibradora” também é uma opção. “Ele é em formato de boca, tem várias formas de vibração. Aqui dentro também há uma textura bem interessante para quando o pênis entrar, e ele é recarregável por USB”, explica.

Vibrador oral em formato de boca

Vibrador oral em formato de boca | Foto: Laís Machado/ Portal Massa!

“A pessoa coloca para carregar e ele funciona por bastante tempo”, afirma. Ela também destaca que o brinquedo é produzido em silicone de grau médico, material apropriado para higienização.

Já para as mulheres, também existe a boca sugadora e vibradora:

“Tem várias formas de vibração, velocidades diferentes. Hoje é o queridinho das mulheres porque também faz sucção”, finaliza.

Plug anal vibrador

Segundo Alda, esse é um dos produtos preferidos dos clientes que frequentam o sex shop, e também apreciam o sexo anal. O modelo metalizado, além da função tradicional, também vibra:

“Esse plug tem várias formas de vibração. O interessante é que ele também vem com controle remoto, então o casal pode fazer uma brincadeirinha”, explica.

Plug anal vibrador

Plug anal vibrador | Foto: Lais Machado

Além dele, há ainda a opção em silicone, considerada mais anatômica do que a versão em alumínio e de higienização mais fácil. No entanto, a proprietária faz um alerta sobre o uso do acessório:

“O recomendável é que a pessoa use o plug apenas para dilatar o canal anal e, depois, retire. Não é para ficar fazendo algumas ‘brincadeirinhas’, porque ele pode acabar entrando e machucar”, orienta.

Cones dilatadores

Os cones dilatadores são dispositivos ergonômicos em formato cônico, vendidos em kits com tamanhos e pesos progressivos.Na fisioterapia pélvica, eles são utilizados para tratar disfunções musculares, desenvolver a consciência corporal e reabilitar a elasticidade do assoalho pélvico.

Cones dilatadores

Cones dilatadores | Foto: Lais Machado

“Tem os cones. A pessoa começa com esse bem pequenininho, mais fino, e depois vai aumentando o tamanho e a espessura até chegar ao cone maior. Isso ajuda a fazer a terapia e alcançar um resultado bem positivo”, destaca Alda.

O benefício é real? Sexóloga explica

É comum que produtos eróticos sejam associados a perversão ou até mesmo promiscuidade, mas, segundo a sexóloga Raquele Carvalho, o uso desses “brinquedos” vai muito além do estereótipo:

“Eles favorecem o autoconhecimento, ajudam a pessoa a compreender melhor o próprio corpo, suas respostas, seus limites e suas preferências. Esse conhecimento permite uma vivência da sexualidade mais consciente, mais segura e mais satisfatória.”

Segundo a especialista, também é importante desfazer outro mito: muitas pessoas imaginam que esses acessórios são destinados apenas a quem está sem uma parceria sexual, e isso não é verdade.

Aspas

Falar sobre prazer é falar sobre saúde. Não existe saúde sexual plena, quando o prazer é tratado como tabu

Sexóloga Raquele Carvalho

Uso para casais, climatério e menopausa

Esses produtos também podem ser utilizados durante a relação sexual, ampliando as possibilidades de prazer e fortalecendo a intimidade do casal. Dependendo do material e do modelo, podem proporcionar uma experiência tátil mais confortável para algumas pessoas.

Em situações como o climatério e a menopausa, por exemplo, quando pode haver ressecamento vaginal ou maior sensibilidade, eles podem contribuir para uma experiência mais confortável, especialmente quando associados ao uso de um lubrificante adequado para esse período.

Outro benefício importante, segundo a sexóloga, é a redução da ansiedade relacionada ao desempenho sexual:

“Muitas pessoas cresceram acreditando que existe uma única forma certa de viver a sexualidade ou de proporcionar prazer. Quando ampliamos esse olhar e entendemos que existem diferentes formas de experimentar o prazer e a intimidade, diminuímos a pressão por desempenho e passamos a viver a sexualidade de forma mais livre, mais tranquila e mais saudável”, explica.

Raquele Carvalho, sexóloga

Raquele Carvalho, sexóloga | Foto: Arquivo pessoal

Em alguns contextos, esses recursos também podem fazer parte de um processo de terapia sexual, sempre que houver indicação e acompanhamento profissional. “Eles não substituem vínculos afetivos, nem resolvem questões emocionais, mas podem ser excelentes aliados na promoção da saúde sexual, da qualidade de vida e do bem-estar”, acrescenta.

Aspas

O prazer é um componente da saúde sexual. Deixemos de olhar para esses produtos com preconceito e passemos a enxergá-los como possibilidade de cuidado e bem-estar

Sexóloga Raquele Carvalho

Cintaralho pode ajudar em casos de disfunção erétil?

O uso do cintaralho pode ser um aliado para pessoas com disfunção erétil ou outras condições que afetam a vida sexual. Segundo Raquele, em algumas situações o acessório pode ser um importante aliado, principalmente para pessoas que apresentam disfunção erétil ou outras condições que dificultam a penetração:

“Ele pode ampliar as possibilidades da vida sexual e permitir que o casal continue vivendo a intimidade de forma satisfatória.”

A sexóloga pontua que a disfunção erétil pode ter diferentes causas — fatores emocionais, como ansiedade e estresse, mas também doenças como diabetes, hipertensão, problemas cardiovasculares, alterações hormonais ou efeitos de alguns tratamentos médicos.

“Nesses casos, o cintaralho não trata a causa da disfunção, mas pode ser um recurso para que a vida sexual não fique suspensa enquanto a pessoa busca acompanhamento e tratamento adequados”, diz.

A sexóloga também esclarece que o benefício do acessório não está em reproduzir a sensação de uma ereção, essa não é a proposta, “o que ele faz é ampliar as possibilidades de experiência sexual.”

Existe vício em masturbação ou uso de vibrador?

Existe a ideia de que o uso frequente de vibradores, tanto masculinos quanto femininos, ou a masturbação em excesso podem dificultar o prazer durante a relação sexual.

De acordo com Raquele, é uma das dúvidas mais frequentes que chega aos atendimentos e às rodas de conversa sobre sexualidade:

“Da forma como essa afirmação costuma ser feita, ela é um mito. Não existem evidências científicas de que o uso de vibradores ou a masturbação, por si só, prejudiquem a resposta sexual ou impeçam uma pessoa de sentir prazer durante a relação com uma parceria”, afirma.

O que pode acontecer, em alguns casos, é um condicionamento ao tipo de estímulo. Por exemplo: quando a pessoa utiliza sempre a mesma intensidade de vibração, a mesma velocidade ou exatamente a mesma forma de estimulação por muito tempo, o corpo pode se habituar àquele padrão específico.

“Mas isso não representa perda de sensibilidade, nem prejuízo permanente. É uma adaptação que pode ser modificada com relativa facilidade, variando os estímulos e diversificando as formas de vivenciar a sexualidade”, finaliza.

Aspas

Quando esses recursos são utilizados de forma consciente, eles tendem a ser aliados do bem-estar — e não obstáculos para uma vida sexual satisfatória

Sexóloga Raquele Carvalho

Fonte: A Massa

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