Projeto do IBS leva educação financeira para alunos de escolas públicas da Bahia
Em meio aos índices que colocaram as famílias brasileiras no maior nível de endividamento da história da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) em 2026, o projeto “Jogar e Aprender” nada contra a corrente e promove o ensino de educação financeira de forma lúdica para crianças e adolescentes das escolas públicas da Bahia, preparando uma geração para administrar o dinheiro de forma responsável. Outros estados do Brasil e mais oito países da América Latina também são contemplados.
A iniciativa foi criada há mais de 25 anos pelo Instituto Brasil Solidário (IBS), uma organização sem fins lucrativos que atua com a criação e distribuição de jogos que abordam temas como educação financeira, cidadania, saúde, meio ambiente e leitura, além da capacitação de educadores para aplicar o programa nas unidades de ensino, através de uma plataforma virtual e visitas presenciais de uma equipe.
O desafio da geração das telas, crédito fácil e jogos de azar
Ensinar educação financeira para o público infantojuvenil já era uma missão difícil há algumas décadas. Porém, com os avanços tecnológicos, alta exposição às telas e redes sociais, acesso a cartões de crédito e transferências bancárias cada vez mais cedo e a popularização de jogos de azar, a tarefa é ainda mais complexa.
Para Luís Salvatore, presidente do Instituto Brasil Solidário, o ideal é investir em estratégias atrativas desde a primeira infância para passar o conhecimento adequado de uma forma divertida e compatível à idade.
“A educação financeira sendo trabalhada de forma lúdica, ela pode trazer para esses jovens uma consciência sobre antes de agir, pensar sobre. E é justamente esse propósito do Jogar e Aprender, ter essa formação de professores para temas tão importantes, que é educação financeira, sustentabilidade, planejamento, de poupança, de projetos de vida, de empreendedorismo e principalmente da realização de sonhos e sobre como eles podem ser feitos”, disse o presidente do IBS ao MASSA!.
Luís Salvatore, presidente do Instituto Brasil Solidário,
Hoje o adolescente nasce digital, porém se ele tem acesso a materiais pedagógicos atrativos, ele sai do digital
Luís Salvatore também pontuou a diferença entre os jogos de tabuleiro e cartas, que fazem parte do projeto, para as plataformas de aposta: “O ambiente físico envolve uma questão com a psicologia, onde você tem uma reação pensada, já em ambiente digital, você muitas vezes tem apenas a reação instintiva e não planejada. Essa é a grande diferença de trabalhar jogos nesse ambiente, são jogos que reúnem pessoas”.
Saúde e formação de crianças e adolescentes também é afetada
O segundo seminário do projeto “Jogar e Aprender” aconteceu na tarde desta sexta-feira (17), no Fiesta Bahia Hotel, em Salvador, e reuniu dezenas de profissionais da educação de todo o país para falar sobre a importância e implementação do programa para a rede de ensino pública do Brasil.
O conselheiro Edmundo Ribeiro Kroger, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), marcou presença no evento e fez um alerta sobre os impactos negativos da exposição a telas em excesso para a saúde nessa faixa etária.
Edmundo Ribeiro Kroger, conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda)
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“Nós estamos vivendo um momento em que a criança e o adolescente no Brasil e no mundo estão sendo chamados para ficar nas telas e a ciência já comprovou que o excesso de telas para crianças e adolescentes é extremamente prejudicial, inclusive na formação do cérebro, no desenvolvimento cerebral, então consequentemente prejudica o desenvolvimento físico”, pontuou.
Edmundo Ribeiro Kroger elogiou a proposta do IBS e ressaltou os benefícios dos jogos lúdicos: “O jogar é um processo de aprendizagem e é um processo de participação, então isso estimula todos os neurônios, estimula processos físicos, então o Jogar e Aprender é um processo importante para a formação e desenvolvimento do cérebro como um todo”.
Participação ativa na Bahia
O projeto Jogar e Aprender tem participação ativa em escolas públicas de 37 municípios da Bahia, além de ter iniciado tratativas para alcançar mais duas cidades no estado. Ao longo dos anos, a implementação dos materiais do IBS trouxe resultados favoráveis.
Antônia Geni Alves Batista, diretora de gestão escolar e monitoramento da Secretaria de Educação de Lauro de Freitas, conversou com o MASSA! sobre os frutos que a rede de ensino do município colhe com os jogos de educação financeira.
Antônia Geni Alves Batista, diretora de gestão escolar e monitoramento da Secretaria de Educação de Lauro de Freitas
“Nós estamos com a IBS na rede municipal em Lauro de Freitas já há alguns anos e nós percebemos desde a educação infantil, anos iniciais e anos finais, o quanto que os jogos e o trabalho com a literatura que a IBS propõe, porque vai muito além da educação financeira, ajudam. As nossas crianças quando se encontram com esses jogos aprendem desde cedo a ter uma maturidade para o uso de recursos, para o uso de dinheiro e para mudar o seus hábitos de comportamento, como respeito e coletividade”, disse ela.
Para a diretora de gestão escolar e monitoramento, o caminho para mudar o cenário de endividamento e imprudência financeira dos brasileiros é investir na educação desde a infância.
“É esse brincar que vai deixar marcas de aprendizagem que vão refletir na nossa sociedade e vão vencer esse câncer que temos no Brasil, porque é um país de endividados. Então a gente tenta também combater essa questão tão séria do nosso país”, declarou.
Próximos passos
A próxima parada do Jogar e Aprender será no dia 20 de julho, na Escola Municipal Enock Amaral, em Lauro de Freitas, com duas oficinas de educação financeira gratuitas para alunos do 4º e 5º ano.
Em 2026, a previsão é de atender 150 mil estudantes em cerca de 500 escolas baianas, além da formação de mil educadores e distribuição dos jogos pedagógicos.