Morte de criança na BA completa um mês na próxima semana; família cobra justiça

7

Na próxima terça-feira, 15, completa um mês que o pequeno Callvin Marques Conceição, de apenas 4 anos, morreu após ser atropelado na porta de casa, no povoado Olhos d’Água, zona rural de Itanagra, no litoral norte da Bahia.

A prima de Callvin, a atendente de padaria Daiane Marques dos Santos, 23, revelou que, desde então, a família busca por justiça.

Tudo sobre Polícia em primeira mão! Entre no canal do WhatsApp.

Ainda abalada com a situação, a jovem contou que o garotinho foi atingido por um veículo que trafegava pela via em alta velocidade, que derrapou e passou para a pista contrária. O caso aconteceu, por volta das 17h30, do dia 15 de agosto, às margens da BA-504.

Na ocasião, a criança brincava com uma prima, de 12, e com a irmã, uma bebê, de 1 ano e um mês. As meninas não foram atingidas pelo veículo, mas a garotinha menor teve uma fratura no crânio depois de cair dos braços da adolescente.

Callvin brincava com uma prima e a irmãzinha
Callvin brincava com uma prima e a irmãzinha – Foto: Arquivo pessoal

“Foi constatada fratura [na cabeça da bebê]. No dia do fato, não tinha sido percebido isso, mas ela começou a evoluir com febre e, quando foi para o médico identificou essa lesão”, explicou o advogado da família, Bruno Alexandro Santos.

O exame de tomografia realizado na bebê, em 19 de agosto, apontou “hematoma subgaleal na região parietal direita e um extenso traço de fratura no osso parietal direito”.

Veículo rodou na pista, atravessou a rua e atingiu Callvin
Veículo rodou na pista, atravessou a rua e atingiu Callvin – Foto: Arquivo pessoal

Segundo afirmou o advogado, o carro, um Chevrolet Cruze preto, placa policial FZD0B64, com registro de Cachoeira Paulista, São Paulo, era conduzido pelo engenheiro civil Yan Santana Araújo, 28.

Sem resposta

Daiane confessa que além do sofrimento de ter perdido um ente querido, a família também tem de conviver com a falta de resposta por parte da polícia e da Justiça. De acordo com ela, passados quase 30 dias, o responsável pela morte de Callvin continua solto.

“Até então, o causador do acidente não teve nenhuma punição, está vivendo em liberdade”, afirma a familiar.

Ainda segundo Daiane, antes da morte do primo, a comunidade já vinha reivindicando à Prefeitura de Itanagra a implantação de quebra-molas e de estruturas de segurança ao longo da rodovia.

Família aguarda por resposta
Família aguarda por resposta – Foto: Arquivo pessoal

“Desde quando foi asfaltada, a gente ia diretamente à prefeitura e pedia [proteção e sinalização na via]. Já teve vários casos de carro invadindo as residências em alta velocidade, perdendo o controle, tudo isso. Já invadiu a minha residência também. Todo mundo fez pouco caso”, lamenta.

“O que a gente quer lá na comunidade, além de justiça por Callvin, é que as autoridades maiores nos dê quebra-molas ou qualquer outra estrutura de segurança”, complementa a jovem, revelando que a comunidade já existia há mais 30 anos quando a estrada foi aberta dentro do povoado.

A familiar afirmou que os moradores chegaram a organizar um abaixo-assinado com aproximadamente 150 assinaturas e buscaram apoio de deputados para tentar pressionar os órgãos responsáveis.

Abaixo-assinado
Abaixo-assinado – Foto: Arquivo pessoal

“A gente entrou em contato com os deputados, ele assinou a carta abaixo-assinado, mas não tivemos retorno de nada. A gente fez protesto, mas também não teve resposta, fizeram pouco caso do mesmo jeito”, reafirma Daiane.

Investigação ainda aguarda laudos

O advogado Bruno Alexandro informou que testemunhas já foram ouvidas, incluindo os pais da vítima e outras pessoas que presenciaram o acidente. Segundo ele, ainda falta ouvir a adolescente que estava com Callvin e a bebê.

A defesa também aguarda os resultados de exames e perícias que podem ajudar a esclarecer as circunstâncias do atropelamento. “Estamos aguardando os laudos periciais também sair, que é o laudo da alcoolemia, que foi feito sanguíneo do condutor do veículo”, explica o defensor.

Também está pendente, de acordo com o advogado, o laudo de análise do acidente, que deverá avaliar a trajetória do automóvel e outros elementos, inclusive a velocidade desenvolvida pelo veículo. “Vai ser periciado para saber como foi a trajetória, se em alta velocidade que ele estava e etc.”, afirma.

Versões após o atropelamento

Conforme relatos da família, após o atropelamento, o motorista fugiu do local sem prestar assistência às crianças. Já o prefeito de Itanagra, Marcos Sarmento, disse ter recebido informações de que o condutor permaneceu no local e prestou socorro.

“O que chegou para mim é que o condutor parou, prestou socorro e continuou no local. A polícia foi acionada, o SAMU [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] também. A polícia, segundo relatos, acolheu o condutor para não haver linchamento”, declara o prefeito.

Rodovia onde Callvin foi atropelado
Rodovia onde Callvin foi atropelado – Foto: Arquivo pessoal

Marcos Sarmento ressaltou, entretanto, que não presenciou o acidente. “Repito, eu não estava no local, não sei se isso condiz com a verdade”, pondera.

O prefeito também disse não ter tido acesso à perícia e, por isso, não se considera em condições de apontar eventual responsabilidade do motorista.

“Eu não tenho informações sobre culpabilidade do condutor, porque a perícia foi feita e eu não tive acesso à perícia”, declara. De acordo com o advogado da família, embora não seja baiano, Yan reside em Alagoinhas.

Os familiares relatam que o homem teria dito que tentou desviar de um cachorro na pista antes de perder o controle do veículo. Eles levantaram a suspeita de que o engenheiro estaria sob efeito de álcool.

Essa informação, porém, não foi confirmada oficialmente, e o resultado do exame de alcoolemia ainda é aguardado, segundo o advogado.

O A TARDE tentou contato com o engenheiro Yan por meio de mensagens e ligações, mas, até a publicação dessa matéria, não havia tido retorno.

Município não pode instalar quebra-molas

Diante da principal reivindicação da comunidade, o A TARDE questionou ao prefeito Marcos Sarmento sobre a possiblidade da instalação de quebra-molas, mas ele afirmou a que a medida não pode ser tomada unilateralmente pela Prefeitura.

Conforme Sarmento, o trecho é de responsabilidade estadual e a instalação de um redutor de velocidade sem autorização poderia, na avaliação dele, criar outro risco.

“Colocar quebra-molas ali é um risco muito grande porque é uma estrada de alta velocidade e vem depois de uma curva. Se eu, por conta própria, colocar e causar um acidente por causa do quebra-molas, eu seria o culpado”, avalia.

O prefeito disse ainda que havia encaminhado ofícios ao governo estadual solicitando providências e que as respostas recebidas indicaram também um problema relacionado à ocupação da área.

“Foram feitos alguns ofícios para o governo do estado, a gente solicitou isso. Esses ofícios foram respondidos e causou essa intenção de retirada dos moradores dali, porque eles construíram praticamente dentro da pista”, aponta o gestor.

“Acredito eu que quem fez o projeto daquela pista tenha tomado cuidado de indenizar, de tirar aquele povoado dali. Mas são pobres, coitados, não têm para onde ir”, considera.

Prefeitura promete 24 placas e tenta instalar gradil

Enquanto a discussão sobre o redutor de velocidade permanece, o prefeito afirma que a Prefeitura decidiu adotar medidas que estão ao seu alcance.

“O que eu, prefeito, posso fazer é tentar melhorar a qualidade de vida deles. É a colocação da placa. Eu vou tentar colocar um gradil”, disse.

De acordo com Sarmento, 24 placas de sinalização já estão confeccionadas e seriam instaladas no sábado, 12, com a ajuda do pai de Callvin.

“As sinalizações já estão prontas. A pedido do pai da criança, ainda não foram colocadas, porque ele pediu para fazer parte. Acho que é uma forma de honrar o filho”, avalia o prefeito. No entanto, de acordo com Daiane, a instalação não ocorreu.

Sobre o gradil, Sarmento explicou que a Prefeitura depende de autorização por se tratar de uma via estadual.

“O gradil não é um orçamento, é uma liberação, porque, sendo via estadual, o governo do estado é quem autoriza”, declara.

Além das medidas emergenciais, o prefeito afirma que está tentando convencer os moradores a deixarem as margens da rodovia. Segundo ele, houve uma tentativa de retirada das famílias no ano passado, mas eles não aceitaram deixar a área.

“No ano passado houve uma ação do governo para retirada deles dali. Eles seriam remanejados para outra área da cidade. Eles não aceitaram”, revela.

Com relação essa possibilidade, Daiane disse que a medida era de fato emergencial, que as famílias seriam remanejadas sem nenhum garantia futura.

“Ele [prefeito] disse que ia colocar a gente no Minha Casa, Minha Vida, mas ainda não está pronto. Ele falou também que poderia colocar a gente em uma casa de aluguel, mas íamos largar a nossa propriedade que a gente construiu com nosso suor para ir para uma casa de aluguel. Mas, hoje, amanhã, ele sai do poder dele, a gente ia viver como? Voltar para lá e continuar como se nada tivesse acontecido?”, questiona Daiane.

Leia Também:

Órgãos responsáveis

O A TARDE tentou contato com a Superintendência de Infraestrutura de Transportes da Bahia (SIT), órgão vinculado à Secretaria de Infraestrutura da Bahia (SEINFRA), para saber se havia algum processo em andamento para a instalação de quebra-molas e gradil ao longo da BA, no entanto, não conseguiu.

A Polícia Civil também foi contatada pela reportagem para informar como anda a investigação sobre o atropelamento que resultou na morte de Callvin e a possível lesão corporal contra a irmã do garoto. Mas, não obteve retorno.



Fonte: A Tarde

Artigos relacionados

Últimas notícias

Prefeita Valdice Castro no Desfile Cívico 7 de Setembro em Jacobina

Na manhã desta segunda-feira, 7 de setembro de 2026, a prefeita Valdice...

Últimas notícias

André Mendonça determina soltura de suspeitos de desvios no INSS

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira,...

Últimas notícias

saiba como produzir sua foto com IA – Calila Noticias

Nos últimos dias, as redes sociais, como Instagram e TikTok, foram tomadas...