A saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota nas eleições presidenciais de 2026 pode marcar o enfraquecimento definitivo do movimento político liderado por sua família. Essa é a avaliação apresentada pelo jornalista Renato Rovai em artigo publicado na Revista Fórum nesta quarta-feira (28).
No texto, intitulado “A fuga de Flávio decreta o fim do bolsonarismo no Brasil”, Rovai argumenta que a saída do senador para os Estados Unidos representa um golpe na estrutura política do grupo. Para o jornalista, o movimento bolsonarista perde força ao ver seus principais integrantes fora do país ou envolvidos em problemas judiciais.
Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27), acompanhado da esposa e das duas filhas, e seguiu para os Estados Unidos após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A viagem ocorreu depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega dos passaportes do senador à Polícia Federal.
O episódio ganhou repercussão porque Flávio havia declarado anteriormente que não pretendia deixar o país. A saída também provocou questionamentos sobre seu futuro político e sobre a capacidade de continuar liderando a oposição brasileira à distância.
Família Bolsonaro enfrenta crise política
Na análise, Rovai destaca que a situação de Flávio se soma à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e aos problemas judiciais enfrentados por Jair Bolsonaro. Na avaliação do jornalista, a concentração de lideranças da família fora do Brasil dificulta a manutenção do controle político sobre o movimento.
O artigo também aponta Michelle Bolsonaro como uma possível herdeira do capital eleitoral do ex-presidente. No entanto, Rovai avalia que ela enfrentaria dificuldades para manter a unidade do grupo e ocupar o espaço deixado pelos demais integrantes da família.
Outro ponto abordado é a possibilidade de enfraquecimento do PL. Parlamentares eleitos pela legenda poderiam buscar outras alianças políticas, aproximando-se do governo Lula ou de setores da direita que desejam se distanciar do bolsonarismo.
Direita pode buscar novos líderes
O cenário também abre espaço para nomes que pretendem construir uma alternativa política sem depender diretamente da família Bolsonaro. Entre eles está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, frequentemente apontado como uma liderança capaz de disputar o protagonismo da direita nos próximos anos.
Para Rovai, a saída de Flávio representa mais do que um episódio individual: seria um sinal de que o movimento pode perder a força que acumulou ao longo dos últimos anos. A avaliação, porém, é uma interpretação política do jornalista, e não uma confirmação de que o bolsonarismo chegou ao fim.
A crise ocorre em um momento decisivo para a oposição, que precisa reorganizar suas estratégias após a derrota eleitoral. Os próximos movimentos dos integrantes da família Bolsonaro e dos partidos aliados devem indicar se o grupo conseguirá preservar sua influência ou se haverá uma mudança na liderança da direita brasileira.
Com informações da Revista Fórum