A associação entre urnas brasileiras e a empresa venezuelana Smartmatic – já desmentida pela Justiça Eleitoral – volta agora na boca de Flávio Bolsonaro.
O gesto aproxima o pré-candidato do destino de seu pai condenado, ao revisitar a cena do discurso a diplomatas estrangeiros.
Vestiu o senador a falsa mortalha da transparência, recorrendo à retórica do ex-presidente: insinuações sem prova, suspeitas sem base, alarmismo irresponsável.
A mentira, mesmo repetida, não se torna verdade; apenas revela o desespero de quem a profere. Neste contexto se pode encaixar o herdeiro.
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O relatório da CIA citado por Flávio não estabelece qualquer relação com o sistema brasileiro. Ainda assim, o pré-candidato insiste, não para esclarecer. Seu objetivo é confundir, pois alimenta a utopia de destruir as instituições. Não visa fortalecer a democracia – pretende corroê-la por dentro.
A Justiça Eleitoral já afirmou, de forma categórica: a Smartmatic jamais forneceu urnas ou softwares ao país. Eis que o “moderado” envia o nude obsceno de radical. A moderação não se sustenta quando se mente ao dialogar com o mundo, implicando revelar o desespero do tolo.
Ao repetir o enredo rejeitado pelos fatos, Flávio Bolsonaro não apenas rebaixa o debate público: expõe a incapacidade de oferecer ao país qualquer futuro. Quando nada se tem a dizer, o silêncio pode vir a ser escolha menos danosa, enquanto a mentira deslavada leva a admitir hipóteses de patologia ou crime.
Soa absurda a abjeta e desgastante manobra. Pode-se lembrar de Pinóquio, o boneco falante cujo nariz crescia a cada erro, exceto pela malícia da insistência, vacilo epistemológico de Flávio.
Quando um pré-candidato decide repetir mentira já desmentida inúmeras vezes, não está apenas atacando instituições: está confessando a má intenção.