A passagem dos 16 anos do assassinato de Paulo Colombiano e Catarina Galindo voltou a reunir familiares, amigos e representantes de movimentos sindicais em Salvador. Na manhã desta segunda-feira, 29, o grupo realizou uma manifestação em frente ao Fórum Ruy Barbosa, para cobrar agilidade no processo que ainda não levou os acusados ao Tribunal do Júri.
O crime aconteceu em 29 de junho de 2010 e, desde então, tornou-se um dos casos de maior repercussão envolvendo o movimento sindical baiano. Paulo Colombiano exercia o cargo de tesoureiro do Sindicato dos Rodoviários da Bahia e, segundo as investigações, havia identificado um suposto esquema de irregularidades na gestão do plano de saúde da categoria pouco antes de ser morto ao lado da esposa.

Naquela noite, o casal chegava à residência, no bairro de Brotas, quando foi surpreendido por homens armados. O carro onde eles estavam foi atingido por diversos disparos e ambos morreram no local.
A Polícia Civil concluiu o inquérito apontando cinco envolvidos no crime. Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), os empresários Claudemiro César Ferreira Santana e Cássio Antônio Santana são acusados de encomendar o duplo homicídio, enquanto Edilson Duarte de Araújo, Adailton de Jesus e Wagner Luiz Lopes foram denunciados como executores. Apesar de terem sido presos durante as investigações, todos respondem ao processo em liberdade.
Irregularidades motivaram investigação
De acordo com os autos, Paulo Colombiano passou a questionar a execução do contrato firmado entre o sindicato e a empresa responsável pelo plano de saúde dos rodoviários.
Entre as inconsistências identificadas por ele estavam repasses que ultrapassavam R$ 106 milhões à empresa, incluindo cerca de R$ 35 milhões destinados apenas ao pagamento de taxas administrativas. O então tesoureiro também encontrou pendências financeiras envolvendo INSS, FGTS e Receita Federal, além de outras despesas atribuídas à administração da entidade.
Para a acusação, a descoberta dessas irregularidades foi o motivo que levou ao assassinato do casal.
Família critica demora da Justiça
Durante a mobilização realizada nesta segunda-feira, o irmão de Catarina Galindo, Geraldo Galindo, afirmou que, mesmo após 16 anos, o sentimento predominante continua sendo o de indignação.
“Hoje completam 16 anos do crime, 16 anos de impunidade. Recapitulando: a Polícia baiana fez uma investigação e apontou os criminosos, os mandantes e os executores. O processo foi para a Justiça, ficou na Bahia por um longo período, houve a pronúncia da primeira instância na Bahia, responsabilizando os acusados pelo crime, e, nesse momento, o processo está na última instância, no STF”.
Leia Também:
“Depois desse longo período, chegamos à última instância, que é o STF. O ministro responsável pelo caso é Nunes Marques. Agora, vamos aguardar a decisão que ele vai tomar sobre o processo.”
Geraldo também relembrou um dos momentos mais marcantes da manifestação, protagonizado pelo filho de Catarina.
“Hoje, o filho de Catarina, que é minha irmã, fez um depoimento na atividade, e foi emocionante. Ele foi com a camisa da Seleção Brasileira que ela usava. Olha só que coisa. Ele contou que eles se reuniam de quatro em quatro anos na casa deles para assistir aos jogos da Seleção Brasileira. Então, fica aquele sentimento de sempre, de indignação por conta da lentidão do processo, algo inaceitável.”
“Esses indivíduos já deveriam ter ido a júri popular há muito tempo. Não há justificativa para esse processo demorar tanto, mas são as questões jurídicas promovidas pelos advogados, com a complacência do Judiciário. Então, é esse sentimento de revolta, de saber que os caras que cometeram um crime tão bárbaro, por um motivo tão fútil, continuam vivendo na alegria e na impunidade.”
Enquanto aguardam a decisão da justiça, familiares defendem que a mobilização continue para impedir que o caso caia no esquecimento e reforçam a cobrança para que os acusados sejam levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.