Desfile escolar resgata história da origem de Itabuna

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A história de Ferradas, vilarejo associado ao início da ocupação territorial de Itabuna, será tema de um desfile cívico nesta quarta-feira, 14. A atividade marca os 211 anos de Ferradas, considerando 1815 como referência histórica para o início desse processo, e reúne estudantes de escolas municipais relembrando diferentes períodos da formação da localidade, situada na zona oeste de Itabuna, no sul da Bahia.

O desfile terá saída na Rua Bandeirantes, com passagem pelas principais vias do bairro e encerramento na Praça Frei Ludovico de Livorno, em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Ferradas. A programação está organizada em 11 estações temáticas, que abordam desde a chegada do frei Ludovico de Livorno, no século XIX, e o aldeamento dos povos originários até as transformações sociais e econômicas da região.

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O percurso histórico também inclui a formação do vilarejo, os caminhos percorridos por tropeiros – condutores de tropas de animais – em direção ao sudoeste baiano, a expansão da cultura cacaueira, as relações de trabalho e a constituição dos territórios. A trajetória de Ferradas será relacionada ainda à obra literária de Jorge Amado, além de abordar a realidade atual do bairro e perspectivas para o futuro.

Mais de 500 alunos das escolas municipais Ana Francisca Messias, Brasília Baraúna de Almeida e Lourival Oliveira Soares participarão da atividade, acompanhados por professores e coordenadores pedagógicos. A organização é conduzida pelas diretoras Thaís Amorim Silva, Marbele Alves e Gidevalda dos Santos Cardoso.

Segundo a diretora Gidevalda Cardoso, a iniciativa busca fortalecer os vínculos dos estudantes com o lugar onde vivem e ampliar o conhecimento sobre a história local. “Por isso, o desfile procura reconstituir a história, destacar personalidades e os povos originários que são fundamentais para que as pessoas conheçam um pouco do lugar”, afirma.

Programação destaca o legado do escritor Jorge Amado e a formação da sociedade cacaueira no sul da Bahia
Programação destaca o legado do escritor Jorge Amado e a formação da sociedade cacaueira no sul da Bahia – Foto: Divulgação | Prefeitura de Itabuna

Pesquisas resgatam a história de Ferradas

A história do vilarejo é tema de pesquisas acadêmicas e publicações que investigam a ocupação do território e a presença dos povos indígenas no sul da Bahia. Entre os trabalhos citados está o livro Ordem Imperial e aldeamento indígena: camacãs, guerens e pataxós do sul da Bahia, da pesquisadora Ayalla Oliveira Silva, publicado pela Editus, editora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc).

Outra obra dedicada à localidade é Ferradas: um capítulo na História do Brasil, do escritor Gustavo Fernando Velôso Menezes, natural de Ferradas. As publicações contribuem para o registro de processos históricos relacionados à formação do vilarejo e às populações que participaram de sua trajetória.

Além dos acontecimentos históricos, o desfile homenageará moradores e personalidades ligados à cultura, ao esporte, à saúde e à educação. Entre os nomes mencionados estão os futebolistas Gerson Sodré e Osvaldo Ribeiro, o técnico de futebol Evandro Guimarães, o poeta, jornalista e cronista Telmo Padilha e o médico Manoel Rodrigues, fundador do posto de saúde local.

Também serão lembrados Geórgia Andrade, Vanda Veloso, Gilvan Aquino, Eliesio Diger, Aribaldo Rodrigues, Carlos, conhecido como Senhor Carlos, e o escritor Gustavo Veloso, além das professoras Heden Lúcia, Satira Veloso, Adriana Neves e Licia Cardoso. O vereador Silas Santos Araújo, conhecido como Silas da Saúde, também está entre os homenageados.

Ferradas na trajetória de Jorge Amado

Nascido em 1912, na Fazenda Auricídia, localizada no distrito de Ferradas, o escritor itabunense Jorge Amado é um dos destaques da programação. Tendo transformado aspectos da sociedade, da economia cacaueira e das relações sociais do sul da Bahia em matéria literária. Em obras como Cacau, Terras do Sem Fim e Gabriela, Cravo e Canela, retratou conflitos, costumes e mudanças ligados à região. Sua produção alcançou reconhecimento internacional e contribuiu para projetar a história e a cultura sul-baianas para leitores de diferentes países.



Fonte: A Tarde

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