O atual surto de Ebola na República Democrática do Congo tem despertado preocupação internacional devido à gravidade da doença e ao temor de uma possível disseminação para outros países. O medo de uma nova pandemia mundial surge após o registro de centenas de casos e dezenas de mortes, já se tornando um dos piores surtos da doença já registrado.
Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos não descartam que o momento possa superar outros surtos históricos se a saúde pública atuar rapidamente. No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) garante que o risco para a comunidade global é baixo, portanto, dificilmente a situação evolua para uma pandemia mundial.
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Entenda o novo surto
O novo surto de Ebola foi declarado uma emergência de saúde pública de interesse internacional pela OMS em 17 de maio. No entanto, autoridades de saúde acreditam que a doença já estava se espalhando desde fevereiro.
Na época, um corpo foi retirado do necrotério local e o caixão foi queimado e em duas semanas, dezenas de pessoas morreram na cidade. Inicialmente, foi cogitada uma tuberculose, até porque os primeiros resultados para Ebola deram negativo, mas o caso ocorreu porque a cepa investigada era a errada. Achavam se tratar da Zaire, mais comum, e não a cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atual.
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Contágio do Ebola
O Ebola não é muito contagioso, diferente da Codvid-19. No entanto, é uma doença infecciosa e uma pessoa precisa estar com uma grande quantidade de vírus acumulada no corpo, antes de conseguir transmitir.
Atingindo esse estágio, cerca de uma semana após a infecção, basta uma pequena quantidade de fluido corporal para potencialmente causar infecção em outra pessoa.
No surto atual, a maioria dos pacientes são mulheres entre 20 e 39 anos. Além disso, profissionais de saúde, familiares e cuidadores estão mais suscetíveis. Para prevenir o contágio, é necessário o uso de máscaras e luvas, mas como a República Democrática do Congo dispõe de recursos limitados, nem sempre é possível a utilização.
Surto de Ebola pode ser um dos maiores da história
Em um único dia, os casos de ebola na República Democrática do Congo aumentaram em 71 e outras 21 mortes foram registradas, enquanto profissionais de saúde ampliaram os testes na cidade mineradora onde se acredita que o surto tenha começado, indicando uma epidemia que pode ser muito maior do que se pensava anteriormente.
Segundo um relatório divulgado na sexta-feira, 5, pelo Instituto Nacional de Saúde Pública do Congo, as infecções elevaram o número de casos confirmados em laboratório para 452 e o de mortes entre pacientes confirmados para 82.
Pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos alertaram que o surto de ebola em Bundibugyo pode se tornar uma das maiores epidemias de ebola já registradas, caso as medidas de controle não sejam aceleradas.
Exame descarta ebola em paciente internado em estado grave no Brasil
O Instituto Adolfo Lutz informou, no dia 1º de junho, que não identificou material genético do vírus ebola na amostra analisada de um paciente que estava sob suspeita da doença em São Paulo. O homem, de 37 anos, segue internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
De acordo com a Secretaria Estadual da Saúde, o estado de saúde do paciente é considerado grave. Apesar da suspeita inicial de ebola, exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz descartaram a infecção pelo vírus.
O instituto já havia confirmado resultado positivo para Neisseria meningitidis, bactéria responsável pela meningite meningocócica.
O paciente é natural da República Democrática do Congo, país que registra áreas com transmissão de ebola, e havia retornado recentemente de uma viagem ao território africano, o que motivou a investigação da doença.