O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta terça-feira (18) que pretende utilizar eleitoralmente a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua campanha à Presidência da República, respeitando os limites estabelecidos pela legislação eleitoral. Em prisão domiciliar, Bolsonaro não participa presencialmente das atividades de campanha do filho.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, Flávio afirmou que aguarda uma avaliação de sua equipe jurídica para definir até onde poderá associar sua candidatura à imagem do pai. “O jurídico ainda vai me dar o limite. Vou usar o limite do que a legislação permitir”, declarou.
A estratégia já inclui o uso de inteligência artificial. Durante a convenção que confirmou Flávio como candidato do PL, o partido exibiu um vídeo com uma reprodução digital da imagem e da voz de Jair Bolsonaro. Na gravação, o ex-presidente aparecia manifestando apoio à candidatura do filho.
O uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral ocorre em meio às discussões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre regras para conteúdos produzidos ou modificados por ferramentas digitais. A Corte deve analisar critérios para utilização dessas tecnologias, além de possíveis restrições e punições para casos considerados irregulares.
A defesa de Flávio Bolsonaro sustenta uma interpretação mais ampla das normas relacionadas ao uso de inteligência artificial em campanhas. Os advogados argumentam que a utilização da tecnologia não dependeria necessariamente do consentimento da pessoa retratada e defendem que eventuais punições levem em consideração principalmente a existência de conteúdo falso ou com potencial para induzir o eleitor ao erro.
Enquanto busca explorar a imagem do pai na campanha, Flávio também tenta recompor a relação política com Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama havia afirmado que foi “humilhada” pelo enteado durante a pré-campanha. Após a declaração, o senador pediu desculpas publicamente.
Desde então, Michelle voltou a declarar apoio à candidatura de Flávio e participou de gravações para o programa eleitoral. No domingo (16), durante um ato em Ceilândia, no Distrito Federal, ela pediu votos para o senador.
Michelle, no entanto, afirmou que não pretende percorrer o país durante a campanha. Segundo ela, a decisão está relacionada à necessidade de permanecer próxima de Jair Bolsonaro enquanto o ex-presidente estiver cumprindo prisão domiciliar.
A estratégia de Flávio, portanto, combina a utilização da imagem do pai, inclusive por meio de recursos digitais, com a participação de Michelle em atividades de campanha, enquanto Jair Bolsonaro permanece impedido de participar presencialmente dos eventos eleitorais.
Com informações do Portal Chico Sabe Tudo