Comerciários de Salvador realizam, nesta sexta-feira, 28, uma manifestação contra as demissões promovidas pela Casas Bahia durante o processo de reestruturação da empresa. O ato está marcado para as 8h30, em frente à unidade da varejista no bairro de Cajazeiras, na capital baiana.
A mobilização é organizada pelo Sindicato dos Comerciários de Salvador, que pretende chamar a atenção para a situação dos trabalhadores afetados pelo fechamento de lojas da rede e pelos desligamentos registrados nas últimas semanas.
Segundo o sindicato, a empresa fechou quase 300 unidades em todo o país e demitiu cerca de 3 mil funcionários. A entidade também afirma que parte dos trabalhadores teria sido desligada sem aviso prévio e sem o pagamento dos direitos trabalhistas devidos.
Sindicato cobra direitos dos trabalhadores
A manifestação deve reunir integrantes da categoria em frente à loja de Cajazeiras. De acordo com o sindicato, o objetivo é denunciar os impactos da reestruturação da Casas Bahia e cobrar da empresa o cumprimento das obrigações trabalhistas.
O ato também ocorre após uma série de fechamentos de unidades da varejista em Salvador. Conforme apuração do portal A Tarde, 12 lojas da rede na capital baiana encerraram as atividades no dia 14 de agosto.
Entre os estabelecimentos que deixaram de funcionar estão unidades localizadas em centros comerciais de grande circulação, como Salvador Shopping, Shopping da Bahia, Shopping Barra, Shopping Paralela e Shopping Bela Vista.
Casas Bahia fechou 12 lojas em Salvador
A relação de unidades que tiveram as atividades encerradas em Salvador inclui:
- Baixa dos Sapateiros;
- Manuel Dias;
- Avenida Sete de Setembro;
- Cabula (Silveira Martins);
- Salvador Shopping;
- Shopping da Bahia;
- Shopping Paralela;
- Shopping Barra;
- Shopping Piedade;
- Parque Shopping Bahia;
- Salvador Norte Shopping;
- Shopping Bela Vista.
Na ocasião, avisos foram colocados nas portas dos estabelecimentos informando que o atendimento seria encerrado a partir daquela sexta-feira.
Segundo informações obtidas pelo portal A Tarde, os produtos que permaneciam nas lojas seriam retirados e encaminhados para centros de distribuição ou redistribuídos para outras unidades. Um funcionário ouvido pela reportagem também informou que, naquele momento, não havia previsão de realização de liquidação ou queima de estoque.
Apesar dos encerramentos, outras unidades da Casas Bahia continuavam funcionando em Salvador e na Região Metropolitana, como as lojas de Cajazeiras, Candeias, Calçada, Camaçari, Pau da Lima, Itapuã, Simões Filho e Dias D’Ávila. A unidade de Itabuna também foi fechada.
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Reestruturação atingiu quase 300 lojas
Os fechamentos fazem parte de uma reestruturação nacional da Casas Bahia. Entre os dias 13 e 14 de agosto, a companhia encerrou as atividades de 298 lojas e promoveu cerca de 1,9 mil demissões, segundo informações divulgadas pelo Valor.
O volume de fechamentos corresponde a 28,7% das pouco mais de mil unidades mantidas pela empresa no país. Os cortes também representam aproximadamente 6,7% do quadro de funcionários da companhia.
De acordo com as informações divulgadas pela empresa, cerca de 600 trabalhadores foram desligados no dia 13 de agosto, enquanto outros 1,3 mil a 1,4 mil cortes estavam previstos para o dia seguinte. Uma terceira fonte ouvida pelo Valor estimou que o número total de demissões poderia chegar a 3 mil.
Prejuízos pressionam Casas Bahia
A redução da estrutura ocorre em meio a uma sequência de resultados negativos da companhia. No primeiro trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo próximo de R$ 1,1 bilhão, mais que o dobro da perda contabilizada no mesmo período do ano anterior.
Em 2025, o prejuízo consolidado da empresa chegou a R$ 3 bilhões, três vezes o resultado negativo registrado em 2024.
A companhia também enfrenta despesas financeiras elevadas e os efeitos do endividamento dos consumidores sobre o poder de compra.
Em 2024, a Casas Bahia recorreu a uma recuperação extrajudicial para reorganizar sua estrutura de capital. O processo foi encerrado posteriormente após um acordo com instituições financeiras.
Apesar da redução da dívida líquida no primeiro trimestre deste ano, impulsionada principalmente pela conversão de dívidas de credores em ações da companhia, a empresa segue apresentando resultados negativos.
Operação física encolhe
A estratégia de redução da estrutura física já vinha sendo adotada pela Casas Bahia antes do novo movimento de fechamentos.
A empresa terminou 2025 com 1.042 lojas, contra 1.064 no ano anterior. Em 2023, as redes Casas Bahia e Ponto Frio somavam 1.078 estabelecimentos.
Nos 12 meses encerrados em março, a companhia havia fechado 26 lojas — 12 da Casas Bahia e 14 do Ponto Frio.
O encerramento de outras 298 unidades em apenas dois dias amplia de forma significativa a redução da presença física da empresa no país.
No balanço do primeiro trimestre, a Casas Bahia informou que acompanha o desempenho de suas lojas e centros de distribuição e encerra operações consideradas incapazes de gerar valor.
Mesmo com a redução da rede física, a receita bruta consolidada da companhia avançou 6,4% no primeiro trimestre, chegando a R$ 8,8 bilhões.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo comércio digital. As vendas de produtos próprios no ambiente online aumentaram 26% no período. Por outro lado, a receita do marketplace recuou 0,6%, enquanto as vendas das lojas físicas caíram 1,8%.
A margem bruta da empresa permaneceu em 30,3%.
Com a redução do número de lojas e do quadro de funcionários, a Casas Bahia busca diminuir despesas, melhorar a geração de caixa e reverter o cenário de prejuízos que vem enfrentando.