O rastro de dinheiro que liga Israel, Cerimedo e a família Bolsonaro

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Investigações e relatos recentes colocaram sob novo escrutínio as conexões internacionais do consultor argentino Fernando Cerimedo, conhecido por sua atuação junto à direita latino-americana e por sua proximidade com integrantes da família Bolsonaro. O caso ganhou repercussão após a prisão de Cerimedo na Bolívia, onde ele é investigado por uma suposta tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, Nadia Beller.


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A partir do episódio, também voltaram ao foco as relações profissionais de Cerimedo com Brad Parscale, estrategista digital que ganhou notoriedade por sua atuação nas campanhas de Donald Trump nos Estados Unidos. Segundo informações reunidas pela Revista Fórum e por outras reportagens, os dois aparecem ligados a uma estrutura internacional de comunicação política e uso de dados voltada para campanhas da direita.

Cerimedo ganhou projeção no Brasil durante a eleição presidencial de 2022, quando apresentou o material intitulado “Brasil fue robado”, no qual levantava suspeitas sobre as urnas eletrônicas e o resultado da eleição vencida por Luiz Inácio Lula da Silva. O conteúdo foi incorporado ao discurso bolsonarista de questionamento do sistema eleitoral, embora as alegações não tenham comprovado fraude nas eleições.

A proximidade com a família Bolsonaro continuou nos anos seguintes. Em 2026, Eduardo Bolsonaro voltou a aparecer publicamente ao lado do argentino e defendeu sua atuação durante o processo eleitoral brasileiro. Cerimedo também participou de operações políticas em outros países latino-americanos, entre elas a campanha de Nasry “Tito” Asfura, em Honduras.

Conexão com Brad Parscale

A relação com Brad Parscale amplia o alcance internacional da rede. O americano ficou conhecido por comandar a estratégia digital de Donald Trump e pela utilização de dados e publicidade segmentada para atingir diferentes grupos de eleitores.

Em Honduras, Cerimedo e Parscale apareceram entre os consultores ligados à campanha de Asfura. Reportagens apontam que a operação utilizou estratégias digitais e segmentação de eleitores, além de mensagens direcionadas por aplicativos e redes sociais.

Cerimedo também atribuiu a Parscale o fornecimento de tecnologia e equipe para suas operações políticas na América Latina. A atuação dos dois, portanto, passou a ser observada como parte de uma estrutura que atravessa diferentes países e conecta consultores políticos, plataformas digitais e grupos conservadores.

Israel entra no cenário

Israel também aparece nas conexões levantadas sobre o entorno político de Bolsonaro. Um dos episódios citados envolve o ministro israelense Amichai Chikli e Eduardo Bolsonaro.

Em janeiro de 2025, durante a passagem pelo Brasil de um militar israelense que era alvo de uma tentativa de responsabilização judicial por organizações que o acusavam de envolvimento em crimes na Faixa de Gaza, Eduardo Bolsonaro afirmou ter conversado com Chikli. Posteriormente, o próprio ministro declarou que Israel havia trabalhado com “amigos na oposição brasileira” e repassado informações a Eduardo sobre a organização envolvida no caso.

A relação entre o governo de Benjamin Netanyahu e o bolsonarismo também ganhou evidência em 2026. Netanyahu enviou uma mensagem de apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, na qual chamou o senador de “meu amigo” e “grande campeão”, durante o lançamento da campanha.

Cerimedo e as eleições latino-americanas

A atuação de Cerimedo não se limitou ao Brasil. O argentino participou de campanhas e operações de comunicação política em diferentes países da região. Em Honduras, sua atuação ocorreu em uma eleição marcada pela forte interferência do debate político internacional e pela aproximação do candidato Asfura com Donald Trump.

Também existem relatos sobre a participação de Cerimedo na campanha que levou Javier Milei à Presidência da Argentina e, posteriormente, na eleição boliviana que levou Rodrigo Paz ao poder. Na Bolívia, Cerimedo chegou a atuar como assessor do presidente.

O chamado “Hondurasgate”, por sua vez, acrescentou novas suspeitas sobre possíveis articulações envolvendo atores de Honduras, Estados Unidos, Argentina e Israel. O caso se baseia em gravações cuja autenticidade ainda precisa ser comprovada de maneira independente. Os áudios fazem alegações sobre operações de comunicação política e supostos financiamentos, mas as acusações não estabelecem, por si só, que Cerimedo tenha participado dessas operações.

Prisão amplia pressão sobre rede internacional

A prisão de Cerimedo na Bolívia colocou novamente sua trajetória sob investigação. A Justiça boliviana determinou sua prisão preventiva enquanto são apuradas as acusações apresentadas por Beller. O argentino optou por permanecer em silêncio durante os primeiros procedimentos.

O caso policial, contudo, passou a ser acompanhado também pelo impacto político das relações construídas por Cerimedo ao longo dos últimos anos. Sua ligação com Eduardo Bolsonaro, sua atuação em campanhas latino-americanas e sua relação com Parscale colocam em evidência uma rede internacional de consultores que atua na comunicação digital da direita.

Até o momento, não há comprovação pública de que Parscale, Cerimedo ou suas empresas integrem formalmente a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. As conexões descritas nas reportagens apontam para relações profissionais e políticas construídas ao longo dos anos, mas não comprovam, por si só, participação na atual campanha brasileira.

Com informações da Revista Fórum



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