Manifesto pela humanidade

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A primeira encíclica do papa Leão 14, intitulada Magnífica Humanitas, ganha contorno de um manifesto pela pessoa humana contra a opressão de monopólios digitais. No texto, o protagonismo da ferramenta de “Inteligência Artificial” é avaliado como risco potencial para toda a civilização, dada a capacidade de interferir no “mundo real”.

O texto representa oportunidade de aprofundamento nas reflexões sobre os rumos da humanidade, servindo não apenas aos católicos, mas a gente de todos os credos. Ao denunciar o poder crescente de grandes corporações, a carta alerta para o perigo enfrentado pelos estados e relações de trabalho, devido às mudanças de paradigma. A concentração dos centros decisórios em poucas mãos, em proporção inédita na história, também é denunciada como fator de instabilidade a exigir toda atenção.

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A partir das críticas, em tom de diagnóstico, a encíclica propõe como possibilidade de terapêutica a defesa dos valores da transparência, responsabilidade e direcionamento. A partir da utilização de métodos construídos com a união destes princípios, é possível perceber algo fundamental para maior clareza do problema: as IAs não são neutras. Este ponto central ilumina o debate porque elimina a crença nas ferramentas como bem nelas mesmas, pois carregam interesses de quem as desenvolve, financia e controla.

Na busca de “salvaguarda da pessoa humana”, a Magnifica Humanitas serve, assim, de um guia a ser consultado e aprimorado na prática cotidiana de enfrentamento dos robôs. O texto papal vai direto ao ponto, em enunciado cristalino, ao situar o desafio: “erguer nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”.

De um ponto de vista estilístico, a encíclica tem como traço criativo e de inovação o fato de preservar uma linguagem religiosa para abordar o tema da revolução digital. Em 90 páginas, Leão 14 discorre com admirável mestria sobre transparência algorítmica; proteção de dados, desinformação, concentração de poder, automação do trabalho e uso militar da IA.



Fonte: A Tarde

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