Unidade de Hospital Dia Professor Dr. Helio Andrade Lessa no Hospital Professor Edgar Santos – HUPES – UFBA –
A Bahia enfrenta um cenário epidemiológico crítico neste início de 2026, com um aumento de 185% nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados pelo vírus Influenza. Entre 1º de janeiro e 27 de março, o estado contabilizou 1.732 registros da doença e 62 óbitos, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).
O avanço desenfreado do vírus no estado não possui uma causa única, mas uma combinação de fatores climáticos e biológicos. Em entrevista ao portal A TARDE, Ramon Saavedra, diretor de Vigilância Sanitária da Sesab, esclarece que o fenômeno está ligado ao calendário natural do vírus.
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“O aumento observado está diretamente relacionado à intensificação da circulação do vírus Influenza, especialmente associada ao seu comportamento sazonal, com um padrão de predomínio nesse período do ano (outono/inverno)”, explica.
A infectologista Clarissa Cerqueira reforça que a queda na proteção vacinal do ano anterior deixou uma brecha perigosa. “Estamos no período de menor imunidade das pessoas. O que a gente observa é uma combinação de fatores: a maior circulação do vírus pela sazonalidade, o aumento da testagem e, principalmente, uma população com a menor imunidade coletiva”, pontua a médica.
Grupos de risco e o papel da vacinação
Embora o número de casos assuste, especialistas descartam, por ora, a presença de uma variante mais letal. O problema reside na vulnerabilidade dos hospedeiros. Segundo Ramon, a vacinação é a barreira principal contra o agravamento.
Os grupos mais vulneráveis, que têm maior risco de evolução para SRAG, são idosos, crianças, gestantes e pessoas com comorbidades
Clarissa Cerqueira alerta que o relaxamento das medidas preventivas individuais tem acelerado a transmissão. “Geralmente é gente que está doente e fica saindo de casa, não testa, acha que é um resfriado simples e não uma gripe ou uma Covid, mas vai transmitindo”, alerta a infectologista.
Monitoramento e resposta da rede de saúde
Apesar da pressão sobre os prontos-atendimentos, a Vigilância Epidemiológica afirma que a rede de saúde ainda possui capacidade de absorção. Ramon destaca que as medidas atuais focam no fortalecimento da rede sentinela e no estímulo ao uso oportuno do antiviral.
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“O cenário exige atenção e monitoramento contínuos, mas até o momento não há risco de sobrecarga”, garante o diretor.
Entre as medidas adotadas estão o fortalecimento da vigilância, ampliação da testagem, uso de antivirais e intensificação da vacinação. “O foco é reduzir casos graves, interromper a transmissão e qualificar a resposta assistencial”, completa.
Guia de saúde: como enfrentar a Influenza
Quais são os sintomas principais?
- Febre alta
- Dor no corpo
- Cansaço intenso
- Tosse
- Dor de garganta
A Dra. Clarissa Cerqueira diferencia o quadro leve do grave. “O grave acomete mais o pulmão. Observamos tosse, falta de ar e queda na saturação… Pode ter confusão mental no idoso, isso pode chamar atenção também”.
Quando buscar atendimento médico urgente?
Não espere a melhora espontânea se surgirem os seguintes sinais:
- Falta de ar ou dificuldade para respirar;
- Dor ou pressão persistente no peito;
- Queda na saturação de oxigênio (abaixo de 95%);
- Confusão mental (especialmente em idosos);
- Melhora aparente seguida de febre alta e piora (sinal de infecção bacteriana secundária).
Mesmo em quadros leves, pessoas mais vulneráveis devem procurar atendimento precoce, já que podem precisar de antiviral para evitar complicações.
Como se prevenir?
Especialistas são unânimes: a vacinação é a principal forma de evitar casos graves. Além disso, outras medidas são fundamentais:
- Manter a vacinação em dia
- Usar máscara ao apresentar sintomas
- Evitar aglomerações quando estiver doente
- Higienizar as mãos com frequência
- Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar
- Isolar-se em caso de suspeita de gripe