Maternidade impulsiona criação de novos negócios

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A maternidade, por muito tempo tratada como experiência íntima e fonte de inspiração, tem ganhado novo status no mundo dos negócios: o de estratégia.

Cada vez mais, empresas nascem ou se reinventam a partir das vivências reais de mães — e também da escuta ativa de outras mulheres —, criando produtos, serviços e modelos que respondem a demandas antes invisibilizadas pelo mercado.

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Esse movimento se manifesta em diferentes frentes. Vai de espaços de acolhimento e bem-estar para gestantes e puérperas a soluções práticas, como o aluguel de itens de enxoval, passando por marcas tradicionais que se atualizam para acompanhar novas formas de consumir e maternar. Em comum, está a transformação da experiência pessoal em leitura de me rcado.

Na Mami&Co, empresa com mais de 30 anos de atuação na fabricação de itens para mães, bebês e crianças, essa virada se deu de dentro para fora. Sócia do negócio, Carol Zein afirma que a maternidade alterou profundamente sua forma de pensar produtos e posicionamento.

“Antes, meu olhar era exclusivamente profissional. Com a chegada da minha filha, passei a ter também o olhar de consumidora, por estar vivendo na prática os desafios do dia a dia”, diz.

A mudança não é apenas subjetiva. Segundo ela, impacta diretamente o desenvolvimento de produtos, que passam a incorporar critérios mais rigorosos de usabilidade, funcionalidade e segurança.

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“Muitos itens foram pensados ou aprimorados a partir de experiências reais. Pequenos detalhes fazem muita diferença na rotina”, afirma. Esse olhar também se reflete na comunicação da marca, que se torna mais próxima e empática, dialogando com as demandas contemporâneas das famílias.

Se a experiência individual inaugura esse processo, é na troca com outras mulheres que ele ganha escala.

“A escuta é fundamental. Converso com outras mães, observo o uso dos produtos, peço opinião. E o digital potencializa tudo isso, trazendo um volume de feedback muito rico e imediato”, diz Zein. O resultado, segundo ela, é um modelo menos baseado em suposições e mais ancorado em vivência e validação coletiva.

Exigência maior

Essa escuta ampliada também responde a uma transformação no comportamento do consumidor. Ao longo das últimas décadas, o nível de exigência aumentou.

“Hoje, as mães não olham apenas para o preço. Buscam qualidade, design, segurança e querem entender a história por trás da marca”, afirma. O que permanece, no entanto, é a centralidade da confiança, um valor que, embora constante, se sofisticou com o acesso à informação.

Na outra ponta, novos negócios surgem justamente para preencher lacunas identificadas no cotidiano da maternidade. É o caso da Casa Mater Elos, em Salvador, criada há cinco anos pela empreendedora Geise Silva.

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Mãe de três filhos e com experiência prévia no atendimento a gestantes, ela decidiu ampliar sua atuação durante a pandemia, ao sair de um espaço tradicional de varejo para construir um ambiente mais integrado.

“Pensamos em oferecer conforto, qualidade e praticidade para tentantes, gestantes, puérperas e crianças”, afirma.

O espaço reúne uma rede de profissionais e serviços que vão de pilates, yoga e fisioterapia pélvica a consultoria de amamentação, atendimento psicológico e atividades infantis, como musicalização, teatro e robótica.

Mais do que um centro de serviços, a proposta é criar um ambiente de acolhimento. “Hoje, as mães querem estar mais acolhidas, em todos os aspectos, ao mesmo tempo em que as crianças estejam bem assistidas”, diz Silva.

A iniciativa reflete uma demanda crescente por soluções que integrem cuidado físico, emocional e social, tanto para os filhos quanto para as próprias mães.

Outro exemplo de nicho em expansão é o aluguel de produtos para bebês, modelo ainda recente em cidades como Salvador. Fundador do Bebê de Carona, Renan Kalil conta que a ideia surgiu de uma necessidade prática.

“Uma amiga de São Paulo veio passar uma temporada aqui e precisou alugar alguns itens. Como não encontrou, comprei dois produtos e aluguei para ela, em 2023”, relata.

A demanda rapidamente se mostrou maior do que o esperado. Hoje, o negócio oferece cerca de 120 tipos de produtos — entre cadeirinhas, berços e cadeiras de alimentação — e mantém mais de 500 itens em estoque.

O público é majoritariamente formado por turistas, mas há também um crescimento entre moradores locais.

“Muitas mães preferem alugar antes de investir em um item caro, para testar se a criança vai gostar ou se vai usar de fato”, afirma.

O modelo dialoga com tendências mais amplas, como o consumo consciente e a busca por praticidade. Além disso, parcerias com hotéis, escolas e clubes infantis ampliam o alcance do serviço. Desde a criação, o crescimento médio anual do negócio é de 75%.

Esses exemplos ajudam a ilustrar como a maternidade tem impulsionado novos nichos e transformado a lógica de mercado.

Ao trazer para o centro experiências antes tratadas como individuais, empreendedoras e empresas constroem soluções mais aderentes à realidade das famílias e, ao mesmo tempo, mais competitivas.



Fonte: A Tarde

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