Derrotar a traição

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O extraordinário Edgar Morin, cuja partida definitiva deu-se recentemente, na esteira da dialética, insistiu muito na importância do pensamento complexo, modo de superar olhares fragmentados, reducionistas de mundo. Tal visão, ouso dizer, oriunda de muitos pensadores, entre os quais, inegavelmente, Marx. Essencial recolher tal ensinamento de modo a compreender as coisas do mundo.

Só o pensamento fragmentado, a sucessão de inverdades repetidas ad nauseam, à Goebbels, a exacerbação da sociedade do espetáculo, da superficialidade podem explicar como parte da sociedade brasileira pode aceitar um traidor assumido como candidato a presidente da República. Historicamente, o caso mais escandaloso de traição à pátria de que se tem conhecimento. Nem se fale em Calabar, porque de alguma maneira anistiado por Chico Buarque e pela história. Talvez Joaquim Silvério dos Reis, delator dos inconfidentes.

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Nada, no entanto, parecido com o candidato de oposição bolsonarista, filho do golpista preso. A desfaçatez dele em reverenciar o presidente Donald Trump, a falta de vergonha com que rasteja diante dele, os crimes assumidos de pedir tarifas contra o País, de reivindicar o bombardeio daquilo que até aqui havia sido a nação dele, hoje ninguém diria mais ser sua pátria, muito mais entregue de coração e alma aos EUA, revelam um incomparável traidor, sem qualquer pejo, evidenciando caráter infenso à vergonha.

É preciso repetir à exaustão o quanto isso é grave, convencer nosso povo da importância de eleger Lula de modo a evitar a barbárie. Não aceitamos entregar os destinos do Brasil aos interesses, desejos de domínio de um império em decadência, e essa entrega foi manifestada de próprio punho pelo filho do golpista maior, pelo irmão fora da lei e por cúmplices.

Recusar seja o povo brasileiro integrante de uma massa devotada à servidão voluntária, condição analisada com propriedade por Étienne de La Boétie nos idos de 1550, a cuja análise Marilena Chauí se dedicou.

Nada de servidão voluntária. A construção desse País só foi possível em decorrência da tenacidade, da luta do povo brasileiro, constituído ao longo da história, lutas das multidões escravizadas durante mais de três séculos, do operariado nascente no início do século XX e na sequência, na industrialização bancada por Vargas, no desenvolvimento dependente de Juscelino, no alvorecer das reformas de base sob Goulart, e na ditadura, resistência tecida pouco a pouco, vitoriosa.

E democracia, e depois a era Lula, cujo terceiro mandato representou a reconstrução de políticas públicas. O próximo, com Lula ainda, será a consolidação de um projeto nacional voltado ao amadurecimento de uma grande nação, onde aconteça a constituição de uma sociedade onde superemos as desigualdades e consolidemos a democracia.



Fonte: A Tarde

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